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Carros mais caros? Alta do dólar deve aumentar em até 8% preço final

A GM foi a primeira a anunciar reajuste da tabela. Além dos automóveis novos, acessórios, peças e serviços ligados a produtos importados devem sofrer aumentos

Onix segue como mais financiado no Brasil ( Divulgação )
12:39 · 13.06.2018 / atualizado às 13:38
Diante do novo cenário, GM reduziu de 2,7 milhões para 2,5 milhões a 2,6 milhões a projeção de vendas do mercado total brasileiro
O mercado automotivo mal se recuperava da crise econômica no País e já se vê em um cenário de alta do dólar. Resultado: os custos de produção dos veículos estão pesando no bolso das montadoras e será preciso passar parte dos gastos ao consumidor. E o repasse será inclusive para carros nacionais, por contarem com itens importados em sua fabricação.
 
Segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo, a General Motors já tem tabela pronta de reajustes a ser divulgada nos próximos dias e deve ser seguida por outras fabricantes. “Claro que não haverá um repasse total dos custos, porque o mercado não tem condições de absorver, mas não se pode manter uma operação funcionando com prejuízo por muito tempo”, diz o presidente da GM Mercosul, Carlos Zarlenga.
 
GM: preços dos carros deve aumentar 8% 
 
Segundo o executivo, a empresa já estava trabalhando com margens mais baixas de vendas e a situação ficou pior com essa nova pressão fora dos planos da marca. Um carro, por exemplo, com 40% de itens importados pelas montadoras e autopeças, a maioria de alta tecnologia, não produzidos no País, teve alta de custo de 20% só com a elevação do dólar frente ao real. Diante disso, o impacto no preço final é de cerca de 8%, sem previsão de quando deverá ocorrer. A GM é proprietária do carro mais vendido e financiado do Brasil, o Onix, há dois anos. 
 
Na Argentina, principal cliente das montadoras brasileiras, os preços dos carros subiram 24% de janeiro até agora. 
 
Além do câmbio, Carlos Zarlenga ressalta que, no Brasil, toda a indústria está sendo impactada pelas previsões de crescimento menor do PIB, de alta na inflação e nos juros e da falta de confiança dos consumidores – que aumentou após a greve dos caminhoneiros. “Isso está refletindo nas lojas e a média de vendas está menor do que esperávamos neste mês”, afirma.
 
Por isso, houve redução de 2,7 milhões para 2,5 milhões a projeção de vendas do mercado total brasileiro. Outra constatação é que não será possível obter resultados positivos no balanço financeiro da GM na América do Sul. O grupo registrou prejuízos em 2015 e 2016, equilíbrio em 2017 e esperava pequeno lucro neste ano.
 
Impacto da greve
 
Líder em vendas no País, a GM também adianta que neste mês perderá participação no mercado porque deixou de produzir nos dias da greve dos caminhoneiros e também porque a fábrica de Gravataí (RS) ficará parada por dez dias para preparar as linhas para início da produção de novos modelos. Com isso, deverá faltar produtos nas lojas. A maioria das versões do Onix, carro mais vendido no País, é feita nessa fábrica, assim como o Prisma.
 
Efeito cascata
 
E os carros novos, importados e nacionais, não são os únicos reféns da alta do dólar. O repasse, segundo especialistas, deve chegar aos acessórios e peças importados, além do serviço de blindagem.  

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