ENTREVISTA COM MARCO SILVA

Presidente fala sobre futuro da Nissan nos próximos anos

Com exclusividade para o Ceará, o Auto participou de mesa redonda com a marca para saber o que ela reserva aos próximos dois anos

00:00 · 06.08.2018
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Marco Silva, presidente da Nissan do Brasil

Qual a capacidade de produção da fábrica no Brasil?

A máxima é de 160 mil instalada, sem investimentos. Para os 200 mil é preciso um pequeno investimento. Este ano usamos cerca de 110 mil, não temos o terceiro turno (desde julho de 2017 atuam apenas com dois). Estamos estudando duas possibilidades: abrimos um terceiro turno e fazemos 160 mil unidades ou a gente faz um investimento, continua com os dois turnos, e aumenta a disponibilidade de veículo. Nesse momento, colocamos um investimento adicional, tanto é que a planta de Resende era 50% de produção de Kicks e 50% de March e Versa e agora estamos aumentando a capacidade do SUV.

Este é um investimento novo?

É um novo dentro de um pacote que nós aprovamos para os próximos dois anos. A gente está no processo, não terminamos ainda, de um plano de investimentos para cinco anos. Está com 80% fechado e, dentro disso, conseguimos antecipar, tanto é que já garantiram (a verba) para o aumento da capacidade da planta. Serão por volta de US$ 40 milhões. Já começamos a aplicar para melhorar a flexibilização da planta, que era um ponto importante para nós.

Este ano já cresce a produção?

Ano contra ano nós vamos crescer 20% a 25% No lançamento do Kicks no ano passado, a gente não teve a produção completa. Por isso que ano contra ano é cerca de 25%. Nossa participação vem crescendo e o mercado brasileiro ainda é uma incógnita, mas a gente acredita em crescimento de 12% de crescimento ano contra ano.

O Leaf chega quando?

A gente vai colocar no Salão do Automóvel de São Paulo, agora em novembro. A ideia é que ele chegue entre primeiro e segundo trimestre do próximo ano. A disponibilização do carro para o Brasil está garantida, mas existe uma demanda muito grande pelo Leaf nos três principais mercados que a gente tem: Europa, Estados Unidos e Japão. Então, hoje existe restrição de capacidade de produção a nível mundial pela demanda.

Onde ele é produzido?

É fabricado na Inglaterra, nos Estados Unidos e no Japão. O que vem para cá provavelmente será da Inglaterra. Hoje não há escala para produzir um carro elétrico no País, eu sei que tem algumas montadoras entrando nessa discussão, mas para Nissan, não.

Tem demanda?

A demanda a gente acredita. A gente já tem um número. Não chega a fila, mas a sondagem que nós temos é grande. Agora, não sei se isso vai ser uma demanda das pessoas mudarem completamente da compra do carro a combustão para o elétrico. Existe um mercado hoje cativo para o elétrico? Com certeza. A gente acredita que isso vem de uma forma sem volta.

O Leaf teve algum benefício pelo programa Rota 2030?

Não sei qual das três (faixas de eficiência elétrica) se adequará. Estamos em dúvida ainda, precisamos entender daquele que vamos trazer ao País como ele irá se adequar. Ele (o imposto) estará entre 7 e 9%. Antes era 25%, era enorme. A redução é gigantesca. Isso foi uma correção da distorção que existia na tabela de IPI onde o elétrico era maior que a combustão.

Haverá lojas específicas para a venda do Leaf?

A gente está estudando porque vai pela questão da demanda, que em todas as grandes cidades existe. Hoje são 170 concessionárias. A gente sabe que não é assim que vai começar o mercado (com 1 unidade no mínimo em cada uma das lojas). Ele está mais concentrado em grandes centros.

Quais são os maiores entraves do elétrico?

Com relação à alíquota, eu diria que não existe mais nada. O mercado é interessante, é isso que vai ditar o futuro. Se você consegue pôr um preço competitivo, a dirigibilidade do elétrico é diferente de um a combustão e o prazer de dirigir é infinitamente maior que um a combustão. Nesses países (EUA, Japão e os da Europa), eles não estão comprando só pela questão ecológica, mas pelo prazer de dirigir também. É essa a evolução do mercado. Você coloca uma imposição como os níveis de emissões, de terem de diminuir, depois se cria uma lei e em seguida o mercado move para "queremos, não precisa nem mais ter lei". O mercado tende a mudar. O Brasil vai ser em velocidade diferente da Europa? Certamente. Até porque nós temos também um combustível limpo que é o etanol, tem o tamanho do País e você pode falar que "não há vários os lugares de recarga", então tem vários fatores aí.

O Sedan é um segmento complicado em se competir, não seria melhorar concentrar os esforços em SUV?

Sinceramente, essa é uma das grandes possibilidades que nós temos, pela questão da competitividade dos nossos produtos principalmente. SUV é a nossa área, a nossa praia. A questão de ter um utilitário um pouco maior que o Kicks é o que estamos olhando. Tem dólar, paralisação, projeções de indústria reduzem. Então, a gente precisa ter muita certeza com relação a colocar um produto que tenha continuidade.

Tem algum produto que seja mais rápido e viável de trazer nesse segmento?

Se você olhar a nossa linha de SUVs, a gama é grande. Tem desde o Juke, Qashqai, X-Trail, Murano, o próprio Kicks, Pathfinder. Nós já trouxemos todos esses veículos no passado, alguns com presença de marca muito forte. Tem o novo X-Terra, que está na China, baseado na Frontier. Então, opções existem. Agora, queremos ser precisos na tomada de decisão, não queremos trazer o carro e depois o dólar disparar. Se a gente coloca um veículo, para tirar depois, deixa o cliente desassistido. Isso não vamos fazer.

O que vocês pretendem? Dá para trazer carros de outros lugares além do México?

O segmento de SUV é grande. Não vamos querer diversificar tanto o nosso mercado, daquilo que sabemos fazer, e trazer um carro adequado ao consumidor nosso, que já começou a se acostumar com a marca. Nós estamos resgatando a marca. Com uma produção local, isso ganha muito com relação a credibilidade. Nós estamos colocando US$ 600 milhões na Argentina e também no Brasil porque acreditamos no mercado.

A área da fábrica está sendo dividida com a Renault e Mercedes, o que essa parceira está voltada a outros produtos?

Isso é uma aliança estratégica, que já foi definida no passado junto com a Daimler, detentora da marca Mercedes, e com a Renault, para aproveitar uma plataforma e fazer vários produtos em cima dessa plataforma. Então, é o que chamamos de "ganhar-ganhar" dentro desse mercado. A gente ganha em escala, todos ganham com esse investimento para atender ao mercado, no nosso caso o brasileiro e argentino.

Salão de São Paulo terá a Frontier da Argentina e o que mais a marca reserva?

Terão várias novidades. Nós estamos trabalhando, estive revisando todo o plano do Salão e vai ser um espetáculo. O estande vai ter muita coisa bacana.

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