Demissão atinge o setor calçadista

A área é terceiro lugar no ranking produtivo do País. Mais de mil demissões já foram efetivadas

21:00 · 14.03.2015 / atualizado às 00:00 · 15.03.2015
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Segmento é um dos que mais gera empregos diretos e indiretos na região ( fotos: elizângela santos )
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Apesar da crise, o setor mantém uma produção de relevância nacional. Conforme dados do sindicato, no ano passado foram fabricados mais de 90 milhões de pares de calçados, pelas indústrias da região

Juazeiro do Norte. O ano não começa bem para o setor da indústria calçadista que mais emprega na região. São cerca de mil demissões desde janeiro. Mais que o dobro do ano passado, em função das mudanças na economia e baixa também na comercialização dos produtos no mercado nacional, além das exportações, mesmo que em pequena escala. O Sindicato das Indústrias de Calçados e Vestuários de Juazeiro do Norte (Sindin-dústria) durante este mês estará levando uma caravana de 46 empresários para participar de um evento internacional no intuito de promover o segmento. Mesmo assim, o órgão reconhece que há uma estabilidade do setor e com perspectiva de normalização a partir do próximo mês de abril.

São mais de 16 mil empregos ofertados pelo segmento na região. O polo calçadista de Juazeiro e adjacências conta com mais de 300 indústrias, desde as pequenas, médias e de grande porte, como a Grendene, e a Tecnolity, que atua na linha de produção da Havaianas. O presidente do Sindindústria, Antônio Mendonça, afirma que a última década foi de crescimento, dentro de uma postura alternativa, na busca de novos investimentos, além de indústrias implantadas.

Ele afirma ainda que indústrias da região se realocaram, no sentido de ampliar os seus espaços de produção, para novos investimentos.

Mercado

Mendonça justifica, por isso, o momento de estabilidade, mesmo diante do quadro de turbulência, que precisa de uma economia que desponte em nível nacional para a continuidade desse processo. O mercado interno é mais representativo, sendo que as exportações incluem uma média de 10% nas vendas dos calçados do polo regional.

O presidente do Sindin-dústria destaca a retração nas vendas por parte dos lojistas, pelo fato de do consumidor estar apreensivo, e há um forte reflexo disso com a baixa dos pedidos junto aos setores de produção. A alternativa tem sido viajar pelos eventos do segmento. Nos dias 25 e 26 de março, empresários de Juazeiro do Norte e região vão seguir em caravana para uma feira de calçados no Rio Grande do Sul. "De certa forma há uma movimentação, com a presença de compradores de outros países. Há uma grande concentração de todo o setor nacional e internacional", explica.

Com as alternativas buscadas pelos empresários, segundo Mendonça, abre-se a possibilidade para novas alternativas de futuro do mercado, no sentido que o segmento está tomando. Apesar da crise em vários setores, como o aumento de combustível, energia, a crise que envolve a Petrobras, conforme o empresário, há uma retração visível. "Isso se mostra muito diretamente nos custos de produção e também acaba gerando um medo na ponta, que é o do consumidor final", diz ele. O presidente do Sindindústria ainda ressalta que o setor de transporte está vivendo um momento difícil e isso vem respingando na indústria.

Nos primeiros dois meses foram contabilizadas mais de 800 demissões. Ele afirma que isso significa cerca de 7% no número de empregos diretos. "É preocupante se continuar essa mesma tensão do momento", alerta.

Em relação à Feira de Tecnologia e Calçados do Cariri (Fetecc), segundo o empresário, ainda não há nada certo para este ano. Em contato com duas secretarias de governo estadual, ele destacou a participação pelo 14º ano consecutivo de empresas da região na 47ª Feira Internacional da Moda em Calçados e Acessórios (Francal). Além disso, fez menção ao evento da Fetecc, que vem sendo avaliado, para que haja o apoio governamental. A decisão virá até o final deste mês.

Mudanças

O empresário Marcos Tavares disse que as demissões começaram a acontecer desde o ano passado e que irão continuar ainda por este ano, em virtude, principalmente, das últimas mudanças na economia. Com os ajustes futuros é que se poderá chegar a uma perspectiva mais definida de como continuará o setor.

Ano passado, os empreendedores do setor estiveram participando da 46ª Feira Internacional da Moda em Calçados e Acessórios (Francal), no Estado de São Paulo. Estiveram presentes representantes de 12 empresas da região, além das que foram individualmente.

Para o presidente do Sindindústria, essa parceria com a Francal tem sido de grande importância, no sentido de colocar os empresários do Cariri em contato com as principais novidades do segmento, no mercado internacional de calçados, numa das maiores feiras da América Latina. O mercado, segundo ele, está em ascensão, mesmo diante da oscilação na economia, por ter em grande parte da fabricação calçados populares.

Conforme dados do sindicato, no ano passado foram fabricados mais de 90 milhões de pares de calçados, pelas indústrias de calçados da região.

Elizângela Santos
Colaboradora

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