Juazeiro do Norte e Crato

Comércio central vive esvaziamento

Segmento varejista de Juazeiro do Norte e Crato vivencia grande número de prédios comerciais fechados

00:00 · 14.02.2016 por Elizângela Santos - Colaboradora
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Locação dos imóveis é uma das maiores dificuldades para os comerciantes ( Fotos: Elizângela Santos )
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Os empreendimentos fechados são de diversos segmentos, desde confecção, calçados e importados aos setores automotivos e de móveis

Juazeiro do Norte. Tem chamado a atenção, nos últimos anos, a quantidade de estabelecimentos comerciais fechados nos centros das cidades de Crato e Juazeiro do Norte. A alta nos aluguéis e a nova realidade econômica estão entre as principais razões para as mudanças, segundo lojistas.

Isso tem estimulado uma forma diferenciada de atuação, com a migração de empreendimentos para outras áreas das cidades, como acontece na Terra do Padre Cícero, com o desenvolvimento urbano de áreas comerciais em bairros como Pirajá e Novo Juazeiro.

Em pontos da Rua São Pedro, onde se concentra a maior parte das lojas de Juazeiro do Norte, são dezenas de prédios fechados, principalmente próximo à linha férrea. Vendedores que atuam na área, onde há um predomínio de vendas de peças automotivas, afirmam que nunca viram tantos estabelecimentos fechados como atualmente. O local, antes, era bem mais movimentado.

Aluguéis altos

André dos Santos é um deles. Ele afirma que existe todo o contexto de crise, mas a maior justificativa é o alto preço do aluguel. "Há prédios pequenos que chegam a custar uns R$ 2 mil", afirma. E os valores vão aumentado, atingindo até mais de R$ 20 mil, a depender das instalações. Muitos reclamam dos aumentos exorbitantes e preferem buscar outras áreas.

As motivações podem ser diversas para o fechamento das lojas localizadas no Centro, mas a crise econômica tão propalada não é o principal motivo, segundo o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Juazeiro, Michel Araújo. Ele confirma, como próprio exemplo da realidade, que os altos custos dos lojistas com os aluguéis têm feito com que as pessoas busquem outras alternativas.

A maioria dos prédios da Rua São Pedro, no Centro, por exemplo, pertence a famílias mais tradicionais da cidade e, muitas vezes, preferem ter seus prédios fechados, caso não aluguem pelo preço que estabelecem.

Na hora de ajustar os aluguéis, segundo o lojista, os donos dos estabelecimentos não estão levando em conta o mercado. São poucos dispostos a negociar e acabam oferecendo os imóveis para aluguel a preços fora da realidade.

Michel Araújo detalha que cerca de 90% das lojas fechadas na Rua São Pedro não têm motivação ligada à crise, mas aos altos custos dos aluguéis. "Os proprietários cobram um preço muito acima do que o proprietário pode pagar", afirma.

Na sua avaliação, esse quadro é mais uma consequência da mudança do perfil do varejo na cidade; afinal, segundo ele, os patamares não têm sido aceitáveis, principalmente quando os donos desses prédios decidem aumentar os aluguéis. De acordo com o presidente da CDL de Juazeiro do Norte, há prédios comerciais fechados na cidade há mais de três anos.

Ele ratifica que existem proprietários que preferem deixar o local fechado a ter que alugar num valor mais em conta. "Se eles baixassem para um patamar aceitável, não haveria tantos prédios fechados na cidade", diz.

Os locatários acabam perdendo, conforme Michel, já que ficam sem receber o aluguel, havendo um estímulo para a descentralização do comércio. "É bom para a cidade e ruim para o proprietário", constata.

Portas fechadas

O gerente Claudionor Ramos afirma que há sete anos trabalha em comércio na Rua São Pedro, em Juazeiro do Norte, e nunca tinha visto tantas lojas fechadas como atualmente. O comerciante Humberto Calheiros chegou a contar até 13 prédios fechados apenas no quarteirão do seu comércio. Mas ele diz que há pessoas que estão buscando saída, como a redução dos preços dos aluguéis, para não continuarem com os estabelecimentos fechados por tanto tempo.

Os empreendimentos fechados são de diversos segmentos, desde confecção, calçados e importados, até os setores automotivos e de móveis. "É uma nova realidade que o comerciante tem que se adequar", diz o vendedor Antônio Bibiano Sobrinho, que possui experiência de mais de 20 anos no comércio de Juazeiro do Norte.

"Nunca vi tanta loja fechada nessa área do comércio", afirma. Uma das lojas da empresa em que trabalha já foi fechada e, na sua filial, seis pessoas foram dispensadas recentemente dos serviços. "Já cheguei a ganhar até dez salários", lembra.

O presidente da CDL do Crato, José Alves Lobo, ressalta que, se for realizada uma avaliação, pode-se dizer que essa realidade é fruto da crise econômica. Mas, por outro lado, comerciantes têm buscado alternativas de sobrevivência em outras atividades do setor. Conforme o presidente da CDL, a realidade poderia ser até pior, mas o empresário tem buscado formas de se manter, para não haver tanta demissão no segmento.

No fim do ano passado, foram poucas as contratações. Ele afirma que a queda nas vendas teve um índice em torno de 10%, tendo como base principal as pesquisas para vendas no comércio no período. "O empresário está sentindo isso muito fortemente", lamenta. Lobo diz que, na área gráfica, onde atua, houve uma redução de 50% dos serviços.

Em relação à ocupação de imóveis, Lobo observa que, nas ruas principais do Centro comercial do Crato, há pelo menos 12 estabelecimentos com placa para locação na fachada. Os preços dos aluguéis variam de R$ 3 mil a R$ 20 mil.

Mais informações:

CDL Crato - Rua: Teopisto Abath, 481, Centro - Fone: (88) 3586-9000 CDL Juazeiro do Norte - Rua

Padre Cícero, 576 - Centro

Fone: (88) 3512-2260

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