Barbalha

Contrato formaliza reativação da Usina Manoel Costa Filho até 2016

Adece celebrou, na quarta-feira passada, contrato de comodato com grupo de empresários paulistas

00:00 · 26.10.2014
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O empreendimento está desativado desde 2004. Grande parte do maquinário deverá passar por um processo de recuperação e modernização
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A meta é possibilitar um plano de revitalização da fábrica nos próximos dois anos ( Fotos: Elizângela Santos )

Juazeiro do Norte. O setor canavieiro da região do Cariri poderá ser reativado com a criação de nova empresa que será responsável pelo funcionamento da Usina Manoel Costa Filho, em Barbalha, a Golden Nordeste. Há mais de uma década desativada, nesta semana foi fechado contrato de comodato entre a Agência de Desenvolvimento do Ceará (Adece) e empresários de São Paulo, para cessão da Usina e gestão do grupo em 120 dias. Depois de várias empresas negociando a compra da usina com o Estado, que adquiriu o empreendimento em leilão por R$ 15,4 milhões há mais de um ano, esse foi o grupo que mais avançou nas negociações.

Empresários de São Paulo já chegaram a realizar pelo menos três visitas técnicas em Barbalha, para avaliar as condições de funcionamento do empreendimento, criado em 1973. Grande parte do maquinário deverá passar por um processo de recuperação e modernização. Conforme o regime de comodato, será feito levantamento técnico da usina durante quatro meses, para viabilizar a sua recuperação.

A meta é possibilitar um plano de revitalização da fábrica, para só então reiniciar a produção, principalmente de açúcar. Um dos problemas é que a matéria-prima praticamente deixou de ser produzida na região, para dar sustentabilidade à empresa. O presidente da Adece, Roberto Smith, disse que a meta é realizar investimentos na recuperação da usina e também incentivar o setor produtivo, por meio de parceria com o governo do Estado.

Otimismo

Há 15 dias, a equipe de São Paulo esteve em Barbalha. Pequenos produtores locais, a exemplo do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Francisco Pereira, se animam com a ideia de funcionamento da agroindústria.

Pereira destaca a necessidade de propiciar condições para pequenos produtores. Desde que a usina foi desativada, aconteceu uma saída em massa de trabalhadores de Barbalha para fazendas do Sul e Sudeste e até mesmo do interior da Bahia tem sido frequente. "O produtor vê essa possibilidade com alegria. Uma alternativa que, dando certo, fará com que os produtores permaneçam em sua terra", diz ele.

Nos últimos anos, houve grande redução do plantio de cana-de-açúcar no Cariri, gerando o fechamento da maioria dos engenhos. Atualmente são apenas dois em funcionamento, e Barbalha passou a contar, desde julho deste ano, com a Fábrica-Escola de Cana-de-Açúcar, para processamentos dos derivados do produto e possibilitar a formação de novos técnicos.

Funcionamento

A expectativa dos investidores é que a usina seja recuperada e volte a funcionar até 2016. Até lá, conforme estimativas, os investimentos na recuperação dos equipamentos poderão chegar a R$ 35 milhões.

Cerca de R$ 170 milhões serão investidos, incluindo o incentivo ao pequeno produtor. A Agência deverá concentrar 10% das ações do empreendimento.

FIQUE POR DENTRO

Equipamento teve seu auge na década de 1970

A Usina Manoel Costa Filho começou a operar em Barbalha em 1973 e paralisou suas atividades, no ano de 2004, com um grande passivo de dívidas com os funcionários. Muitos deles ainda não chegaram a receber os seus direitos, e outros, conforme o Sindicato dos Trabalhadores Rurais local, receberam parte da dívida. A meta é colocar a usina para funcionar em 2016, para a produção de até 600 toneladas de açúcar por ano, além de outros derivados da cana. A agroindústria chegou a representar na década de 80, auge da produção, cerca de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB), do Ceará. Implantada na região por Fernando Júlio Maranhão, por três décadas incentivou o cultivo e foi responsável por 4 mil empregos diretos e indiretos, 500 deles na usina, número que deverá ser reduzido pela metade com a modernização dos equipamentos. O declínio da Usina aconteceu também num momento em que houve maior restrição no plantio. Com isso, houve o favorecimento da migração do trabalhador rural para outros Estados.

Elizângela Santos
Colaboradora

Mais informações:
 
Escritório da Ematerce
Praça Filemon Teles, S/N Centro
Crato–CE
Telefone: (88) 3521.2835

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