IBAMA

Escritório do Crato é fechado

00:00 · 10.01.2016
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Há vários anos em funcionamento, o local vinha sendo ameaçado de fechamento desde 2010, com transferência dos serviços para a cidade de Iguatu, distante mais de 140 quilômetros do Crato ( Foto: Elizângela Santos )

Crato. Mesmo com um trabalho já restrito, mas considerado imprescindível para uma região cercada de floresta, área de proteção e até mesmo uma pequena faixa de reserva de Mata Atlântica, o Crato perde o escritório do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Com a presença de apenas um funcionário federal e outros servidores contratados, o local foi fechado, neste fim de ano. Os últimos colaboradores estiveram com aviso prévio até o dia 31 de dezembro. Todos foram pegos de surpresa com a determinação.

Há vários anos em funcionamento, o local vinha sendo ameaçado de fechamento desde 2010, com transferência dos serviços para a cidade de Iguatu, distante mais de 140 quilômetros do Crato. A ação foi tomada com base numa política de cooperação entre a União, Estados e municípios, que resultou no fechamento de vários escritórios do órgão no Brasil.

A primeira ação, no intuito de desativar o escritório, foi inibida por meio de intervenções, como a do Ministério Público Federal no Ceará (MPF-CE), em 2010, que recomendou ao Ibama que a unidade avançada não fosse extinta. Entre as funções da unidade ameaçada de fechamento estava a proteção da Floresta Nacional (Flona) do Araripe, primeira criada por decreto no Brasil, em 1946, e da Área de Proteção Ambiental da Chapada do Araripe.

A recomendação encaminhada pelo MPF-CE resultou de procedimento administrativo instaurado na Procuradoria da República, no Município de Juazeiro do Norte, por conta das notícias relatando que a unidade avançada do Ibama seria extinta por conta da criação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Autoridades se mobilizaram nesse intuito, inibindo, naquele momento, que o escritório fosse desativado. A própria presidência do Ibama, na época, comunicou que o escritório do Crato não estava em meio àqueles que seriam fechados. Entre as ações do órgão estão repressão a desmatamentos clandestinos e ao transporte irregular de produtos, fiscalização do tratamento de resíduos sólidos e de lixões, fiscalização de atividades industriais, entre outras. Funções que podem deixar de ser cumpridas de forma mais efetiva, numa área extensa e com um órgão ambiental a menos para dar suporte.

Ambientalistas da região lamentam a perda repentina, com a extinção do escritório, e veem como absurda a medida de fechamento numa área de extrema necessidade, para que haja o funcionamento em uma cidade, como Iguatu, que não está próxima da Flona Araripe, como ocorre com o Crato.

O coordenador do projeto Operação Flona Limpa (OFL), George Macário de Brito, que atua com voluntários pela limpeza e preservação da floresta, considera uma grande perda, diante da necessidade de haver uma maior presença e fortalecimento dos órgãos ambientais na região do Cariri. "O que vemos é o desmatamento aumentar na área, clareiras abertas na floresta, gerando um processo de desertificação e isso é muito preocupante. São locais que vão demorar muitos anos para serem recuperados", lamenta.

Distanciamento

Brito afirma que, com a distância, uma área que necessita de uma fiscalização mais efetiva só perde. "Temos uma grande biodiversidade, área de Geopark, de proteção, floresta, e espécies em extinção, como o Soldadinho-do-Araripe, e com o Ibama a 140Km, há um prejuízo incalculável", diz ele. Atuante na Flona, Verônica Figueiredo, explica que houve uma reestruturação em nível nacional dos órgãos, que fazem parte do Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama) e, com isso, houve a saída de escritórios regionais, dentro dos estados.

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