Autossuficiência

Faculdade investe em energia solar

O investimento é alto, mas a direção calcula que, em sete anos, ele será totalmente recuperado

00:00 · 29.11.2015 por André Costa - Colaborador
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Até a cobertura dos carros foi aproveitada para a instalação dos painéis ( Fotos: André Costa )
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Ao término da última etapa do projeto, prevista para o fim de 2016, os Campus Lagoa Seca e Icó terão, juntos, três mil placas instaladas, capazes de produzir até 800 KW de energia

Juazeiro do Norte. Os constantes problemas ambientais causados pela utilização de energias não renováveis, somados ao esgotamento dessas fontes, têm despertado o interesse pela utilização de fontes alternativas de energia. A Faculdade Leão Sampaio (FLS), com três campus neste Município e outro na cidade de Icó, região Centro-Sul do Estado, optou pela energia solar, uma boa opção na busca por alternativas menos agressivas ao meio ambiente.

Uma das maiores faculdades do Interior do Estado, aproximadamente de 10 mil alunos, se tornará, em breve, a Instituição de Ensino Superior (IES) com o maior investimento em produção de energia solar do País, segundo a empresa cearense Satrix, responsável pela instalação das placas na Faculdade e que responde por mais de um quarto dos projetos de energia renováveis no Brasil.

De acordo com o diretor-presidente da FLS, Jaime Romero, o investimento para implantação da primeira etapa do projeto está orçado em R$ 1,5 milhões. Inicialmente foram instalados 816 painéis solares oriundos do Canadá, os quais produzirão 220 KW de energia limpa e renovável. Romero ressalta que a quantidade produzida será suficiente para abastecer toda a demanda de energia elétrica normalmente utilizada no campus Lagoa Seca.

O diretor-presidente anuncia que o parque de energia solar estará em total funcionamento na segunda semana de dezembro. Além de abastecer toda a energia elétrica do campus, a carga gerada pelas placas em momentos de inatividade, como feriados, fins de semana e férias, será revertida em crédito pela Companhia Energética do Ceará (Coelce). "Estaremos ajudando o meio ambiente, pois outras instituições poderão adquirir a nossa energia limpa", pontua.

Ao término da terceira e última etapa do projeto, prevista para o fim de 2016, os Campus Lagoa Seca e Icó, terão, juntos, três mil placas instaladas, capazes de produzir até 800 KW de energia. O custo total do projeto gira em torno de R$ 4 milhões. "Conforme cálculos da Coelce, com a economia de energia gerada somente na primeira etapa, 13 toneladas de resíduos, por mês, deixarão de poluir a água, a terra e o ar. Esse dado mostra a importância do projeto", pontua Romero.

A FLS estima se tornar autossuficiente em geração de energia ainda na próxima década e recuperar todo o valor investido em até sete anos. "A economia no consumo de energia e, consequentemente, a redução da conta de luz, que hoje é a segunda maior despesa do grupo, ficando atrás apenas da folha salarial, pagará o montante gasto na implantação em breve", acrescenta o presidente.

Política Sustentável

Jaime Romero pondera que a instituição possui uma preocupação com as questões ambientais, desenvolvendo, para tanto, políticas sustentáveis. "Penso que a faculdade não deve somente ensinar as teorias, mas, sobretudo, dar o exemplo, se preocupar com as questões sociais e buscar soluções para eles", afirma.

A oferta de produtos mais amigáveis ao meio ambiente, os chamados ecofriendly, se faz presente na FLS há anos. O mesmo campus que receberá a instalação das placas de energia solar, já abriga uma estação de tratamento de água e esgoto, instalada em 2009, a um custo de R$ 500 mil. O projeto realiza o reúso da água, tratada em 100%. Por dia, segundo a direção da Faculdade, são 50 mil litros recuperados.

"Temos outros projetos ecológicos; fazemos a coleta seletiva de todo o lixo produzido aqui e doamos para cooperativas. Nossa clínica-escola é coberta por uma lona de fabricação Alemã, que atua no resfriamento do prédio, consequentemente diminuindo o consumo de energia; a maior parte das lâmpadas do prédio são de LED, enfim, tem um compromisso ambiental", conclui Jaime Romero.

Energia limpa

De acordo com relatório "Um Banho de Sol para o Brasil" do Instituto Vitae Civilis, devido à localização e extensão territorial, o Brasil recebe energia solar da ordem de 1.013 MW/hora anuais, o que corresponde a cerca de 50 mil vezes o seu consumo de eletricidade durante um ano.

No entanto, apesar do número expressivo de energia que poderia ser produzida, o País ainda possui poucos equipamentos de conversão de energia solar em outros tipos de energia, os quais poderiam estar operando e contribuindo para diminuir os impactos causados pelas barragens das hidrelétricas, queima de combustíveis fósseis, desmatamentos para produção de lenha e usinas atômicas, por exemplo.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, o Brasil tem cerca de 70% de sua matriz elétrica baseada em energia hidráulica, e mais recentemente outras fontes de energia, como a biomassa, a eólica e a nuclear vêm recebendo estímulos.

Segundo relatório do Ministério de Meio Ambiente (MMA) e Conselho Brasileiro de Construções Sustentáveis (CBSC), até 2013, 56% de toda energia consumida no País, com 281,81 TWh (TeraWatts-Hora), era responsável por empresas, fábricas e instituições. Os outros 44% ficavam com 63 milhões de domicílios registrados naquele ano.

Segundo diferentes pesquisas brasileiras, o Nordeste é a região de maior radiação solar, com média anual comparável às melhores, como a cidade de Dongola, no deserto do Sudão, e a região de Dagget, no Deserto de Mojave, Califórnia, EUA.

Fique por dentro

História da energia solar fotovoltaica

Nas últimas duas décadas, a energia fotovoltaica evoluiu de um nicho de mercado de aplicações de pequena escala para se tornar uma fonte de eletricidade relevante. Uma célula solar é um dispositivo que converte a luz em energia elétrica diretamente, por meio do uso do efeito fotoelétrico. A primeira célula solar foi construída por Charles Fritts, na década de 1880. Em 1931, o engenheiro alemão Bruno Lange, desenvolveu uma célula fotovoltaica usando selenito de prata no lugar de óxido de cobre.

Embora os protótipos das células de selênio convertessem menos de 1% da luz incidente em eletricidade, tanto Ernst Werner von Siemens quanto James Clerk Maxwell reconheceram a importância desta descoberta. Na sequência do trabalho de Russell Ohl, na década de 1940, os pesquisadores Gerald Pearson, Calvin Fuller e Daryl Chapin criaram a célula solar de silício cristalino, em 1954. Até 2012 eficiências disponíveis excediam 20%, sendo que o máximo é superior a 40%.

O maior complexo de energia fotovoltaica é a Solar Star, de 579 mega watts, próxima de Rosamond, na Califórnia, EUA, inaugurada em junho de 2015. No entanto, quando o Parque Solar de Charanka, no Estado de Gujarate, na Índia, estiver em pleno funcionamento, irá se tornar a maior usina fotovoltaica do Planeta, com capacidade de 600 MW.

Mais informações:

Faculdade Leão Sampaio
Avenida Maria Letícia Leite Pereira S/N - bairro Lagoa Seca
Juazeiro do Norte
Telefone: (88) 2101-1046

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