Ressocialização

Detentos da Cadeia Pública vão cultivar horta no Crato

Projeto de ONG será tocado com a participação de estudantes de agronomia da UFCA

00:00 · 20.03.2016
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Os integrantes da ONG e estudantes estiveram na Cadeia para estudar o terreno ( Fotos: Elizangela Santos )
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Além do apoio técnico da UFCA, o projeto conta com financiamento do governo alemão para garantir a sua continuidade

Crato. O cultivo de hortas por detentos da Cadeia Pública do Crato como forma de ressocialização faz parte de um projeto Semear e Colher, pioneiro na região, por meio de uma parceria da Organização Não Governamental (ONG) Nova Vida, a Universidade Federal do Cariri (UFCA), com apoio do governo Alemão. Os trabalhos começam em abril e vão beneficiar cerca de 20 detentos, inicialmente, entre homens e mulheres, com quatro turmas de trabalho.

A forma de atuação, segundo os organizadores, contará com critérios, que serão estabelecidos a partir das discussões, no processo de implementação. A começar com os detentos que poderão ser liberados com a finalidade de fazer parte da equipe, e os tipos de equipamentos que poderão ser utilizados. As ações serão monitoradas por agentes penitenciários, já que as hortas serão cultivadas na própria área da delegacia.

Os locais foram avaliados na última semana, pelos representantes da ONG Nova Vida, com sede em Crato, além da direção da Delegacia e os estagiários do curso de Agronomia da UFCA, que estarão com uma equipe de alunos, acompanhando as atividades em aulas práticas e teóricas, que serão ministradas em horários pré-estabelecidos, no próprio local.

Caráter inovador

O projeto, segundo o presidente da ONG Nova Vida, Hermano José Sousa, tem um caráter inovador, no sentido de proporcionar uma ocupação para os detentos, além de ser importante no processo de ressocialização.

A meta é que os produtos sejam cultivados com o uso de biofertilizantes, sem a inserção de agrotóxicos, sejam repassados para as próprias famílias dos presos e sirvam também para melhorar a alimentação das 26 mulheres e 170 homens que estão atualmente da carceragem.

Além de ser um trabalho importante, Hermano afirma que será proporcionada uma alimentação saudável aos beneficiados com as doações. Para o diretor da Cadeia Pública, Tarcísio Cruz Barbosa, é importante que o destino dos alimentos seja revertido para as famílias dos detentos, porque as refeições servidas na cadeia já são terceirizadas.

As oficinas serão direcionadas à produção de hortas verticais. Há também a ideia de realizar outros trabalhos relacionados ao cultivo de plantas medicinais e até ornamentais. Essas ações serão estendias para outras entidades, que atuam em parceria com a Nova Vida.

Há vários anos a instituição vem realizando projetos com a Comunidade do Gesso, entre os bairros São Miguel e Pinto Madeira, na cidade do Crato. A área é considerada de alta vulnerabilidade social, inclusive com ambiente de prostíbulo. Por meio das ações, as pessoas, principalmente crianças e jovens, têm a oportunidade de participar de cursos, além de atendimentos no campo social e da saúde.

Extensão universitária

Os estudantes Allane Plácido e Illo Façanha Facundo percorreram áreas do pátio da cadeia e colheram amostras do solo para serem analisadas para o cultivo. Com isso, será trabalhada a área mais adequada para o cultivo dos produtos.

Ela disse que os trabalhos serão iniciados durante o mês de abril, após algumas oficinas teóricas de capacitação, já que não será muito assunto a ser abordado, mas que as orientações em sua grande parte poderão ser repassadas em campo mesmo, no momento em que as hortas estiverem sendo plantadas. Também será inserido um sistema de irrigação, que deverá facilitar o cultivo.

O projeto, conforme Hermano, visa o desenvolvimento da responsabilidade social e ecológica, voltado para a produção de hortas comunitárias, em escolas e de quintais, com o público que o Nova Vida já trabalha, incluindo os detentos.

Governo alemão

Aprovado junto ao governo alemão, que irá financiar parte dos trabalhos, terá a execução e coordenação financeira das ações. No Cariri, projetos como o Nosso Lar, no bairro Tiradentes, em Juazeiro do Norte, e o Verde Vida, do projeto Catingueira, na Ponta da Serra, em Crato, também estarão desenvolvendo projetos de mudas integrados aos trabalhos da Nova Vida.

No caso da Cadeia do Crato, Hermano afirma que foram pensadas as hortas horizontais, na área interna, com a mão-de-obra da própria Cadeia, na busca de humanizar mais a situação dos detentos, atuando no processo de ressocialização, com a produção de verduras que podem ser consumidas por eles ou comercializadas.

Segundo Hermano, estão sendo dados os primeiros passos para fechar a metodologia do projeto, com a parceria da Universidade, abrindo espaço para outras instituições. "Não é apenas com a questão da atividade em si, mas a reeducação da população carcerária", afirma. As mudas serão plantadas ainda esse semestre, com assistência técnica dos bolsistas, mas nem todos os detentos poderão participar. Esse indicativo será dado mediante análise da assistência social e direção da Cadeia.

Para a estudante de agronomia Allane Plácido, será uma importante experiência compartilhada pelos alunos do seu curso, dando uma contribuição às famílias dos detentos, que poderão ter acesso às verduras. E, mais tarde, quando forem cumpridas as penas, os participantes estarão com mais um ofício que poderá gerar renda.

Mais informações:

Projeto Nova Vida - Educando para a Cidadania - Crato

Telefone: (88) 3523-4166

E-mail:projetonovavidacrato@outlook.com

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