Seminovos buscam consumidores - Auto - Diário do Nordeste

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Seminovos buscam consumidores

07.08.2013

Semestre favorável aos seminovos, mesmo com financiamento restrito e os resquícios de desconto do IPI

A balança de vendas dos automóveis não estava equilibrada no último ano. Com a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), os zero quilômetros ficaram cada vez mais atraentes. Em contrapartida, os seminovos estavam no canto, esquecidos.

Feirões ajudaram a manter alta nas vendas, mesmo assim, lojas de carro fecharam no Brasil


"O mercado vem em um processo de ajuste. Ele tende sempre ao equilíbrio, mas quando vem uma interferência externa, como a redução do IPI ou qualquer outro fator exógeno, isso o afeta e ele demora para se ajustar. Cada intervenção pode ajudar pontualmente determinado problema, mas gera problemas em alguma parte da cadeia. O IPI foi um benefício forte para o carro novo, porém atrapalhou os usados, com um tempo atrapalhou até o de novos porque as pessoas têm dificuldade de se desfazer dos seus usados para ir ao novo. Quanto menos interferência externa para o mercado se autorregular, melhor. A diminuição de tributos é bom, mas se o governo tivesse uma política de médio e longo prazo de redução de carga tributária seria excelente se fosse diluída no tempo, para não causar mais impactos", explica Everton Fernandes, diretor do Sindicato dos Revendedores de Veículos do Ceará (Sindivel).

Resultado disso é que junho não foi o melhor mês para a venda de seminovos no Ceará, apresentou redução de 12,9% comparado a maio, mas, ainda assim, o acumulado de janeiro ao mês passado deste ano foi maior do que no mesmo período do ano passado.

Somando todas as categorias de veículos, foram 165.148 contra 149.253, o que representa um crescimento de 10,6%. Só no item carros foi um total de 71.794 contra 66.616, aumento de 7,8%.

Esses valores colocarão o Estado em primeiro lugar entre os do Nordeste no mês de junho e em terceiro com relação ao acumulado, ficando atrás apenas de Pernambuco (180.012) e da Bahia (169.950).

Durante a época de ouro do preço reduzido do carro zero, uma das ferramentas que não deixou as revendedoras perderem o encanto por completo foram os feirões, os quais mantiveram o foco na redução dos preços e não somente na facilidade e rapidez de financiamento. Infelizmente, não foram todas lojas que resistiram a essa fase. "Em nível de Brasil, nós tivemos algumas lojas que fecharam nesse período de dois anos para cá, foram cerca de 4 mil lojas que saíram do mercado, não conseguiram se adaptar", acrescenta Everton.

Nos últimos meses, um dos fatores que trouxe os seminovos novamente para um saldo positivo foi a percepção dos motoristas em investir em um usado mais completo, mais potente e, por vezes, mais luxuoso, do que comprar um básico novo 1.0 por uma diferença pequena.

As financeiras continuam rígidas, exigindo cerca de 30% a 50% de entrada e sendo mais exigentes na aprovação. Tudo para evitar a inadimplência. Todavia, embora a taxa de inadimplência ainda esteja alta para o aceitável - o primeiro semestre fechou com 5,6% -, a aprovação de crédito está maior do que nos últimos anos.

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CAMILA MARCELO
REPÓRTER


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