cultura

Centro Mestre Noza está com estrutura precária

Apesar da crise, artistas se mantêm no local, com a esperança de retomada do lugar para difusão da arte

00:00 · 03.05.2015
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O esvaziamento do equipamento é notado pela redução, também, de visitantes ( fotos: elizângela santos )
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O número de pessoas envolvidas com o centro cultural vem diminuindo com o passar do tempo. São 15 artesãos que diariamente trabalham no local e cerca de 120 associados. Já foi bem mais e aos poucos, o número de artistas se reduz

Juazeiro do Norte. Um dos mais representativos espaços de produção de artes do Ceará encontra-se com carência de melhorias para conservação do material produzido. Com peças ao relento sendo danificadas pela ação do tempo, os artesãos resistem com seus trabalhos, para sobreviver e manter o espaço. Trata-se do Centro de Cultura Popular Mestre Noza. São 15 artesãos que diariamente trabalham no local e cerca de 120 associados. Já foi bem mais, e, aos poucos, o número de artistas se reduz em meio a batalha pela sobrevivência, com outras alternativas mais viáveis financeiramente.

Pelo menos o artesão e presidente da Associação dos Artesãos do Padre Cícero, Adalberto Soares da Silva, Beto, diz que nos últimos anos não tem sido fácil sobreviver da arte. O centro cumpre importante papel no sentido de subsidiar muitas peças produzidas pelos artesãos, fazendo o repasse dos valores. São anos a fio trabalhando num espaço da rua São Luiz, que antes foi um quartel da cidade, no Centro, e até hoje não houve uma iniciativa do poder público em colaborar com a melhoria e oferecer um apoio maior aos artistas.

Segundo o presidente da associação, são mais de 40 mil esculturas no espaço, aguardando a recuperação, que significa um investimento a mais e tempo de trabalho. Ele lamenta a falta de interesse das instituições em dar um apoio ao espaço que, nos últimos anos, tem sofrido com a queda nas comercializações dos produtos, principalmente em tempos de crise econômica.

Para o artesão Aparecido Gonzaga Alves, o Din, o mercado para o exterior está mais restrito, e poucas pessoas de outros mercados internacionais têm vindo ao centro. Segundo ele, falta um incentivo maior para que haja mais divulgação em outras partes do Brasil e do mundo, já que é um espaço com projeção em vários países.

Recuperação

Um projeto do Ministério da Cultura vem sendo desenvolvido, por meio da parceria da Universidade Federal Fluminense (UFF), com a Universidade Federal do Cariri (UFCA), além do apoio da Urca, para promover a recuperação do espaço e dar maior visibilidade ao trabalho, além de possibilitar que novos artistas sejam formados.

Foi pensando a partir da recuperação das peças, que estão espalhadas pelo pátio. Seria uma forma de ensinar, segundo Beto, recuperando o trabalho dos artistas. Ele lamenta ainda não haver o espaço adequado e afirma que são muitas peças, mas que um bom trabalho vai divulgar mais ainda o centro, trazendo visitantes para o local.

O projeto com previsão de ser realizado no Cariri, na área de territórios criativos, inclui três projetos do Rio de Janeiro e esse na região do Cariri, com o Centro de Cultura Popular Mestre Noza, a gráfica Lira Nordestina, o Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, além da construção de um portal na internet para divulgar a história e o trabalho dos mestres de cultura da região.

O projeto vem tendo a coordenação no Cariri do professor e ex-secretário de Cultura de Juazeiro do Norte, Renato Dantas, que está realizando o trabalho de prospecção junto com os pesquisadores e corpo técnico das universidades. Ele disse que esse projeto irá proporcionar uma dinamização dos espaços, além de oferecer uma maior visibilidade. Até junho as ações do projeto deverão ser iniciadas.

A parte de museologia será planejada, nos projetos que envolvem o Caldeirão, a Lira e o Mestre Noza, com a finalidade de fortalecer a memória do espaço. Somente para o Mestre Noza foram levantadas, conforme o projeto, cerca de 16 ações, mas serão eleitas prioridades caso não dê para chegar a todas as metas.

Otimização

As oficinas estarão voltadas para jovens que queiram se tornar artesãos. Com a possibilidade de otimização do espaço, a partir da recuperação das peças, a meta é contar com o museu e também uma área para apresentações musicais. O projeto tem à frente o professor Leonardo Guelman, da UFF.

A equipe multidisciplinar que vem desenvolvendo o projeto conta com oito pessoas. Os recursos estão garantidos, para os quatro territórios no Ceará e também no Rio de Janeiro. Cartilhas serão editadas para os estudantes. O trabalho surge como uma esperança para os artesãos.

Mais informações:

Centro de Cultura Popular Mestre Noza
Antigo quartel Rua São Luiz, s/n -
Juazeiro do Norte
Telefone.: (88) 3511.3133

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