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Vida (nada) longa do capacete

Embora seja classificado como bem durável, não são apenas as quedas que implicam a substituição do produto

Por dentro: cortado ao meio é possível ver a composição do capacete em casco exterior, isopor (casco interior de poliestireno expansível) e o forro. Ainda é possível ver a cinta jugular encaixada
00:00 · 02.07.2018 por Camila Marcelo - Repórter

A durabilidade do capacete deve ser analisada para além do casco. Embora não tenha uma validade atribuída ao produto, a recomendação para um motociclista assíduo no trânsito, o qual roda bastante, é fazer a substituição a cada três anos.

A estrutura pode estar visualmente impecável, sem nenhum arranhão, mas ainda assim é recomendado a troca. Afinal, fora o seu exterior, o tempo de vida está relacionado também com a conservação do casco interno.

O mais conhecido é o isopor, ou em palavras maiores é o poliestireno expansível. Junto à estrutura externa, ele é responsável pela absorção de impactos e tem a composição igual em todos os capacetes. No entanto, a densidade está diretamente ligada com a qualidade do produto.

Em uma linha mais popular, que custa até R$ 150 geralmente, a densidade da espuma costuma ser menor, para o custo da produção ser mais baixo. Assim, o isopor reage mais rápido com a exposição ao vento, umidade, poeira e suor. Ele enruga, baixando sua compactação, podendo se movimentar, e não oferece mais a mesma segurança que antes. Nesse caso, a recomendação é ficar somente um ano com o produto. É o que afirma Amauri Dias, consultor de desenvolvimento de equipamentos a motociclistas.

"O intermediário baixo, que custa em média entre R$ 150 e R$ 300, com certeza tem qualidade e segurança para durar no mínimo dois anos. Do intermediário aos tops de linha, se recomenda o uso por até três anos. Nenhum capacete deve ser utilizado por mais que isso, porque automaticamente o isopor (berço estendido) certamente já perdeu a ação, pelos mesmos motivos anteriores: umidade, poeira, vento e suor", completa.

E se o isopor é apenas encaixado entre o forro e casco externo, então pode só trocá-lo? Nesse caso, nada de substituições. "Ele não é vendido isoladamente, o capacete tem que ser montado por especialista, o qual é a fábrica", explica. E o mesmo vale após uma queda.

Em uma queda principalmente acima de 1,20m, seja por acidente de trânsito ou por deslize ao derrubar da motocicleta, por exemplo, não há como saber se houve danos ou não. Aparentemente, por fora, pode estar perfeito, mas dentro o isopor ter se deslocado. Já que ele é só calçado, não é colado ou fixo. E estar fora da posição original, não garante a mesma segurança de fábrica. "É claro que na prática se a pessoa acabou de comprar um capacete e deixou cair de uma mesa alta, é muito difícil que ela compre outro produto, por causa dos gastos", ressalta.

Dessa forma, não existe limite de quedas. Caiu, trocou. Sendo acidente de trânsito, a orientação fica mais enfática.

E uma curiosidade: o barulho ouvido ao usar o capacete não significa estrutura danificada. A origem, segundo Amauri, é capacete inadequado, seja por estar em tamanho maior que a cabeça ou pelo produto ser diferente da sua proposta de uso.

"Um usuário de moto de alta cilindrada que compra um capacete modular (também conhecido como escamoteável, articulado ou Robocop), terá muito barulho interno. Esse estilo é para uso urbano, não pode ser utilizado em rodovias com velocidades superior a 110km/h, independente da marca", pontua.

Para alta velocidade, de acordo com Amauri, o motociclista deve usar um capacete fechado, sem recorrer aos modelos com os óculos de sol (visor interno), pois o seu sistema de fixação se movimenta em altas velocidades e provoca barulho em excesso internamente. Já quem pilota apenas na cidade, qualquer estilo é válido: podendo ser modular, fechado ou aberto.

Cuidados

Com o uso natural do capacete, há desgaste do isopor. Não tem como fugir. Mas, para garantir a longa vida, a recomendação é limpar o forro. É preciso remover para lavar com cuidado, com sabão neutro, sem centrifugar na máquina de lavar, e secando à sombra. "Independente do cuidado que tiver com o produto, com o seu uso, o isopor vai encolhendo, enrugando, e diminui a sua proteção. Por isso, conservar mais do que três anos é impossível", completa.

No armário

Aos motociclistas somente de fim de semana ou que se dedicam às duas rodas poucas vezes ao ano, para realizar uma longa viagem, a "validade" pode estender um pouco mais.

Com menos exposição às intempéries diárias, como poeira, umidade, vento e suor, logo o isopor fica mais preservado. Mas, é preciso ter cuidado na forma de armazenamento e para evitar que ele caia acidentalmente enquanto não é utilizado também.

"Recomendamos três anos se a pessoa usar o capacete diariamente. Se poucas vezes na semana, precisa observar o estado do capacete. Vai da análise de cada um observar o estado de conservação do produto", destaca.

Outras partes

Capacete

Escondido: ao retirar o forro do produto é possível ver o isopor escondido ao fundo. Ele não é colado ou fixo ao capacete, é apenas encaixado. E não pode ser trocado. Se houver danos ou longo tempo de uso, é preciso comprar um novo capacete. 

Capacete

Danos: pequenas avarias ou o simples deslocamento do isopor no interior do capacete pode prejudicar a sua função de proteção. Por isso, depois de qualquer queda ou acidente, a recomendação é trocar o produto.

Capacete

Certificado: o selo de confirmação da conformidade do Inmetro ou etiqueta interna com a sua logomarca (podendo estar afixada no sistema de retenção) é exigida durante a fiscalização.

Capacete

Lavar: o forro que encobre o isopor pode ser retirado, lavado com sabão neutro, sem centrifugar na máquina de lavar, e secado à sombra, para manter o capacete em perfeito estado de uso.

Fique por dentro

Como é feita a fiscalização?

Segundo orienta a resolução 453, de 26 de setembro de 2013, do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), as autoridades de trânsito ou seus agentes precisam ver se o capacete é certificado pelo Inmetro, devendo constar selo de identificação da conformidade ou etiqueta interna com a logomarca do Inmetro, especificada na norma NBR7471, podendo ser afixada no sistema de retenção.

Um detalhe: segundo a resolução 680, de 25 de julho de 2017, a qual altera o parágrafo único da 453, reforça que o produto deve estar certificado por organismo acreditado pelo Inmetro e acrescenta que capacetes com numeração superior a 64 estão dispensados dessa certificação compulsória quando adquiridos por pessoa física no exterior.

Além disso, deve ser observado o estado de conservação do capacete, buscando danos que indiquem inadequação ao uso. É ainda analisado se ele contém os dispositivos retrorrefletivos obrigatórios de segurança nas laterais e traseira.

Quanto ao uso, é visto se o motociclista está com a viseira baixa ou usando os óculos de proteção, sendo proibido o uso de óculos de sol, óculos corretivos ou de segurança do trabalho em vez aos de proteção. E o capacete também precisa estar devidamente afixado à cabeça pelo conjunto formado pela cinta jugular e engate, por debaixo do maxilar inferior.

 

A não conformidade em nenhum desses itens está enquadrada no artigo 244 do Código de Trânsito. É infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e 7 pontos na carteira. Ainda está prevista a suspensão do direito de dirigir e o recolhimento do documento de habilitação, como medida administrativa.

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