cultura

Canto e som de Geraldo Júnior ecoam na Europa

Artista realiza turnês em cinco países do Velho Continente, devendo permanecer por período de um mês

00:00 · 14.06.2015
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Cantor revela no palco a forte influência da musicalidade nordestina ( FOTO: ELIZÂNGELA SANTOS )

Juazeiro do Norte. Um caririense sai pelo mundo 'à la Belchior'. Isso mesmo, ele se diz um rapaz latino-americano e sem dinheiro no banco, parafraseando o compositor cearense. Após um momento emocionante vivenciado em sua carreira, ontem à noite, ao fazer parte de um show com um leque de homenagens, incluindo os 50 anos de Maria Bethânia, 70 anos da Feira de São Cristóvão e os 450 anos do Rio de Janeiro, no Centro de Tradições Nordestinas Luiz Gonzaga, Geraldo Júnior embarca hoje para uma turnê de shows pela Europa e passará por cinco países. O cantor e instrumentista comemora a nova fase de sua vida, levando a música de forte influência nordestina, além de buscar elementos para dialogar com os tons digitais e eletrônico.

Será um mês realizando apresentações pela Europa, a partir do Festival 'Ai que Bom', em Bruxelas. O cantor percorrerá a Inglaterra, Alemanha, França, Bélgica e Suíça. Nesse trajeto, ele passará pelos lugares apresentando o som mais tradicional nordestino, que denomina forró de raiz, fugindo do formato já comercial do chamado forró-pé de-serra.

Geraldo Júnior também fará um som mais próximo do seu novo trabalho, que parte da música tradicional, mas que agora, além de tudo, dialoga com tons modernos do 'high tec'.

Versátil

Também compositor, o músico há alguns anos decidiu se embrenhar pelo grande espaço de aprendizado que é o mundo. De vez em quando a saudade o traz para o Cariri, e nos shows, melhor ainda. A versatilidade do artista vem de longe. Dos trabalhos que desenvolveu na região, sua proximidade é com a cultura tradicional local, onde desenvolveu seus estudos

O rock, MPB e os grupos de adolescência fazem parte da execução das notas musicais iniciais. A sua inserção nas bandas Zabumbeiros Cariris e Dr. Raiz trazem respostas para uma trajetória musical, em que o artista trata com respeito os amigos músicos dessas formações. "Devo muito do meu aprendizado aos meus amigos que fizeram parte desses grupos. Um salve para o meu eterno parceiro Dudé Casado, que está com o seu trabalho a todo vapor, disco lançado e um novo sendo preparado, além de Beto Lemos, que contribuiu enormemente para o meu trabalho", lembra.

Essa não é a primeira vez que Geraldo Júnior faz apresentação em solo europeu. Da primeira vez esteve durante a Mostra Sesc Luso-Brasileira de Culturas, mas a passagem pelo país foi rápida, em virtude de agenda de shows no Brasil. Agora, o período vai ser mais extenso. A temporada acontece de 13 de junho a 13de julho. Em Londres serão três apresentações; Paris, duas. Os shows começam por Munique, no dia 16. O segundo acontece em solo francês, dia 19, com mais uma apresentação no dia 7 de julho. O encerramento da turnê será no dia 11 de julho, em Bruxelas.

A felicidade está estampada na face do cantor. Ele afirma que tem acontecido muita coisa bonita em sua carreira. "São várias propostas, participação em shows de amigos, grandes artistas, várias conexões através da música independente. Tenho muito orgulho em representar um pouco dessa nossa música cearense, nordestina e brasileira por aí pelo mundo", afirma. O 'Ai que Bom' é um dos maiores festivais da Europa. A sua produção aproveitou o momento para fechar as outras apresentações, possibilitando o circuito, com apoios como o da Maracatu Brasil, do baterista Guto Goffi, um dos grandes parceiros no Rio de Janeiro.

Os ensaios dos músicos estiveram a mil nos últimos meses, não apenas para as apresentações fora do Brasil, mas no retorno, já que a agenda tem sido um frenesi para o grupo.

Na Europa, Geraldo Júnior vai cantar, tocar flauta, percussão, e utilizará o IPad e o computador como instrumento e efeitos. Ele vai estar acompanhado por Roberto Kauffmam (sanfona e vocal); Igor Conde (zabumba, percussão, vocal e produção); e Mariana Bittencourt (percussão, vocal e produção).

Desafio

O músico avalia o momento de grande expressão de sua carreira, em outros espaços musicais, além de uma etapa de muita responsabilidade para com o seu público.

Ao mesmo tempo, afirma ter a sorte de poder contar com um time de grandes músicos. Falar de dificuldade, falta de investimentos na área da cultura, para ele é quase redundante, mas tem percorrido diversas paragens.

Foram cinco anos no Rio de Janeiro, lutando por espaços, e agora em São Paulo, somam-se dois. Só por referência mesmo, porque Geraldo não tem parado nos últimos anos, em lugar algum. Seu mundo é onde o público está. E ele segue estrada fazendo a 'Terreirada Cearense', agora mensal no Rio e Janeiro e em São Paulo.

"Na realidade, ainda penso que não estou morando fora do Ceará. Só decidi passar um tempo fora, por conta da necessidade de expansão de trabalho", afirma. Essa forma de liberdade para encarar o universo da música está na alma do cantor.

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