patrimônio cultural

Crato reivindica unidade do Iphan

Equipamentos históricos da cidade são apresentados com sugestões para abrigar sede da instituição

22:00 · 28.03.2015 / atualizado às 00:00 · 29.03.2015
Image-1-Artigo-1823230-1
Casa da câmara e cadeia está sendo avaliada, junto com outros espaços ( FOTO: ELIZâNGELA SANTOS )
Image-0-Artigo-1823230-1
A casa do maquinista do conjunto da estação, que está na lista para ser um dos patrimônios históricos tombados no Crato. Outras edificações também estão sendo examinadas para abrigar a sede representativa para a região

Crato. Começa um processo de discussão para implantação da Casa do Patrimônio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no Cariri. Mesmo fazendo parte de uma proposta de carta recente entregue ao ministro da Cultura, Juca Ferreira, com o pedido de instalação do órgão na região, assinada por secretários de Cultura do Cariri, há pelo menos um ano se luta pela implantação na cidade do Crato. Há duas semanas técnicos do Iphan estiveram na cidade, verificando possíveis locais apontados como propostas para sedes da casa, mas ainda não há nada definido quanto ao local de instalação, segundo a superintendência do Iphan no Estado, Murilo Cunha.

Seria uma forma de reconhecer o potencial da cultura local e o importante patrimônio regional, como também proporcionar o encaminhamento de processos para tombamentos.

Debate

Essa é uma das visões do próprio superintendente do Iphan, no Ceará, Murilo Cunha. Ele afirma que desde o ano passado foi iniciado esse debate durante o IV Simpósio Internacional sobre o Padre Cícero, mas a discussão é mais ampla. Somente o município de Icó foi contemplado com uma Casa do Patrimônio, até o momento, no interior do Ceará.

Para Cunha, essa discussão depende de um longo processo, a começar com um amplo debate entre as instituições, a exemplo de organizações não governamentais e articulações intragovernamentais entre secretaria de Cultura do Estado e mais os municípios com valor histórico considerável.

Murilo Cunhae destaca esse processo já sendo refletido entre as secretarias de cultura locais, a partir de um pedido encaminhado ao ministro. Com isso, o superintendente ressalta a importância de um trabalho articulado, já que o órgão terá uma atuação regional, mesmo sendo implantado em qualquer uma das cidades da região.

A secretária de Cultura do Crato, Dane de Jade, recebeu os técnicos e disse que a proposta inicial seria implantar a Casa do Patrimônio na residência que pertenceu ao artista plástico Vicente Leite, na Avenida Lavras da Mangabeira, no bairro Seminário, mas os técnicos acreditam que seria interessante implementar o projeto numa área mais centralizada na cidade.

Segundo Dane, uma das alternativas pensadas foi a casa do maquinista do conjunto da estação, que está na lista para ser um dos patrimônios históricos tombados no Crato.

Caso isso ocorra, ela disse que a secretaria de Cultura, hoje sediada no local, seria transferida para outra localidade. Ainda conforme a secretária, seria de grande relevância a implementação da Casa do Patrimônio do Iphan no Crato. Mas destaca a luta regional pelo órgão.

A secretária ressalta, com isso, a presença maior do Iphan na região, já que vários projetos estão em andamento para que sejam avaliados e haja o reconhecimento de prédios históricos e do patrimônio imaterial.

O Crato possui o primeiro prédio da região em processo de tombamento, que é a Casa de Câmara e Cadeia, que atualmente abriga o Museu Histórico do Crato e o Museu de Artes Vicente Leite. O prédio, que passará por uma restauração, foi tombado provisoriamente.

O órgão deverá atuar no processo de educação e conscientização da preservação histórica, além de possibilitar uma dinâmica para o reconhecimento maior do grande acervo patrimonial existente na região. Para Dane, o equipamento possui importante relevância, no sentido de instituir um trabalho voltado para o reconhecimento institucional do patrimônio material e imaterial da região.

Prazo

A Fundação Casa Grande, em Nova Olinda, por dois anos, através de um convênio com o Iphan, atuou como Casa do Patrimônio na região do Cariri. O prazo expirou e o presidente da instituição, Alemberg Quindins, lamentou que o convênio não tivesse sido renovado, já que a entidade atua com o processo de educação patrimonial com crianças e adolescentes.

Quindins chegou a fazer um apelo ao ministro da Cultura, Juca Ferreira, que esteve na entidade, solicitando uma reavaliação dessa mudança. Segundo Murilo Cunha, haverá uma modificação relacionada ao processo de inserção das instituições e conquista da chancela, que ocorrerá por meio de edital. Para isso, ele diz que qualquer entidade poderá se inscrever e concorrer. Mesmo assim, justifica que esse é apenas um momento inicial das discussões sobre o tema.

Antes de iniciar propriamente as definições em relação ao processo de instalação, será realizada uma oficina de implantação, com o Iphan e os atores envolvidos no processo, como os órgãos que atuam na área do patrimônio cultural, parceiros. A ideia é, a partir daí, elaborar um plano de ação, com a definição da sede.

Como projeto é regional, nesse momento, segundo Murilo Cunha, a finalidade é trazer mais parceiros para o fortalecimento das discussões. 

Mais informações:
Iphan-CE
Rua Liberato Barroso, 525
Praça José de Alencar
Fortaleza
Telefone: (85) 3221.6263

Elizângela Santos
Colaboradora

Comentários


Li e aceito os termos de regulamento para moderação de comentários do site.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.