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Muitas pedras no caminho na trilha Rubicon

Confira a experiência completa do Auto no 4x4 mais difícil do mundo, com direito inclusive a acampamento na floresta

00:00 · 10.09.2018 por Camila Marcelo - Repórter
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Localizada entre Califórnia e Nevada, a Rubicon Trail é considerada a trilha mais difícil do mundo, com nível 10 de dificuldade offroad ( Foto: camila marcelo )
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Com um pouco mais de 35km de extensão, o cenário é de floresta e pedras - de diferentes proporções - no percurso. Para fazer a trilha, foi preciso ligar a tração reduzida e manter a velocidade baixa, que não passava dos 10km/h ( Fotos: divulgação )
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Instrutores estavam presentes no caminho, orientando na passagem pelas pedras. A dica é ter sempre um colega trilheiro para ajudar a cruzar os obstáculos

O clima estava agradável, com céu limpo, sem nenhuma chuva por vir. O percurso, para completar, ainda começou com pequenas pedras como obstáculo. Todo esse cenário levava a acreditar que a "Rubicon Trail", localizada na Serra Nevada, nos Estados Unidos, seria moleza.

Depois de enfrentar em eventos passados a instabilidade dos passeios em dunas e trilhas com lama de tirar o fôlego e também o veículo da reta, então como a solidez das pedras assustaria?

Realmente subestimei a informação que a Rubicon era índice 10 de dificuldade. E no começo, de fato, era tranquilo, o problema foi quando avancei floresta a dentro. Até pensei que não me empolgaria com as pedras, porém repensei isso logo após concluir o trajeto com o Wrangler.

A dificuldade está basicamente na diferença do tamanho das pedras. O sobe e desce infinito é o mínimo dos impactos. A questão está em colocar as rodas em alturas diferentes, inclinadas para lateral, frente e trás, com cada roda apoiada em rochas com diferentes proporções, esterçando o chassi como nunca imaginei um automóvel ser capaz de aguentar.

Para apimentar a trilha, nada de portas e, em alguns modelos, de teto também. Sim, eu escrevi e você leu correto. O automóvel estava praticamente depenado, para mostrar a versatilidade do modelo. Dentro dele, a impressão é estar em um tamanho família de UTV, porém com o plus de ainda ter o para-brisa, apesar que ele também é passível de se retirado, sendo basculante.

Resultado desse visual: cabelo cheio de areia, vento frio sem limite resfriando as passageiras (eu e minha companheira jornalista de teste) e vista privilegiada das pedras e, para uma emoção extra, também do fundo precipício. Com esse detalhe da ausência das portas, a experiência foi ainda mais inesquecível.

Fora o cenário visto e sentido na pele, o som será difícil também de esquecer. Quando a pedra roçava embaixo do automóvel por ventura, o barulho estridente parecia um arranhão no quadro negro. Não houve uma, duas ou três vezes. Na verdade, perdi as contas de quantas vezes as pedras arranharam a base do veículo. Mais que riscar, a sensação é que alguma peça estava se separando e sendo deixada pelo caminho.

A cada atrito, até duvidei se estava correta a manobra. Mas, os guias sempre afirmavam ser normal, que é necessário roçar para realizar a travessia nas pedras, mas eu só conseguia ter pena do Wrangler. No entanto, ao contrário de mim, quem gosta do 4x4 não tem piedade alguma, prova disso é ver a Rubicon lotada de outros trilheiros. Inclusive, deparamo-nos com muitas pessoas com o Wrangler na versão Rubicon antiga, os quais fizeram questão de estacionar e conferir o nosso comboio do lançamento passar.

Hospedagem

Depois de cerca de 50km percorridos, contando o início no asfalto, foi hora de descansar. Para entrar no clima, nada melhor que um acampamento na Rubicon Springs, com barraca individual, banho em chuveiro a céu aberto com uma bolsa de água, música country ao redor da fogueira, sem luz elétrica e nenhum sinal para celular. Teve até recolhimento de alimento da bolsa, por medo de ataque de ursos.

Para a experiência ser mais completa, faltou apenas o banho no Rubicon River, que tive de dispensar pela água gelada do lago somado com o tempo frio que estava começando a cair com a chegada da noite.

Retorno

Tão logo o dia amanheceu, colocamos as malas de volta para o carro, o qual estava imundo de terra, por não ter portas, e retornamos ao fora de estrada. Lembrando que o primeiro dia levamos seis horas, devido a parada do almoço e velocidade baixa que não passava dos 10 km/h. Na volta, por não ter pit stop, completamos em 4h, graças a ajuda dos guias. Sem eles, essa trilha certamente viraria nível 11, principalmente nas passagens perto dos precipícios. Além disso, não é possível fazer sozinho, sempre teríamos que ter alguém descendo para ver o melhor jeito de passar pelas pedras.

Localizada entre Califórnia e Nevada, Rubicon Trail tira o fôlego do motorista de maneira diferente. Com calma e velocidade baixa, fora ajuda de terceiros e um bom carro, é fácil domá-la e ainda levar boas recordações para casa.

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