UNIVERSIDADES PARADAS

Ainda sem data para fim da greve

Movimento paredista da Urca chega ao quarto mês, com prejuízos ao desempenho do quadro acadêmico

00:00 · 11.01.2015
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O comando de greve se reuniu, mas as negociações não avançaram
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O movimento paredista requer, além de melhorias salariais para seus quadros, concurso público e melhoria das instalações para a administração dos cursos oferecidos pela universidade estadual ( Fotos: Mirelly Morais )

Crato. Ficou para a próxima terça-feira, a decisão sobre o encerramento da greve na Universidade Regional do Cariri (Urca). Em reunião realizada na última quinta-feira, o comando de greve elaborou uma pauta de encaminhamentos para votação em Assembleia. Lá, a categoria decidirá se retorna às atividades.

O Comando de greve, que esteve reunido com o governador Camilo Santana durante esta semana, considera esse início de negociação uma conquista e, com algumas reivindicações prometidas, sinalizam a volta às atividades. Além da Urca, Uece e Ueva também estão em greve. Cerca de 40 mil estudantes das três Universidades Estaduais estão sem aula.

O governo do Estado anunciou a realização de concurso para 249 vagas para professores efetivos, distribuídas entre as três universidades estaduais, a Universidade Estadual do Ceará (Uece) que receberá o maior número de vagas, sendo 120 do total. A Universidade Regional do Cariri (Urca) que ficará com 62 vagas e a Universidade Vale do Acaraú (UVA) que deve ser contemplada com 67 vagas. Outro compromisso assumido pelo governador foi a nomeação dos 26 professores da Urca, já aprovados em concurso.

Prejuízos

A Urca já está paralisada há quatro meses, prejudicando toda a classe acadêmica, sem contar que já tinham sido realizadas outras paralisações durante o ano.

De acordo com o professor Fábio Rodrigues, representante do Comando de Greve, a Urca, na verdade, deu continuidade à greve iniciada no fim de 2013. "Não estamos em uma segunda greve, mas em um segundo momento de um movimento iniciado em 2013 e que apenas foi suspenso por um período". Ele afirma que as demandas que não foram atendidas pelo ex-governador Cid Gomes, ao longo de todo este tempo, acumulando problemas e provocando essa retomada.

Mas, ainda segundo o professor Fábio, o momento é de vitória. "Reconhecemos que é um momento de conquista para toda a categoria, tanto servidores, como professores, como para os alunos, pois pelo menos o novo governador recebeu a categoria que antes não era nem recebida pelo ex-governador Cid Gomes", salientou.

Segundo o professor Augusto Nobre, presidente do Sindicato dos Docentes da Urca (Sindurca) considerando que o movimento obteve algumas vitórias com o governo, mesmo que ainda não seja o ideal, ele entende que as propostas devem ser levadas para conhecimento de todos e decidido pela categoria de forma geral.

O professor alerta que, caso a categoria não aceite as propostas apresentadas, e se for para dar continuidade ao movimento paredista, eles ainda tem fôlego. "Se for para continuar a greve, a gente continua", confirma.

Diferenças

De acordo com os grevistas, as realidades diferem em cada Departamento e um dos que se encontram em situação mais crítica é o de Artes, que, segundo os professores, mesmo que as aulas retornem não há condições de o Departamento funcionar da forma como se encontra.

A estudante do curso de Artes, Indiara Moraes pensa, inclusive, em desistir por conta do tempo que considera perdido e das incertezas com relação ao seu curso. "Como sou de outro município, tenho muita despesa para estudar na Faculdade. Moro de aluguel e tive que entregar o apartamento durante este período de greve, pois não tinha como manter uma despesa sem nem ter certeza de quando as aulas voltariam. Voltei para minha cidade e não sei se retornarei para a Urca", lamenta a universitária.

Pleitos

A reitora Otonite Cortez se diz confiante na volta das atividades acadêmicas e garante que a Urca está pronta para retornar as aulas, mas os professores e alunos discordam.

As reivindicações dos grevistas são a realização imediata de concurso público para o cargo de professor efetivo, que já foi anunciado pelo governo, a regulamentação do Plano de Cargos, Carreira e Vencimentos, a equiparação salarial dos professores substitutos com os efetivos, destinação orçamentária constitucional, na forma percentual das receitas tributárias, às universidades estaduais cearenses, política de assistência estudantil e, ainda, a realização de concurso para servidores dos técnico-administrativos (M.M)

Mais informações:

Universidade Regional do Cariri
Rua: Cel. Antônio Luiz, 1161 Pimenta
Crato
Telefone: (88) 3102-1212

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