Problemas e soluções

Audiência Pública debate romarias

Encontro de lideranças, realizado na Câmara Municipal, defendeu melhor acolhimento durante datas religiosas

00:00 · 26.10.2014
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A Romaria de Finados é uma das maiores concentrações de fiéis em Juazeiro do Norte, com grande fluxo de visitantes no túmulo do Padre Cícero
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A reunião contou com lideranças públicas e da Igreja Católica ( Fotos: Mirelly Moraes )

Juazeiro do Norte. Uma audiência pública realizada na Câmara de Vereadores discutiu os principais problemas enfrentados nas romarias do município, no último dia 21. Vereadores, secretários municipais, Polícia Militar, representantes da Igreja Católica, entidades de classe, sociedade civil, buscaram sugestões para solucionar as questões de transporte, trânsito, segurança, estacionamento, alojamentos, Centro de Apoio aos Romeiros, abastecimento de água, escuridão nas ruas, estrutura nos locais de visitação.

Mas, o principal debate girou em torno da receptividade aos visitantes, que para a coordenadora de romarias da Diocese do Crato, irmã Anette Dumoulin, é precária. Segundo a irmã, o romeiro é mal recebido e sofre humilhações desde o trajeto para Juazeiro, quando tem sido perseguido e destratado pela Polícia Rodoviária, até as visitas aos principais pontos turísticos do município onde vem sendo constantemente explorado.

"É vergonhoso ver a exploração do romeiro aqui em Juazeiro, que seja nos ranchos ou no comércio. Não era assim que Padre Cícero recebia os romeiros", lamenta a religiosa. O Padre Joaquim Cláudio, da Basílica de Nossa Senhora das Dores, comenta que na última romaria alguns estacionamentos estavam sendo cobrados a R$ 50 reais. Como disse, essa exploração afasta os visitantes.

O vereador Darlan Lobo destacou um requerimento feito na Casa no mês de setembro por ocasião da última romaria quando solicitou do poder público municipal, providências para a situação das proximidades do Centro de Apoio aos Romeiros. Segundo ele, ao passar pelo local pode ver estacionados ali mais de 500 ônibus de romeiros em meio ao lixo e na mais completa escuridão.

Políticas

O que falta, segundo o professor José Carlos dos Santos, membro da Comissão Diocesana de Romarias, são políticas públicas permanentes para os romeiros. Para o vereador Glêdson Bezerra, sem atuação do Estado, não vai ser possível realizar as políticas públicas necessárias, mesmo que o município cumpra com toda a sua parte, pois a população dobra durante as quatro grandes movimentações religiosas. Segundo ele, não há como estruturar a máquina para tais eventos, sem uma espécie de força-tarefa do Estado e até União.

Fausto Cardozo, da Associação dos romeiros de Murici, em Alagoas, já trouxe para Juazeiro mais de três mil romeiros, mas comenta que hoje tem diminuído o número de visitantes, por conta dos altos preços cobrados pela comida e pelos ranchos. Na sua avaliação, custos mais baixos representariam numa atração maior dos fiéis aos principais locais de visitação, o que aumentaria ainda mais a economia local e das cidades vizinhas.

Ordenamento

O Capitão da Polícia Militar de Juazeiro, Valdenor Agra, explica que é preciso haver o ordenamento dos espaços públicos para que a Polícia possa garantir segurança. E, isso tudo é um trabalho conjunto, do Poder municipal, da Polícia, do Comércio e das pessoas de uma forma geral. "Que o amor pela cidade se transforme em ação, pois as melhorias dependem de cada um".

Uma das principais medidas em defesa dos romeiros vem sendo a questão da liberação do transporte por meio dos caminhões pau-de-arara. Segundo a Irmã Anette, o transporte pau-de-arara foi liberado pela Resolução 82 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) para fins de Romarias. Mas, como a Lei deixa brechas, pois libera o transporte, ma, limita a viagens interestaduais, os romeiros têm sido alvos de constantes humilhações.

Sugestões

Do jeito que está, lembra a irmã Anette, torna-se difícil receber bem os grupos católicos. "A lei é impossível de ser cumprida, pois limita a viagens dentro dos Estados", diz. De acordo com ela, a Comissão Diocesana de Romaria trabalha há um ano e já foi duas vezes à Brasília, na Polícia Rodoviária Federal, que passou passando a responsabilidade para o Dnit. "Foi um jogo de empurra-empurra, mas graças a nossa teimosia, a legislação vai ser mudada e a resolução tem que ser coerente, permitindo a licença para viagens para que os motoristas não sejam parados e humilhados", defende.

A criação de uma comissão de assistência permanente, restaurante popular e alojamentos com cozinhas, onde os romeiros possam preparar suas próprias refeições, um posto de saúde provisório de atendimento foram algumas das propostas sugeridas para resolver as questões. Ofícios serão encaminhados à Secretaria da Presidência da República para que haja um posicionamento quanto à questão da Resolução do Contran.

Mirelly Moraes
Colaboradora

Mais informações:
 
Câmara de Vereadores de Juazeiro do Norte
Rua do Cruzeiro, 217
Palácio Dr. Floro Bartolomeu
Telefone: (88) 3511.1976

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