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Pirelli aposta na indústria 4.0 em sua fábrica na Bahia

O Auto foi conhecer de perto as novidades em tecnologias da fábrica e saber os próximos investimentos da marca

Controle Inspirado na F1, o "Cockpit Capitano" foi criado na Bahia ( Fotos: Divulgação )
00:00 · 02.04.2018 por Camila Marcelo* - Repórter
Construída em 1976 e ampliada em 2003 (e de propriedade da Pirelli desde 1986), a fábrica em Feira de Santana é a unidade mais recente da marca na América Latina
Ainda não implantado completamente, os óculos virtuais projetam o maquinário da fábrica para futuro treinamento dos funcionários e também para auxiliar na manutenção dos equipamentos, inclusive com instruções em tempo real

Sem revelar muito, deixando um gostinho de quero mais aos visitantes, a Pirelli abriu as portas da fábrica em Feira de Santana, na Bahia, e mostrou as novidades na linha de produção aplicando o conceito de indústria 4.0.

Durante o passeio, o grande destaque foi o "Cockpit Capitano", que foi implantado primeiramente como protótipo nesta planta e futuramente será montado nas outras 18 unidades da marca pelo mundo. Trata-se de uma estação de controle de toda a produção em tempo real, inspirada no painel utilizado pelas equipes de Fórmula 1. Composta por diversos monitores, por meio dela é possível acompanhar todas as fases do processo produtivo e seguir com a sua função principal: gerenciar prioridades e aumentar a velocidade na tomada de decisões.

Maquinário

Mais que reunir dados, a modernidade também está nos detalhes da confecção. É o caso da Pirelli Twin Screw Mixing, que forma os compostos utilizados na elaboração do pneu.

Esta é a máquina mais high tech do complexo e, com ela, a fábrica está apta a fazer itens de alta performance nos moldes das mais modernas unidades da marca, com um processo que proporciona menor gasto de energia por quilo de composto produzido.

Dentre as vantagens do seu uso está a redução dos tempos de volta em pista aos carros de competição e significativa melhora no desempenho em piso molhado aos pneus verdes, os quais colaboram com a economia de combustível e a menor emissão de CO2.

Com a cortadeira, a Pirelli tem trabalhado em análises estatísticas com o intuito de prevenir possíveis quebras. A sua função é realizar corte da cintura do pneu, camada localizada abaixo da banda de rodagem e que tem atuação direta no desempenho. Ela emprega no equipamento tecnologia digital, a qual realiza rápido controle da condição de produção e ainda se autorregula.

Já a confeccionadora, onde os componentes são montados todos dentro dela, é composta de sensores e câmeras que medem e regulam as suas operações. No seu interior, forma-se a configuração final do pneu, porém em estado "cru". Neste estágio, está em estado plástico, ou seja, a borracha ainda é maleável. Em seguida, na vulcanização, a borracha toma o estado elástico e o molde confere a forma final de um pneu como conhecemos no veículo.

Para completar, testada antes em Milão (Itália), há menos de um mês está ativa também a impressora 3D, para produzir ferramentas em minutos ou poucas horas, dependendo do tamanho e da complexidade da peça, as quais levariam meses para serem compradas. E ainda em fase de teste estão os óculos de realidade virtual.

Visualizando o maquinário, será possível fazer treinamento dos funcionários para operação e manutenção dos equipamentos, inclusive com instrução em tempo real de especialistas durante o conserto, para evitar a espera e ainda o gasto de trazer alguém de fora.

Investimento

A adequação a esse novo formato é fruto de um investimento nos últimos quatro anos de 250 milhões de euros, mais de R$ 1 bilhão, na América Latina. E mesmo sendo a unidade mais recente da marca na região, assumida em 1986 pela Pirelli, Feira de Santana transformou-se no seu primeiro polo tecnológico 4.0 da América Latina, com novos processos digitalizados e o uso de tecnologias avançadas.

Porém, não acabaram os investimentos, uma nova fase se inicia agora. Mais 250 milhões de euros serão distribuídos às suas plantas na América Latina até 2020 para dar segmento à modernização das instalações e ao desenvolvimento do segmento High Value, que engloba os pneus Prestigie, New Premium, Specialties e Super Specialties (ver quadro), também por meio da parcial conversão da produção Standard em High Value.

Esta conversão ocorrerá entre 2018 e 2020 e representará cerca de 20% da capacidade High Value da região até o final de 2020. Os investimentos permitirão satisfazer a demanda por esses pneus, tanto dos mercados locais como, em particular, da área Nafta (bloco econômico formado por Canadá, México e pelos Estados Unidos), na qual o País representa uma das fontes integradas de fornecimento.

No Brasil, o projeto do High Value teve início em 2016. A primeira parte dele foi desenvolvida principalmente em Feira de Santana e agora seguirá para Campinas. Aqui, esse segmento é representado pela produção de todos os tipos, com exceção dos Prestige e Velo.

A Pirelli quer crescer nessa categoria de performance. Em 2017, o segmento High Value representou 57,5% das receitas da marca no mundo, o objetivo é atingir 63% até 2020.

Pneus high value

Prestige: projetados em parceria com as montadoras que fazem parte desse segmento, que compreende tradicionalmente montadoras como Ferrari, Lamborghini, Maserati, Bentley, Bugatti, Rolls Royce, Porsche, Aston Martin, McLaren e Pagani, com homologação específica

New Premium: antes pneus igual ou superior a 17", com o "new" vem a mudança da definição para 18". Esse segmento tradicionalmente engloba montadoras como BMW, Mercedes, Audi, Alfa Romeo, Infiniti, Jaguar, Land Rover, Lexus, Lincoln, Acura, Cadillac e Volvo

Specialties e Super Specialties: pneus para qualquer tipo de carro de passeio, independente da medida, com alta capacidade tecnológica, que correspondem as exigências de aplicação específicas (por exemplo, Runflat) ou de personalização pelo consumidor final (por exemplo, os pneus Color Edition)

Premium Moto: pneus para moto de alta cilindrada

*A repórter viajou a Feira de Santana (BA) a convite da Pirelli

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