juazeiro

Crise impacta no comércio

00:00 · 01.11.2015
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Manifestações religiosas da igreja católica, tanto na igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, quanto ao ar livre, ocorrem ao longo dia ( Foto: André Costa )

Juazeiro do Norte. A crise econômica foi um dos fatores que acabou fazendo com que cerca de 30% dos romeiros deixassem de vir para a festa de Nossa Senhora das Dores, em setembro, e poderá afetar a Romaria de Finados.

Pelo menos é o que avalia a secretária de Turismo e Romaria, Marli Bezerra. Ela afirma que muitas pessoas acabaram deixando para vir depois e, com isso, desde setembro que os fiéis chegam à terra do "padim" para vivenciar a sua missão de fé.

Os comerciantes acabaram sentido o impacto e muitos não estão apostando no sucesso de vendas nesse período, a não ser na comercialização de imagens e velas, além das flores, que são aqueles que normalmente lucram, principalmente no Dia de Finados.

A expectativa amanhã, dia 2, é que cerca de 150 mil pessoas visitem apenas o Cemitério do Socorro, o mais antigo de Juazeiro do Norte, onde à frente, na Capela, se encontram os restos mortais do Padre Cícero. De acordo com o gerente do local, Mailson de Sousa, desde a semana passada que a movimentação é intensa na área, com a limpeza e reforma de túmulos, além da iluminação. Das 6 horas às 22 horas, a visitação é intensa.

Por ser o cemitério mais tradicional da cidade, no local estão os túmulos de muitos religiosos antigos, a exemplo de beatos como José Lourenço, do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto. Há também o da Beata Mocinha, que era próxima ao Padre Cícero. Estes são os mais visitados, conforme Mairton.

Mudanças

Para comerciantes, neste ano as grandes romarias têm sido uma surpresa, por conta da crise, mas ao mesmo tempo avaliam que tem ocorrido, ao longo do tempo, uma mudança de comportamento dos romeiros. Muitos deles estão deixando de vir em épocas de maior movimentação na cidade e escolhem outras datas de sua conveniência para cumprir o ritual de fé católica, para fazer o périplo desde o horto às igrejas.

Segundo o comerciante Ewerton Bruno Sousa, a romaria de setembro esteve abaixo da expectativa, em termos de comercialização. Com um pequeno comércio fixo em frente à Basílica e um dos pontos estratégicos de visitação romeira, ele afirma que o mês esteve 25% abaixo da expectativa em relação ao mesmo período do ano passado. Para Bruno, os preços praticamente se mantêm, mas não espera que haja um salto de vendas durante esses dias.

Já os proprietários dos ranchos e pousadas afirmam que até o meio da semana anterior não chegaram a manter lotação dos espaços. Esta romaria tem uma característica diferenciada, por não se concentrar apenas em bairros como Socorro e no Centro, mas está em praticamente toda a cidade, incluindo as localidades mais distantes, a exemplo do bairro Novo Juazeiro. A funcionária de pousada Adriana Gomes de Sousa disse que um fator que tem garantido a manutenção dos espaços é a permanência das romarias em épocas diferenciadas.

O Santuário dos Franciscanos recebe maior visitação neste período. No local, além de fonte de água para os fiéis se refrescarem do calor, há o buzinaço permanente de quem chega para a romaria e faz a volta na estátua de São Francisco, além da tradicional caminhada por cima dos arcos, conhecida como "passeio das almas". Na programação, várias missas são celebradas durante o dia no local.

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