Postos de trabalho

Empregos no varejo cresceram 6%

Comércio e construção civil desafiam a crise e demonstram bom desempenho desde dezembro passado

00:00 · 31.01.2016 por Elizângela santos - Colaboradora
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O setor calçadista vive momentos de contratação e desponta para um crescimento ainda maior a partir de maio deste ano
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A alta demanda no comércio varejista anima o setor produtivo da região ( Fotos: Elizângela Santos )

Juazeiro do Norte. O crescimento nas contratações para setores da economia no Cariri, mesmo com a instabilidade do País, continua em ascensão. Na região, o principal centro de convergência, Juazeiro do Norte, acaba beneficiando o processo de desenvolvimento nos setores da indústria, comércio e construção civil. O destaque maior, com a movimentação vivenciada em dezembro, foi o comércio, com cerca de 6% no aumento da abertura de postos de trabalho, conforme dados do Sistema Nacional de Emprego / Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (Sine/IDT).

Esse crescimento, segundo a gerente regional do Sine/IDT, Ariadne Araújo, pode ser verificado a partir da segunda quinzena de dezembro, na melhor fase para o comércio, com o Natal, e nos primeiros quinze dias do ano. "Não vimos que houve retração, mas há uma estabilidade e as empresas continuam contratando", diz. Essa realidade para os setores mais fortes na economia regional, acontece principalmente em função de um processo de desenvolvimento acelerado que já passava o Cariri.

Comparação

Mesmo com a queda na economia do Brasil, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Juazeiro do Norte, Michel Macêdo, afirma que o crescimento registrado em 2015 foi de 3,5% para o setor. Esse dado, sendo confrontado com o ano anterior, segundo ele, não é tão representativo, mas tem sido um dado importante diante de uma realidade com números em baixa, para diversos setores no País.

Macêdo e ainda lembra que o Juazeiro do Norte está entre as dez cidades que registraram maior crescimento no Estado. "Caso mantenha essa margem de desenvolvimento, o importante é que há um processo em andamento e continuamos positivos dentro dessa realidade", afirma.

No momento, a indústria de calçados, que é a que mais emprega em Juazeiro do Norte no setor, tem partido para as contratações. Segundo Ariadne, há perspectivas de novas vagas, com a produtividade que se intensifica nesse período, com a volta às aulas. Por exemplo, e produtividade para as próximas estações. Mas, conforme ela, começa mesmo em maio a fase mais intensa de abertura de novos postos de trabalho. Mesmo com uma margem não tão representativa, por conta dos números negativos em relação ao cenário econômico, há um cenário de manutenção do quadro, conforme o presidente da CDL.

Consciência

Outro fator importante, é uma consciência maior da própria realidade e uma adaptação do empresário para vivenciar os tempos de crise sem ter que passar por grandes dificuldades, como optar por demitir.

Uma das condições que não se repetiu em relação a anos anteriores foram as contratações temporárias. Foram poucas as vagas extras no fim do ano passado, que duram pelo menos três meses, para os que buscam a oferta desse período.

Conforme Ariadne, há uma incorporação de uma cultura voltada para organização maior das empresas, no sentido de conter gastos, com investimentos mais direcionados. As contratações temporárias ocorreram principalmente em indústrias e lojas de departamento nesse fim de ano. Mas, até o mês de julho, virão novas ofertas de empregos, principalmente em setores novos, que começam dando uma dinâmica maior à abertura de vagas.

Call center

Exemplo disso, é um call center instalado em Juazeiro do Norte, e que até o meio do ano deverá abrir cerca de 2 mil novos postos de trabalho. Em relação ao setor de serviços, continua sendo responsável também por novas contratações e não houve baixas para esse período, segundo a gerente regional. O crescimento nos setores poderá ser verificado, não apenas no Cariri, mas no Centro-Sul, de acordo com avaliação do Sine/IDT.

Michel Araújo afirma que os dados avaliados também partem dos últimos resultados repassados pelo Sine/IDT. Segundo suas informações, a partir desse ano a entidade pretende trabalhar com um número maior de dados para ter os quantitativos analisados de forma mais ampla, atuando com um banco de dados, inclusive com a parceria do Sine. Esse trabalho será desenvolvido em parceria com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Consolidação

Como o maior comércio varejista do Interior do Estado, Juazeiro do Norte se destaca. Atualmente é um dos mais promissores do Brasil. Os números que acompanham essa realidade a cada ano demonstram, mesmo diante de uma retração no mercado econômico nacional, a consolidação de um processo que já ultrapassou várias fases, desde o mercado do ouro, como grande impulsionador da economia nos anos 60 e 70, ao varejo popular. Enquanto se registrou uma queda na economia no ano passado no País, o Estado do Ceará chegou a crescer 0,9%, Juazeiro do Norte emplacou os 3,5%, no Produto Interno Bruto (PIB).

Mesmo com uma desaceleração econômica, o dirigente lojista afirma que, em 2010, houve um crescimento de 18%, acompanhado, no ano seguinte, de 2011, com 13%; 2012, 7%; e, 2013, 5%. "Apesar da retração, o crescimento continua em cima de um 'boom' ascendente. Talvez, mediante as circunstâncias, maior que os 18% em 2010", avalia.

Araújo fala de uma demanda reprimida no contexto desenvolvimentista de Juazeiro do Norte. A cidade, segundo ele, começa a se verticalizar e, diante de muitas do mesmo porte, está apenas iniciando esse processo, com dezenas de edifícios em construção, e tudo isso se reverte em melhores condições para o mercado. "Temos uma boa perspectiva diante do setor público, que passa a enxergar o Município no sentido de promover infraestrutura", afirma. Ele destaca os novos investimentos públicos que estão sendo feitos na cidade, inclusive na área da segurança.

Shopping

Há quase duas décadas instalado na terra do Padre Cícero, o Cariri Garden Shopping teve que duplicar o seu número de lojas para atender à demanda do mercado consumidor local, com uma abrangência de mais de 150 quilômetros. É que Juazeiro do Norte se tornou um polo de convergência, principalmente quando se trata de centro de compras.

Cerca de 1 milhão de pessoas, em média, circulam por ano no empreendimento. Houve um aumento de público em dezembro de 2014, fase de maior movimentação, de 15% em relação ao ano anterior, enquanto que a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) apostou num aumento de 8,5% das compras no mês de dezembro. Esses números têm sido crescentes.

Mas, diante dessa nova realidade que se desenha, ele destaca o grande investimento do setor privado, como importante impulsionador do processo de desenvolvimento e que continua significativo na economia. Prova disso, conforme Michel, é a vinda das maiores empresas atacadistas do Brasil como o Atacadão, Maxxi Atacado e o Assaí. Com isso, o mercado comercial de Juazeiro se expandiu mais fortemente até o Centro-Sul do Ceará e municípios dos Estados vizinhos de Pernambuco, Piauí e, ainda, a Paraíba.

Ele avalia que a perspectiva de continuidade desse processo de crescimento atravessa os 15 anos à frente. Para se ter uma ideia da valorização desse mercado comercial, Michel afirma que o setor absorve 70% da mão-de-obra no Município envolvendo os mais diversos segmentos, chegando a arrecadar, junto com a área de serviços, 84%.

Calçados

O ano passado não começou bem para o setor da indústria calçadista, que mais emprega na região. Foram mais de mil demissões desde janeiro de 2015. Agora, o segmento já vive momentos de contratação e desponta para um crescimento ainda maior a partir de maio deste ano. Embora a produção de calçados seja mais destinada ao mercado nacional do que internacional, que se beneficiaria pela alta do dólar, o setor também tem sido beneficiado pelo seu perfil, que atinge um público popular, por meio, principalmente, da produção de sandálias.

São mais de 16 mil empregos ofertados pelo segmento na região. O polo calçadista de Juazeiro e adjacências conta com mais de 300 indústrias, desde as pequenas, médias e de grande porte, como a Grendene, e a Tecnolity, que atua na linha de produção da Havaianas. O presidente do Sindindústria, Antônio Mendonça, chegou a afirmar que a última década foi de crescimento, dentro de uma postura alternativa, na busca de novos investimentos, além de indústrias implantadas.

Expansão

3,5 Por cento foi o crescimento registrado no ano de 2015 em relação ao anterior, no comércio varejista da cidade de Juazeiro do Norte

2 Mil novos postos estão sendo previstos para serem criados por um call center ainda neste ano, despontando para a expansão das atividades produtivas

Mais informações:

Sine/IDT

Rua São Pedro, 309 Centro

Juazeiro do Norte

Telefone: (88) 3102-1117

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