Centenário da beata Maria de Araújo já mobiliza estudiosos - Cariri Regional - Diário do Nordeste

religiosidade

Centenário da beata Maria de Araújo já mobiliza estudiosos

09.11.2013

A mística que morreu há quase 100 anos, e não tem um túmulo, é objeto de estudos, que se intensificarão em 2014

Juazeiro do Norte. Uma vida ainda envolta em mistérios, mas que passou a ser estudada em maior profundidade décadas depois de sua morte. A beata Maria de Araújo, protagonista do milagre do sangramento da hóstia ofertada pelo Padre Cícero, em 6 de março de 1889, poderá voltar a ser o assunto central de debates no próximo ano.

Imagem representa encontros sistemáticos da beata e o Padre Cícero fotos: Elizângela santos

Na ocasião, se dará o centenário de morte da beata, que viveu momentos dramáticos em sua vida, após o episódio, que mudou também a história da pequena vila do interior nordestino, cidade que passou a ser uma das mais prósperas do Nordeste, pela fama do padre milagreiro. Estudiosos defendem esse momento, para estudo da causa que transformou a cidade e ficou conhecido como um “fenômeno”.

O estudioso dos fatos ligados a Juazeiro do Norte e ao Padre Cícero, o escritor e jornalista, Geraldo Menezes Barbosa, acompanhou de perto a evolução da cidade, e, próximo de chegar aos 90 anos, afirma que esse é um momento em que o município deve render homenagens a uma das grandes personagens da história da cidade. Autor do livro “Relíquia, o Mistério do Sangue da Hóstia em Juazeiro do Norte”, ele afirma que o dia 17 de janeiro de 2014 marca os cem anos.

Expectativas

Mas uma das expectativas também está relacionada ao IV Simpósio Internacional sobre o Padre Cícero, que acontecerá em maio do próximo ano, com o tema “E...onde está ele?”. No evento será inserido nos debates, segundo os organizadores, o centenário da morte da beata Maria de Araújo.

Uma das integrantes da comissão organizadora, a professora mestre Maria do Carmo Pagan Forti, escreveu o livro “Maria do Juazeiro, a Beata do Milagre”, que desmistificou muitos pontos relacionados ao assunto, e trouxe a público, pela primeira vez, durante o I Simpósio Internacional sobre o Padre Cícero, o debate sobre a religiosa mística.

A mulher sem túmulo é pauta frequente dos artistas de Juazeiro do Norte. Durante o ano passado, foram espalhados vários cartazes na cidade, com o nome “Procura-se”. A imagem de uma mulher com a boca ensanguentada não deixava dúvidas de que o sumiço dos restos mortais ainda incomoda. O corpo chegou a ser sepultado em um túmulo branco, do lado direito, após a entrada na Capela do Socorro.

O Túmulo do Padre Cícero, está ao centro, no altar. Conforme Geraldo Barbosa, as visitas não cessavam no espaço. Passou a ser um local de visitação constante. Com o movimento, o bispo mandou fechar a igreja, segundo relata o escritor.

Na reabertura do local, veio a grande surpresa: o túmulo havia sido violado. “Do lado de fora foi encontrado um escapulário, pedaço de cabelo e restos de pano, das vestes da beata”, afirma Geraldo Barbosa. Para o escritor, Padre Cícero aceitou piedosamente a missão dele. Além disso, diz ele, o sacerdote teria recebido a presença de Jesus, para confirmar que Maria de Araújo veio para trazer a fortaleza da religião cristã para Juazeiro.

Os fenômenos do sangramento da hóstia aconteceram por dois anos. A partir de 1892, por ordem de Dom Joaquim, o bispo da época, a religiosa ficou segregada dentro de sua própria casa, sem poder receber visitas.
Era também, segundo Geraldo Barbosa, proibida de falar sobre as suas visões e estigmas. Passou por julgamentos, exames de cientistas, e não deixou de negar as suas convicções em relação ao sangue que expelia de sua boca, ser algo sobrenatural. Ela dizia conversar com Jesus.

Ao final de sua vida, a mulher negra, pobre, costureira, beata, ficava em sua casa nas proximidades de onde é hoje o consultório de Geraldo Barbosa, que também é odontólogo, no final da rua Padre Cícero, no Centro de Juazeiro, antiga rua do Arame.

Para ele, a história da beata foi interrompida, ficou envolta a um grande mistério. “Sabe-se que até o final de seus dias continuou sendo cuidada pelos sobrinhos, e recebia a visita do Padre Cícero”, finaliza. (ES)

Romarias elevam mística de Juazeiro do Norte

Juazeiro do Norte. Uma cidade que se tornou símbolo da religiosidade popular em todo o Brasil, encerrou no último dia 2 de novembro, a maior concentração de fiéis que acontece durante o ano, com a Romaria de Finados. Segundo a igreja, foram cerca de 600 mil pessoas que visitaram este município, durante o período. Nessa época do ano, as hospedagens dos romeiros se estendem não apenas para as pousadas, mas ranchos e hotéis no Centro da cidade e bairros, mas até os moradores alugam espaços nas próprias residências para a recepção dos fiéis do religioso Padre Cícero.

As grandes romarias são iniciadas a partir do segundo semestre. Por ano, chegam a atrair para a cidade, além das fases pouco movimentadas, mas consideradas de pequeno porte, cerca de 2 milhões de peregrinos, conforme estima o município

Por ano, as romarias chegam a atrair para a cidade, além das fases pouco movimentadas, mas consideradas romarias de pequeno porte, cerca de 2 milhões de peregrinos. Estes grandes eventos da cidade são iniciadas a partir do segundo semestre, com a festa da padroeira da cidade, Nossa Senhora das Dores.

É a mais festejada, em 15 dias de evento, com mais de 400 mil pessoas. Mas, antes disso, no mês de julho, a cidade já recebe milhares de peregrinos, para reverenciar Padre Cícero Romão Batista, durante o período de celebração da morte do religioso, ocorrida há 79 anos.

A Romaria de Nossa Senhora das Dores, a padroeira de Juazeiro do Norte, é a mais longa, em relação à de Finados, que dura em média quatro dias. A festa da Mãe das Dores culmina com a grande procissão, no dia 15 de setembro, com mais de 100 mil pessoas nas ruas, levando a imagem da santa em carro-andor. É considerada a segunda maior romaria do ano no município de Juazeiro do Norte.

Concentração

Há uma grande concentração de peregrinos vindos de Alagoas nesse período do ano, além de Pernambuco, interior do Ceará e outros Estados nordestinos. Na Romaria de Finados, os peregrinos escolhem como principais locais de visitação a Capela do Socorro, onde estão os restos mortais do Padre Cícero, e o Santuário dos Franciscanos.

A terceira grande romaria do ano, ocorre de 28 de janeiro e 2 de fevereiro. É a festa de Nossa Senhora das Candeias, com a tradicional procissão das velas, no dia 2. Consegue atrair para a cidade cerca de 300 mil romeiros a cada ano. Todos os participantes acendem velas e percorrem ruas do Centro do município de Juazeiro do Norte. (ES)


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