Mercado automobilístico

SUVs caem no gosto dos brasileiros e superam até carros compactos

Sucesso há décadas nos Estados Unidos, mercado de SUVs no Brasil cresce todo mês, tem um no Top 10 e já conseguiu superar até mercado de compactos

08:33 · 12.10.2017 / atualizado às 09:53 · 13.10.2017 por André Marinho - Editor do Auto
O mercado brasileiro de veículos chegou em 2017 a uma situação inédita: a venda de utilitários esportivos, conhecidos pela sigla SUV, superou pela primeira vez o consumo de carros de entrada, que estão entre os mais baratos. No começo do ano - de janeiro a abril, os SUVs alcançaram 21,4% do mercado de automóveis, contra 17,5% em igual período de 2016, segundo dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).
 
Dos 20 carros mais vendidos do Brasil, cinco são SUVs, ou seja 25%.  Renault Kwid, um SUV compacto, ficou em segundo lugar em setembro; Jeep Compass, em décimo lugar; Honda HR-V em 15º lugar, Hyundai Creta em 17º e Nissan Kicks em 18º
 
É bem verdade que com a leve retomada da economia e a chegada de novos compactos como o Fiat Argo e o Renault Kwid essa situação já se equilibrou, mas os SUVs continuam a ser a “cereja do bolo” das montadoras. Vou explicar as razões.
 
Características do SUV
 
Mas antes, amigo, se você não sabe, explico o que significa a sigla SUV: Veículo Utilitário Esportivo, em inglês Sport Utility Vehicle. No livro Dicionário Ilustrado do Carro, do jornalista veterano Bob Sharp, no item Utilitário Esportivo está a seguinte definição: “concebido mais para lazer que para trabalho pesado, com capacidade para trafegar fora da estrada, tanto pela grande distância mínima do solo quanto pela tração nas quatro rodas, geralmente temporária. A carroceria de dois volumes acomoda de cinco a sete passageiros, com grande capacidade no compartimento de bagagem.”
 
Nem sempre os SUVs têm tração 4x4, aliás, no Brasil grande parte dos SUVs são urbanos. É um segmento que todas as marcas estão de olho. SUVs grandes faz tempo que existem no Brasil, mas no caso de SUVs compactos, por alguns anos as vendas foram dominadas pela Ford, com o EcoSport, primeiro carro nacional dessa categoria, lançado em 2003. De lá para cá, Honda lançou o HR-V, depois a Jeep o Renegade, em seguida a Hyundai com o Creta, Jeep de novo com o Compass, Honda de novo com o WR-V... A lista é grande. General Motors, Volkswagem, Toyota e até mesmo Fiat estudam produção local de SUVs pequenos. 
 
Há quatro anos, quando as vendas de veículos bateram recorde no Brasil, este segmento representava apenas 8,9%. Os carros de entrada, por sua vez, fizeram o caminho inverso. Em 2012, tinham a maior fatia do mercado, com 31,3% do total. Hoje, no acumulado de 2017, são 20,7%. 
 
Em 2013, quando a indústria automotiva atingiu a produção de 3,8 milhões de unidades, o segmento de SUVs compactos representava 5%. Mesmo com a queda da produção, que ano passado chegou à faixa de 2 milhões, conseguiu chegar a 13%. Os SUVs médios e grandes, como Tucson e ASX, tiveram crescimento menor, ficando na faixa de 7%. 
 
A virada começou a se desenhar em 2015, por meio de dois movimentos. De um lado, a alta do desemprego e a menor oferta de crédito por parte dos bancos reduziram a chance dos mais pobres de obterem financiamento para adquirir um carro zero. Do outro, as montadoras, percebendo que só os mais ricos continuariam com poder de compra, concentraram seus esforços no lançamento de veículos que pudessem agradar a este público, dando preferência aos SUVs.
 
Atrativos
 
Praticidade e agilidade são dois pontos que têm atraído o consumidor dos compactos. "As nossas pesquisas mostram que os clientes buscam design e espaço interno para a família e para a bagagem. O tamanho dos compactos também atrai pela praticidade de mobilidade, uma vez que os espaços para estacionamento estão cada vez menores", comenta Juliana Fukuda, gerente de marketing da Nissan. 
 
Mas é no usuário comum que temos as respostas de tanto sucesso. “Como tenho dois filho, é com um SUV que minha esposa fica tranquila, se sente segura, tem espaço de sobra e visibilidade para dirigir bem”, garante Francisco Evilásio Coutinho, que tem dois SUVs na garagem - um SUV Compass de seu uso pessoal e outro Honda HR-V de sua esposa. “Um SUV une o melhor de dois mundos: conforto e espaço de sedan, com grande bagageiro, e desempenho e robustez de uma picape, com suspensão reforçada e altura elevada do solo para enfrentar buracos, alagamentos e situações de risco”, garante. Com esse depoimento fica fácil de entender, né?

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