Abate clandestino

Fiscalização é reforçada para inibir venda de carne de moita

A Vigilância Sanitária tem intensificado as ações nas cidades de combate aos matadouros irregulares

00:00 · 22.11.2015
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No mercado, tem sido comum flagrar o entregador em contato direto com a carne, sem uniforme e, tampouco, equipamento de proteção individual (EPI). Especialistas advertem que a má condução pode causar contaminação ( Foto: André Costa )

Juazeiro do Norte. Construído há décadas, o Mercado Central Governador Adauto Bezerra abriga centenas de lojinhas com exposição dos mais variados produtos, que vão desde ervas medicinais a eletrônicos. O espaço é um dos mais movimentados do centro comercial desta cidade, devido ao preço atrativo e variedade de produtos em um só local. Contudo, o mercado carece de estrutura apropriada para comercialização de carnes.

Além do impróprio acondicionamento, o alimento, muitas vezes, é entregue em desacordo com a portaria do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que estabelece que "no abate de bovinos, bubalinos e suínos, somente poderão entregar carnes e miúdos, para comercialização, com temperatura de até sete graus centígrados". O Ministério preconiza, ainda, que somente poderão ser distribuídos cortes padronizados, devidamente embalados e identificados.

De acordo com funcionários de lojas situadas em frente ao mercado, é comum flagrar o entregador em contato direto com a carne, sem uniforme e, tampouco, equipamento de proteção individual (EPI). Segundo a tecnóloga em alimentos Ana Letícia Ribeiro de Lima, a má condução da carne "pode provocar alto nível de contaminação microbiana, deixando o consumidor suscetível a doenças transmitidas por alimentos (DTAs)".

Opção

Cliente do mercado há quatro anos, o motorista Nivaldo da Cruz se mostra reticente quanto aos perigos de contaminação. "Muita gente fala que a carne devia ser mantida dentro de um freezer, que os vendedores deviam usar luva, mas nunca tive nenhum problema. Moro em Juazeiro há quatro anos e sempre comprei aqui", avalia.

Já a costureira Marli Gonçalves, 43, diz que parou de comprar a carne no mercado "após assistir uma reportagem na televisão mostrando os perigos". "Hoje prefiro andar um pouco mais para comprar a carne no supermercado", disse.

A coordenadora da Vigilância Sanitária, Arlene Débora Andrade Sampaio, adverte que as carnes que são vendidas em mercados públicos devem também atender a todas as recomendações referentes às condições estruturais para comercialização, bem como as normativas técnicas. "Há uma série de fiscalizações que envolvem a Secretaria de Agricultura, os órgãos ambientais, as vigilâncias sanitárias, todos imbuídos na intenção de garantir a qualidade do produto oferecido, bem como a redução de riscos, tanto para a saúde da população, quanto para o meio ambiente", salienta.

Clandestino

Ao cair da noite, cresce o número de entregas feitas sem condições adequadas no Mercado Central. Na maioria dos casos, o abate de carneiros, bodes e porcos, é feito, geralmente, em fundos de quintais, sem condições de higiene. No caso da carne bovina, também predominam a atuação de abatedouros clandestinos em muitos locais. É a chamada "carne de moita".

De acordo com a tecnóloga em alimentos, Humbelina Maria de Jesus Neta, "os produtos que não passaram pela devida inspeção, por exemplo, podem ser vetores de transmissão de doenças e infecções alimentares", disse.

Os profissionais da área advertem, que além das intoxicações, que são as mais comuns, o consumidor pode ainda ter a sua saúde prejudicada pela tuberculose, brucelose bovina, cisticercose, todas essas doenças que passam do animal para o homem, cujos sinais variam de diarreias, dores abdominais, febre, confusão mental e até a morte.

A única forma de eliminar ou minimizar esses riscos é por meio da adoção das Boas Práticas de Higienização e de Manipulação de Alimentos, sendo necessário que os manipuladores tenham todo o cuidado referente à aquisição, acondicionamento, temperatura, manipulação, conservação e exposição desses alimentos e tudo isso perpassa pela estrutura do local onde ocorre o abate e até o local de venda desse tipo de alimento. O mais importe, é que o consumidor deve ficar atento e nunca consumir carne de origem duvidosa, sob pena de comprometer a sua própria saúde.

A única forma de eliminar ou minimizar esses riscos é pela adoção das Boas Práticas de Higienização e de Manipulação de Alimentos, explica Maria Denise de Lima Leite. Segundo a profissional, é "necessário que os manipuladores tenham todo o cuidado referente à aquisição, acondicionamento, temperatura, manipulação, conservação e exposição desses alimentos e tudo isso perpassa pela estrutura do local onde ocorre o abate e até o local de venda desse tipo de alimento". (A.C.)

Saiba mais

Matadouros fechados

Antonina do Norte, Nova Olinda e Abaiara

Causas

Os fiscais encontraram nos estabelecimentos pelo menos cinco irregularidades, que representam uma ameaça ao meio ambiente e à saúde do consumidor

Multas

Foram aplicadas multas que variaram de R$ 2 mil e R$ 5 mil

Abate regular

A maior parte da carne consumida em Crato e Juazeiro sai do Frigorífico Industrial do Cariri, que abate cerca de 2.100 bois mensalmente. Desse total, cerca de 80% são consumidos no eixo Crajubar

Mais informações:

Frigorífico Industrial do Cariri

Endereço: Avenida Paulo Maia, 2000

São José - Juazeiro do Norte

Telefone: (88) 3511-2033

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