Combustíveis

Ceará retoma produção de álcool em duas usinas

Cariri II, em Ubajara, começa geração de etanol ainda neste ano. Cariri I, em Barbalha, inicia no próximo ano

00:00 · 22.02.2015
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Usina Cariri, em Barbalha, passa por modernização para ser reativada em 2016 ( Fotos: Elizângela Santos )
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Ainda está sem definição do montante que será gasto no funcionamento da agroindústria, embora se cogite num investimento de até R$ 170 milhões

Barbalha. O setor canavieiro no Estado do Ceará será reativado nos próximos dias, com o início da moagem para fabricação de álcool na Usina Cariri II, em Ubajara, a segunda unidade da Usina Cariri do Ceará. Adquirida por um grupo de empresários de vários Estados do Brasil, por cerca de R$ 24 milhões, a agroindústria é a segunda adquirida pelos empresários no Estado. A primeira foi a antiga Usina Manoel Costa Filho. A meta é produzir, neste ano, cerca de 6 milhões de litros de álcool e aumentar o consumo no Ceará, reduzindo o preço na bomba em até R$ 1,00.

Atualmente, grande parte do etanol consumido no Ceará é adquirida no Estado de São Paulo. Para o diretor comercial da agroindústria, Henrique Paulo Santana, este será o grande passo no qual os empresários apostam, por ter havido uma estagnação na produção do álcool e também do açúcar no Estado. Já no Município de Barbalha, onde se encontra a Usina Cariri, os empresários pretendem ocupar uma faixa de terra de 3 mil hectares, com o plantio de novos cultivares de cana clonadas. Os experimentos das mudas adaptadas ao clima e solo da região estão sendo feitos por meio da empresa BioClone, que atua na área da biotecnologia no Ceará.

Solenidade

No Cariri, a usina foi formalizada com a nova denominação há cerca dois meses, em solenidade realizada na própria Agroindústria. Com o fim do contrato de comodato de quatro meses com a Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), ela passará a ser uma sociedade anônima de capital fechado. Foi adquirida por meio de leilão pelo órgão estadual por R$ 15,4 milhões, na tentativa de reativar o setor, no fim do primeiro semestre de 2013. Por mais de um ano se tentou negociar a usina desativada no Cariri há mais de dez anos.

Uma solenidade chegou a ser realizada, em novembro do ano passado, para formalizar a nova empresa. No local, até o momento, foi realizada apenas limpeza e uma avaliação inicial do maquinário. Conforme o diretor, muito do que existe no local, em termos de equipamentos, será aproveitado e haverá grandes investimentos para o retorno do processamento da cana. Ele afirma que serão adquiridos materiais de ponta para que a usina volte a funcionar.

Ainda não foi realizado um levantamento para o montante que será gasto no funcionamento da agroindústria. Inicialmente, o próprio governo falava num investimento de até R$ 170 milhões. Até o momento, o que se pretende é dinamizar a cultura da cana, com plantio em áreas da região. Há a perspectiva de mobilização, por meio de empregos diretos e indiretos, de cerca de 3 mil pequenos produtores. A ideia é também ocupar, por meio de arrendamentos de pequenas áreas, 2,5 mil ha, além dos 3 mil adquiridos pela própria usina.

Tecnologia

Serão mais um ano e dois meses pela frente de cultivo da cana até que haja o produto para a moagem. Para isso, segundo Henrique, haverá um trabalho conjunto de profissionais experientes da região com o uso da tecnologia de ponta para a produtividade avançar. Ele disse que há muito que ser feito pela frente. Os antigos funcionários da usina estão sendo consultados, no sentido de propiciar um andamento mais eficaz das atividades.

A meta é finalizar, ainda neste semestre, a fase burocrática para o fechamento das negociações da usina junto ao governo do Estado. A Cariri II, antiga Usina São Francisco, será liquidada num período de 25 meses, mas já começa a funcionar, com emprego de mão-de-obra local.

De acordo com Henrique, os novos investidores do setor canavieiro são usineiros e empresários de outros setores, de São Paulo e Estados do Brasil. Segundo ele, se detectou uma deficiência de álcool no Nordeste e, principalmente, a desativação do setor no Ceará. "Houve um momento de paralisação, mas agora entra com 10 anos na frente", aposta o empresário.

Mesmo com o quadro de seca enfrentado no Ceará e no Nordeste brasileiro e a perspectiva de funcionamento do Cinturão das Águas, com a Transposição do Rio São Francisco, previsto para o fim deste ano, o diretor comercial admite que o planejamento, neste momento, está focado na mecanização agrícola e na irrigação. Seriam os meios mais seguros para garantir as primeiras safras. O início da nova fase de produção de álcool no Estado será com lançamento oficial nos próximos dias. A produção deverá entrar no mercado já reduzindo o preço do álcool.

Elizângela Santos
Colaboradora

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