Antigomobilismo

Placa preta: o grande objetivo do colecionador

Processo é rígido, mas garante ao proprietário possuir um veículo reconhecidamente valioso e raro

O presidente do Museu do Automóvel do Ceará, Magno Câmara, representa uma das cinco entidades cearenses que podem fazer a vistoria em veículos e solicitar a certificação à Federação Nacional de Veículos Antigos ( Fotos: Bruno Gomes )
00:00 · 25.09.2017
A Resolução nº 56, de 21 de maio de 1998, disciplina a identificação e emplacamento dos veículos de coleção, conforme dispõe o art. 97 do Código de Trânsito Brasileiro
O Museu do Automóvel exige a filiação mínima de um ano para o associado poder dar início ao processo de avaliação para certificação de colecionador
Com a placa preta, o veículo ganha em valor por ser considerado autêntico, raro e original, estando apto a desfilar pelas ruas ou ser exposto em eventos

 A placa preta é um dos maiores objetivos de quem se determina a colecionar carros antigos. O item, de acordo com o presidente do Museu do Automóvel do Ceará, Magno Câmara, é um "atestado" de originalidade. "A maioria dos carros do Museu tem placa preta", disse.

A Federação Brasileira de Veículos Antigos (FBVA) é quem tem a responsabilidade de emitir os certificados de originalidade aos clubes e entidades antigomobilistas, que por sua vez, repassam aos donos dos carros.

"No nosso caso, o Museu do Automóvel é cadastrado na FBVA, a gente faz parte. Existem regras de originalidade, existe uma comissão de associados que avalia o veículo. Então, mandamos a documentação do carro, com álbum fotográfico, para a sede da Federação Brasileira, e eles dão autorização, junto com o Museu, para o carro conseguir a placa preta. Aí, depois, o proprietário dá entrada no Detran", explicou Magno Câmara.

As regras para obter a certificação são claras e rígidas. A Resolução nº 56, de 21 de maio de 1998, disciplina a identificação e emplacamento dos veículos de coleção, conforme dispõe o art. 97 do Código de Trânsito Brasileiro. O texto diz que "São considerados veículos de coleção aqueles que atenderem, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I - ter sido fabricado há mais de vinte anos; II - conservar suas características originais de fabricação; III - integrar uma coleção; IV - apresentar Certificado de Originalidade, reconhecido pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran)".

O primeiro ponto foi alterado pela Portaria nº 28 - de 26 de Novembro de 1998, de forma que a partir de então o veículo precisa ter sido fabricado há mais de trinta anos para poder pleitear a placa preta junto aos órgãos oficiais.

"Com a placa preta, o proprietário acaba tendo um certificado que o carro dele é 100% original. No mercado de veículos antigos, ele tem ali uma certidão que coloca o carro no rol de originalidade. Para alguns, isso valoriza bastante. Para quem coleciona, com certeza, tem um real valor", apontou o presidente do Museu.

O processo para obter o certificado não é fácil. Primeiro, o proprietário precisa se filiar em algum clube de colecionadores que seja associado à FBVA. Isto o fará pertencer a uma coleção, exigência constante nas regras para obter a placa preta. O Museu do Automóvel, por exemplo, exige a filiação mínima de um ano para poder dar início ao processo de avaliação. Uma comissão formada por membros do próprio clube, então, vistoria o veículo e autoriza ou não a dar seguimento. A próxima etapa é enviar o veredicto, com provas em documentos e imagens, à Federação, que pode endossar ou não o pedido. "Se estiver tudo dentro das regras, a FBVA manda um documento dizendo que o veículo tem a originalidade e pode então ir no Detran, tirar a placa preta", disse.

O processo todo, desde a avaliação inicial dos membros do clube, até o envio da resposta da Federação, leva cerca de 60 dias, explicou Câmara.

"O associado paga uma taxa hoje, equivalente a três mensalidades, para poder dar entrada no processo. A mensalidade hoje custa R$ 200. Como temos de pagar uma taxa à Federação, a gente cobra as duas juntas, dando em torno de R$ 600", informou Magno Câmara.

Clubes

De acordo com o site da Federação Brasileira de Veículos Antigos, o Brasil possui o total de 199 clubes cadastrados, que podem fazer o pedido de certificação de originalidade de carros antigos.

O Sudeste possui 92 clubes, sendo 62 apenas em São Paulo, o Estado brasileiro com maior número de entidades. A Região Sul tem 74; o Centro-Oeste, 10 clubes e a Região Norte tem apenas um.

A Região Nordeste é contemplada com 22 clubes, sendo o Estado da Bahia o que abriga o maior número, seis.

O Ceará sedia cinco clubes cadastrados: o Clube do Fusca e do Automóvel Antigo de Sobral; o Clube de Autos e Clássicos Dr. Floro Bartolomeu de Juazeiro do Norte; Club do Automóvel Cariri Siqueira Campos, no Crato; Puma Clube do Brasil, em Fortaleza; e o Veteran Car Club - Clube de Automóveis Antigos do Ceará, presidido por Magno Câmara.

Regras

Para ser considerado veículo de coleção:

I - ter sido fabricado há mais de trinta anos

II - conservar suas características originais de fabricação

III - integrar uma coleção

IV - apresentar Certificado de Originalidade, reconhecido pelo Departamento Nacional de Trânsito

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