Impressões

Lição virtual, aprendizagem real

O Caderno Auto foi ver o simulador de direção veicular em ação e, claro, fazer o teste do aparelho; veja resultado

Aulas extras Fora as 5 obrigatórias, três aulas noturnas da prática a mais podem ser feitas
00:00 · 05.03.2018 por Camila Marcelo - Repórter

O simulador de direção é realidade no Brasil desde o primeiro dia de janeiro de 2016, apesar de alguns Centros de Formação de Condutores (CFCs) não cumprirem ainda a exigência ou até encararem de forma facultativa a aplicação dessa metodologia.

"Não se trata de todo o estado do Ceará, alguns CFCs conseguiram de forma individual a suspensão do seu uso por força de determinação judicial, há outros Estados também na mesma situação, mas cabe ressaltar que é menos de 1% do total dos que estão utilizando o referido equipamento", relata o Departamento Nacional de Trânsito.

Houve uma resistência no início para sua implementação, porém agora ele está bem quisto entre as antigamente chamadas de Auto Escolas.

"Antes 90% eram contrárias, mas depois quando vimos como funcionava e com as empresas de simuladores a cada dia modernizando a máquina, hoje a coisa se reverteu. Quase todos são a favor", relembra Wellington Soares, ex-presidente dos CFCs e proprietário da Auto Escola Líder.

Assim como a maioria, Cláudio Pinho, proprietário da Auto Escola Cláudio, também não recebeu de braços abertos a ideia de adquirir o aparelho. "Primeira vez que eu sentei, pensei que não ensinaria nada. E eu fiquei tonto. Usei dois tipos de simuladores na época, ainda não tinha o que comprei. Faz tempo, cerca de 8 anos atrás quando foi feita a apresentação. Depois disso, o equipamento é outro, evoluiu muito, o seu sistema é totalmente diferente. Se você comparar o simulador do carro com o do avião, eu acho que estão no mesmo nível", acrescenta.

Desde a sua obrigatoriedade, o equipamento faz parte do plano de ensino de seus alunos em todas as sedes, contribuindo tanto para a apresentação dos equipamentos do carro sem a pressão de alguém buzinando atrás, como de ver exercícios que por vezes não teria durante a prática na rua, como diferentes situações de ultrapassagens e rotatórias, por exemplo com ou sem o trânsito intenso.

Segundo a Resolução 543, o candidato antecipa todas as atividades que serão vistas na rua, como direção em aclive e declive, mudança de faixa, estacionamento, manobra em marcha ré e passagem por cruzamentos. E ainda tem o diferencial de constatar o perigo de conduzir alcoolizado e também como proceder em situações de risco com pedestres, ciclistas e outros carros na cidade.

São cinco horas obrigatórias, com uma hora simulando atividades noturnas. Se quiser mais tempo, pode-se acrescentar três das quatro que seriam de prática na rua à noite no aparelho.

"Todos os nossos alunos fazem as oito horas. Por que isso? Na aula noturna, o aluno só iria andar no carro, não faria baliza, ladeira, nada. No aparelho, ele simula ser de noite, mas pode fazer todo o treinamento o qual seria prejudicado na rua, inclusive pela segurança", diz Cláudio.

Ao volante

Assim como os automóveis adquiridos pelos CFCs, não existe somente um tipo de simulador nos centros. O Auto resolveu conferir de perto duas opções no mercado. A diferença entre eles está no volante e no pedal freio principalmente.

No primeiro modelo, a direção é muito sensível, como em um videogame. Era preciso ter um controle maior do volante para o carro permanecer entre as faixas. E o freio não estava nada amaciado. Assim, comportava-se como pedal de embreagem, era preciso pisar fundo, como se fosse emergência, para conseguir parar diante de uma placa de preferência. Se o simulador da auto escola escolhida for assim, cuidado para não levar o seu pé direito muito pesado posteriormente para rua, senão os solavancos serão frequente no seu teste.

No segundo aparelho, o volante era semelhante em tamanho e em comportamento com o de um real. O freio era sensível como deveria ser e o retrovisor estava na tela central (no outro ficava na televisão à direita), mais apropriado com a realidade.

Para facilitar a condução, o primeiro tinha o seu velocímetro na tela, já o segundo ficava "escondido" atrás do volante. Porém, ambos foram confortáveis na posição do banco, permitindo uma boa distância até os pedais.

Além disso, apontam durante os exercícios quais infrações foram cometidas, desde o esquecimento de um "pisca" para conversão ou ultrapassagem até o avanço de sinal ou da placa de pare. Ponto positivo. Essa instantaneidade ajuda o condutor a se policiar principalmente no quesito pé na embreagem sem necessidade, que muitas vezes é difícil o instrutor constatar todas as vezes nas aulas práticas.

Lado a lado

Apesar do aparelho ser didático, com as instruções de como proceder em cada exercício na tela, o instrutor fica ao lado do candidato para reforçar quais foram os erros cometidos.

De uma troca errada de marcha de um iniciante até a mão direita constantemente apoiada na manopla de câmbio dos que tem noção de dirigir. Se o aviso do simulador for ignorado, o instrutor fica perto para alertar sobre o que fazer.

"A gente percebe a infração porque aparece na tela e você vai vendo o que errou. E logo em seguida aparece um exercício muito parecido e você tenta não cometer aquela mesma infração", explica o aluno Vinícius Hill. Já prestes a iniciar as aulas práticas, foi uma boa surpresa fazer o simulador.

"Fiquei bem surpreso, porque eu achava que era bem mais parecido com um videogame, mas quando fiz na primeira aula vi que era bem fiel, não é 100%, mas é 90%. Para quem nunca teve experiência alguma, é muito interessante. Você aprende ter controle de embreagem e facilita quando for para a rua", completa.

O simulador veio para ficar e, mesmo ainda recente, é possível ver uma maior confiança de quem sai do aparelho para o carro real. "Fazem ultrapassagem melhor, sinalizam com antecedência", ressalta o instrutor Roberto.

Fique por dentro

Sabia que era facultativo antes de ser obrigado?

Embora pareça recente, não foi de repente que esse aparelho foi indicado pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) como forma de aprendizagem. Em junho de 2014, por exemplo, a resolução 493 aumentou de 20 para 25 horas/aulas a parte prática da categoria B e colocou como sugestão substituir 30% desse período no simulador, podendo quatro das cinco noturnas obrigatórias serem feitas virtualmente, como é atualmente.

A obrigatoriedade veio com a resolução 543 de 15 de julho de 2015, sendo válida em janeiro de 2016. Ela manteve a mesma redação do 493 e tirou o facultativo do texto. Lembrando que adição de categoria passou a ter também o simulador com 5 horas/aula, além das 15 de aula prática, das quais duas das três noturnas obrigatórias podem ser feitas na máquina.

Uma curiosidade é que o simulador para categoria A já encontra-se em fase de estudos. Eles estão sendo realizados pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) por meio de um Termo de Cooperação Técnica, conforme extrato publicado na Página 106 da Seção 3 do Diário Oficial da União (DOU) de 06 de fevereiro de 2013. Então, em breve, parece que haverá mais mudanças...aulas

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