Movimento Zoom

Arte usada para a conscientização

Dentre as ações desenvolvidas pelo grupo, a pintura de árvores na pista de rolamento se destaca

00:00 · 28.12.2014
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Os jovens pintaram as sombras das árvores que não mais existem, num protesto silencioso

Barbalha. Estudantes universitários de diversas áreas profissionais estão se unindo neste Município para, por meio da apresentação de imagens, discutir junto à sociedade as demandas ainda presentes em setores distintos da comunidade. O grupo, formado por cerca de 13 jovens, entre homens e mulheres, integra o Movimento Zoom de Arte Urbana, criado há cerca de um mês.

Dentre as ações desenvolvidas pelo grupo, a pintura de árvores na pista de rolamento de algumas ruas onde plantas foram cortadas por moradores é a que mais tem chamado a atenção da população. Os desenhos, que possuem a finalidade de representar uma espécie de "sombra" das árvores que já não mais existem no local, são vistos como alerta à necessidade da preservação do meio ambiente na cidade.

Além das questões alusivas à preservação do verde no Município, o grupo também articula a discussão de melhorias a serem efetivadas no setor social, como o surgimento de moradores de rua em logradouros públicos da Cidade, por exemplo, bem como a atual concepção de gestão pública e dos organismos políticos atuantes em Barbalha.

Conforme o fotógrafo Ras Luna, um dos fundadores do Movimento Zoom de Arte Urbana, as discussões propostas pelo grupo, além de estimular uma maior conscientização da sociedade no que se refere à própria participação popular no oferecimento de ideias e sugestões que possam resultar em melhoria da qualidade de vida, também proporcionam certa valorização das riquezas locais, encontradas tanto na essência cultural de Barbalha, como também na colaboração de visitantes que acabaram se instalando de forma definitiva no Município.

"O objetivo não é apenas valorizar a cultura arquitetônica encontrada nas edificações do chamado Centro Histórico. Também não significa, somente, gerar mecanismos de apoiamento e valorização da cultura desenvolvida pelos grupos de tradição existentes. O objetivo principal é o de valorizar, sobretudo a história da própria população local".

Para tanto, conforme o fotógrafo, uma exposição de imagens está sendo produzida com a finalidade de que o cotidiano da população possa ser contado por meio de fotografias. "A intenção é apresentar um pouco do cotidiano de pessoas comuns, muitas vezes anônimos que também oferecem sua contribuição na construção do município de Barbalha", observou.

O trabalho, que ainda não possui data para ser apresentado, segundo Ras Luna, não difere das ações desenvolvidas pelo Movimento na defesa da ampliação das políticas ambientais no município. "A pintura da sombra das árvores nas ruas, no nosso entendimento, leva a população a refletir os motivos pelos quais há o aumento da temperatura, o porquê da falta de chuvas, dentre outras interrogações que necessitam ser respondidas".

O trabalho que o Movimento pretende desenvolver enfoca diversos segmentos sociais, bem como busca provocar o debate entorno de toda e qualquer demanda cujos atendimentos ainda não foram percebidos pela sociedade. "Uma dessas demandas, inclusive, é o aumento no número de moradores de rua observado na Cidade. Os chamados "invisíveis" precisam ser apresentados ao restante da população. É direito desse cidadão também ser retirado da obscuridade", ressaltou.

Acadêmica do curso de Engenharia de Materiais da Universidade Federal do Cariri (UFCA), a estudante Fiama Vieira, que também faz parte do Movimento, reiterou que a criação do grupo surgiu da necessidade de reflexões em torno das deficiências vividas no município de Barbalha. O corte das árvores de calçadas, conforme observou a universitária, foi apenas uma das muitas situações que precisam ser debatidas. "Nós queremos, agora, abrir um canal de diálogo com a gestão municipal, no sentido de que também possamos contribuir, por meio de ideias e sugestões, com a diminuição dos problemas que a Cidade ainda atravessa", disse.

A secretária de Meio Ambiente do Município, Poliana Silva Coimbra Cruz, avaliou como importante o surgimento de um movimento popular que também discuta questões ligadas à preservação do ecossistema existente em Barbalha. No entanto, na opinião da secretária, o grupo deveria, num primeiro momento, ter buscado apoio do poder público local. "Não havia conhecimento em torno da existência deste Movimento. Nenhum dos membros desse grupo procurou a Prefeitura para solicitar apoio a qualquer reivindicação. Seria importante que essa procura acontecesse", frisou.

Poliana Cruz informou que cidadãos que desejam realizar o corte de árvores que crescem defronte às suas residências precisam solicitar autorização da Secretaria para efetivar a extração da planta. "Há casos em que as raízes da árvore acabam destruindo tubulações, azulejos e, até mesmo, paredes. Nestas situações, o cidadão assina um termo solicitando o corte da árvore, que só será autorizada após a realização de uma visitação por um dos nossos técnicos. No entanto, ainda existem os cortes ilegais. Estamos trabalhando para combater esta prática".

Replantio

Ela informou, ainda, que o Município tem apoiado o replantio em caso de corte de árvores de calçadas em regiões afastadas do Centro. "Nós indicamos que haja compensações. Se alguém cortar uma árvore, que outra seja plantada. Em vários locais essa proposta já vem encontrando bons resultados", ressaltou, destacando que o tipo de árvore mais comum em Barbalha é o nim indiano e frutíferas como goiabeiras e mangueiras.

Mais informações

Prefeitura Municipal de Barbalha
Rua Princesa Izabel, 187
Centro
Telefone (88) 3532-2116

Roberto Crispim
Colaborador

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