Escoamento das águas

Buraqueira e lama aumentam com mais chuvas e ausência de drenagem

Mesmo com chuvas sem muita intensidade, aumentam os transtornos com a infraestrutura da Cidade

22:00 · 28.02.2015 / atualizado às 00:00 · 01.03.2015
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A sinalização improvisada pelos moradores busca evitar acidentes nas vias ( Fotos: Elizângela Santos )
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A falta de calçamento e, sobretudo, de drenagem, é verificada em vários pontos da Cidade. Nos bairros São José, Tiradentes, Lagoa Seca, Triângulo e João Cabral é comum os moradores passarem por problemas por falta de saneamento e drenagem

Juazeiro do Norte A preocupação dos moradores deste Município aumenta na medida em que as chuvas se intensificam no Cariri cearense, com mais buracos e possibilidade de alagamentos em áreas onde a situação é recorrente. Nos bairros São José, Tiradentes, Lagoa Seca, Triângulo e João Cabral, em Juazeiro do Norte, é comum os moradores passarem por problemas em virtude da infraestrutura precária das localidades.

Neste período há até iniciativas das comunidades de sinalizar áreas para que não ocorram acidentes e busca de soluções, que não são as ideais, em muitos casos, para evitar tragédias.

É o que acontece com moradores da Rua Antônio Torres de Melo, no bairro São José. Comerciantes também se sentem prejudicados, por não terem seus estabelecimentos preservados de chuvas, como a que ocorreu há pouco mais de um mês, de 20 milímetros, e foi responsável pelo alagamento na área.

O local fica por trás do supermercado da rede de Atacadão. Quando o prédio foi construído na localidade faltou ser realizada obra de drenagem. O resultado tem sido constantes alagamentos numa área de intenso tráfego de veículos. Carros já chegaram a ser praticamente coberto pelas águas no local.

Danos

Uma das soluções encontradas pelos moradores foi cavar buracos nos muros da rede de supermercado, para permitirem que a água escoe. Mesmo sendo novamente consertado pelos administradores do Atacadão, moradores continuam a fazer novas aberturas, temendo que fiquem no prejuízo por conta da forma, que eles consideram inadequada, como foi erguida a edificação no local. Os moradores afirmam que acabaram pagando as consequências.

Para o comerciante Alan Emanoel Figueiredo, há dois anos no local, é lamentável que se chegue ao ponto de buscar alternativas de pessoas cavarem buracos no muro. Ele disse que há dois anos tem sofrido com a situação e já teve o seu estabelecimento invadido pelas águas. Tanto que tratou de construir o que chama de comportas, para impedir a passagem das águas.

Associação

O seu estabelecimento fica num dos pontos de maior risco. "Todos os dias coloco essas placas para evitar surpresas desagradáveis no dia seguinte", afirma Alan, que não conta os prejuízos que já teve.

Por conta dos problemas relacionados aos alagamentos e da falta de infraestrutura, os moradores decidiram criar uma associação. Mas ficou apenas no papel, já que a comunidade se desestimulou com as reivindicações junto ao poder público e o problema e, principalmente, a solução, esbarrarem nas promessas. O crescimento rápido da Cidade e sem o planejamento adequado, segundo o secretário de Infraestrutura, Rógeris Macedo, acabou sendo o grande responsável pelos problemas que Juazeiro do Norte vem enfrentando.

Segundo ele, está sendo realizado um levantamento, no Município, dos pontos que necessitarão de drenagem, para que sejam feitos os projetos. Outros estão sendo encaminhados para licitação. Ele disse que será iniciada uma operação para tapar os buracos em toda Cidade, mas não divulgou ainda a data por conta do processo estar em andamento. Atualmente já há projetos sendo licitados de drenagem em alguns bairros, como o Pio XII, Salesiano, Lagoa Seca, Planalto e Triângulo. Rógeris disse que entre 30 e 45 dias esses trabalhos já devem ser iniciados pela Prefeitura.

No que diz respeito às obras relacionadas aos calçamentos recentes, algumas vêm sendo realizadas por conta do decreto de estado de emergência na Cidade, pelo prefeito Raimundo Macedo. De acordo com o secretário, os levantamentos estão sendo realizados em toda Cidade, para que os serviços sejam efetuados dentro da maior brevidade de tempo.

Queixas

As paredes estão com as marcas das chuvas ainda do ano passado e chegam a cerca de um metro. A casa foi invadida pela lama e os cuidados para pelo menos prevenir uma situação semelhante já foram tomados. Mas não é o suficiente para a moradora Francisca Gomes de Oliveira, que tem sua casa no lugar onde, nos últimos anos, foi o mais afetado com as chuvas. Ela disse que não suporta mais tanto descaso e promessas da administração pública.

"Até parece que não temos prefeito na Cidade. O cidadão fica abandonado", diz dona de casa Jordana Jaciele Bernardo Feitosa. Ela disse que o começo do inverno representa um período em que fica assustada. Está totalmente desacreditada que o poder possa resolver a situação do seu bairro. Nas proximidades do local, uma rua se encontra parcialmente destruída e moradores com dificuldades até de entrar na própria residência.

No bairro Tiradentes, o representante comercial José Marques Maciel afirma que chegou a se formar uma lagoa na rua em que mora, na Raimoldo Bender, ainda incluindo as ruas Coronel José Xandu com a Rua Santo Amâncio. Além de conviver com o esgoto a céu aberto, houve uma grande lagoa que se formou e o mato nas proximidades. Uma das vizinhas de Maciel afirma que não suporta mais o descaso e até cobras já encontrou dentro de casa, por conta da situação em que se encontra a rua onde reside. (E. S.)

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