Incêndios

CE reduz focos totais em 50%

00:00 · 04.10.2015
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Os brigadistas se utilizam de ferramentas como facões, foices, enxadas e pás para construir trincheiras na mata e minimizar a força das chamas

Barbalha. Apesar de haver registro na intensificação de incêndio na região do Cariri, o Ceará já detém uma redução no número de ocorrência. Isso ocorre mesmo em período de seca. A constatação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio), a partir de avaliações de registros por satélite, é que houve uma redução em quase 50% nos números de focos, a partir de uma análise feita desde 2008, em que foram registrados 1.350.

>100 hectares destruídos em 3 dias 

Em 2014, esse número chegou a 774. No Ceará, o Município que mais teve focos foi Araripe, com 203 ano passado, seguido de Campos Sales, com 107. Mas ainda não se tem uma ideia do que esteja causando o fogo especialmente nessas localidades. De acordo com o chefe do ICMbio, Paulo Maier, a situação do fogo na unidade vem sendo acompanhada por meio das imagens de satélite pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e até sensores térmicos, que detectam no solo mudanças de temperaturas, mesmo com erros nessas avaliações. Muitas vezes não chegam a detectar focos pequenos. São supervisionados mais de um milhão de hectares, nos Estados do Ceará, Pernambuco e Piauí.

Contrassenso

"O que a gente tem visto no último período é que o número de focos está diminuindo e parece um contrassenso, pelo avanço do período de secas", explica. De acordo com uma análise preliminar de um trabalho que vem sendo desenvolvido pelos técnicos dos órgãos ambientais, Paulo diz que estão avaliando todas as unidades estaduais e federais que estão na Caatinga, no Ceará, cruzando os dados relacionados à área plantada, e cabeças de animais (exceto aves e suínos), como bovinos, caprinos e equinos. Se imaginava que uma possível explicação seria de menos áreas plantadas e menor quantidade de animais, onde haveria também reduzida quantidade de broca e fogo nas áreas.

Quando os dados foram cruzados, viu-se um aumento da área plantada e do gado, e por isso não existe uma relação entre essas duas coisas. "Não sabemos explicar o que está acontecendo", afirma.

O chefe do ICMbio explica que o registro da maior quantidade de focos de calor nas áreas de Araripe e Campos Sales, no Ceará, pode ser em função do cultivo maior de mandioca, onde o sistema de replantio é baseado na broca e queima.

Municípios

A queda nos focos de calor veio a partir de 2008. Nos boletins são avaliados o fogo na APA e todos os municípios que compõem a área. No Cariri, por exemplo, há técnicas que podem ser utilizadas para o solo sem uso do fogo e, conforme Paulo, é importante que se dissemine.

O monitoramento vem sendo feito desde 2006, mas os registros vieram dois anos depois. O que se imagina, de acordo com as informações de Paulo Maier, em relação a uma tentativa de explicar a redução dos focos, são os ganhos relativos na área ambiental, com as várias campanhas e a prática da agricultura ecológica, mesmo sem ter ainda uma grande dimensão, investimentos em algumas regiões para o preparo do solo, entre outras ações que contribuem para isso, além da fiscalização.

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