Arte

Artista inova com uso de materiais inusitados

Tecelão e artesão, o juazeirense Alexandre Heberte participou da Mostra Sesc de Culturas, em novembro passado

00:00 · 07.12.2014
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Heberte usa materiais inusitados, como arame, fitas VHS, entre outros
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O artista teve a ideia de usar as fitas do Padre Cícero para elaborar peças de tapeçaria e até tecidos, com o uso do tear ( Fotos: Elizângela Santos )

Juazeiro do Norte. Seu trabalho tem sido destaque nas passarelas e evocado um novo estilo de tecer em formas até tridimensionais e com materiais sustentáveis. O tecelão juazeirense, atualmente residindo em São Paulo, há dez anos tem contribuído com um novo estilo na confecção artística, no processo de produção de tecidos artesanais. Alexandre Heberte além de inspirar estilistas renomados, como João Pimenta, recentemente teve suas peças publicadas no Catálogo Brasileiro de Estilistas 2014/2015. Também teve trabalhos na final do 27º Prêmio de Design do Museu da Casa Brasileira, um dos mais antigos de design do Brasil.

Mesmo distante do Cariri há uma década, Alexandre não esconde a sua alegria de poder comemorar os 10 anos de atividade na área da tecelagem artística na região, expondo suas peças em Crato.

No início de novembro, apresentou o seu trabalho no Município, durante a Mostra Sesc de Culturas. O comum não faz parte do seu trabalho. Heberte busca novas linhas de atuação na sua área, na perspectiva do novo. O trabalho de pesquisa ao longo dos anos tem sido intenso. Tanto que as rendeiras, bordadeiras e pescadores são inspiração para o artista, que já chegou a permanecer por períodos prolongados hospedado nas colônias para se inspirar em novas criações. Na exposição, ele fez questão de demonstrar o processo de confecção das peças, além de despertar para o processo criativo da tecelagem.

Alexandre se inspira na religiosidade, na Caatinga, no Sertão. Teve a ideia de usar as fitas do Padre Cícero para confeccionar tapetes e tecidos, com o uso do tear. Foi mais além, e dentro de uma visão de sustentabilidade, inovou com as fitas VHS e outros materiais.

Para ele, tem sido uma alegria poder demonstrar o seu trabalho para os jovens, tão influenciados pela tecnologia. Hebert não deixa de defender o moderno, o atemporal. As escolhas para a exposição no Cariri estiveram desde os materiais relacionados aos seus primeiros trabalhos e com peças premiadas, a exemplo do tridimensional 'Assum Preto', que se inclui numa categoria de arte em tecelagem e chama a atenção pelo resgate de um tipo de produção que acontece e foi amplamente trabalhado desde os anos 60 e 90. "É legal a gente poder mostrar um trabalho com ineditismo", comemora o artista.

Pesquisa

Outra peça interessante, que se estendeu pela exposição, foi a Primavera Agreste, em que o artista reinventa a forma de elaborar com tessituras diferenciadas, utilizando o arame, sisal, entre outros artigos, construindo flores e destacando o colorido nos tons pastéis. Nesse trabalho ele quis unir a pesquisa de tipologias de artesanatos feitos na região, mas que também coloca o seu trabalho pessoal.

O artista juazeirense comemorou o momento de visibilidade do seu trabalho, com as peças artísticas e produtos de decoração de interiores. Nesse momento uma das suas artes criativas é finalista do 4º Prêmio do Objeto do Museu a Casa. "Estive com a peça em exposição, no museu. É muito bacana saber que, pela primeira vez, realizei uma mostra do meu trabalho no Cariri e estar em outro paralelo, em São Paulo", frisa. (E.S)

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