Evento

Grandalhões invadem o Autódromo do Eusébio

A Copa Truck passou pelo Ceará e o Auto foi conferir os bastidores dos pilotos para a competição

Caminhões mesclam a estrutura original com mudanças para mais segurança e desempenho na pista ( Foto: Thiago Gadelha )
00:00 · 07.08.2017 por Camila Marcelo - Repórter
O evento lotou o Autódromo. Quem esteve presente, conferiu 20 pilotos brigando em duas baterias por um lugar no pódio. A máxima passava os 200km/h ( Thiago Gadelha )

A Copa Truck nasceu este ano e já colocou o Ceará na rota em sua categoria Nordeste. O Autódromo do Eusébio fechou a etapa e os ingressos lotados um dia antes do evento fizeram com que a cidade ficasse mais cotada para receber a competição novamente nas próximas edições. Mas, o foco do Auto não é a disputa e, sim, os bastidores e a preparação. Conversamos com os pilotos e destacamos as curiosidades principais envolvendo corrida de caminhões.

Adaptação

De cara, é bem parecido com o caminhão vendido nas concessionárias. Claro, com mais adesivos na carroceria. Porém, tudo nele é modificado para acelerar na pista. O chassi é original e as peças também, mas a concepção difere, o motor, por exemplo é deslocado para trás da cabine para dar maior equilíbrio de peso e por questão de segurança. O tanque é remanejado para o centro também para maior proteção do piloto.

No interior, o santoantônio envolve a cabine por dentro e a cabine é rebaixada com relação ao chassi. "E este ano tem o banco do carona porque nós temos um programa da categoria para volta rápida com os clientes", completa o experiente Wellington Cirino, que possui uma bagagem de mais de 20 anos pilotando caminhões.

O veículo é pesado, mas isso não significa emoção reduzida. "Aqui é um caminhão duro, travado, sente a ondulação muito mais. O de rua é mais alto, mole e confortável. Aqui é zero conforto, mas tem mais desempenho", relata o piloto Witold Ramasauskas sobre como é dirigir o seu caminhão. A máxima na reta chega a cerca de 200km/h e só não vai além porque fica mais difícil reduzir para fazer a curva.

Sem paradas

Ao contrário das competições de carro, caminhões não tem pit stop. Ou seja, o pneu escolhido vai acompanhá-lo durante toda corrida, faça chuva ou sol. E se furar: game over para o piloto. "Se tiver um condição de garoa, meio nublado, provavelmente saímos com pneu de chuva. Por mais que abra sol, a gente continua com ele, que é mais lento, é pior, acaba com os pneus, mas não tem troca. Mas, se chove no meio da competição, é melhor estar com o pneu de chuva do que o slick e não conseguir guiar", comenta Witold.

E também não precisa abastecer. Aliás, o tanque é reduzido para oferecer mais segurança e porque cada bateria dura apenas uma hora, então precisa de pouco, apesar da condução agressiva.

"O tanque é muito grande. Os caminhões andam praticamente de 450 a 600 litros na estrada. Na competição, o nosso é baseado em 135 litros. O consumo aqui acaba sendo de 90 a 105, dependendo do circuito. A categoria sempre também trabalha pela questão de menos emissões de poluentes, para que tenha menos fumaça. A diminuição da quantidade de combustível é para que as equipes trabalhem fazendo também economia", explica o piloto Cirino.

Experiência

O Kart é uma escola quando se fala em corrida, independente se é leve ou pesado. Em seguida, indica-se participar de campeonatos regionais e aos poucos adaptar-se aos caminhões. E ter habilidade na categoria C ou D ajuda, além de conhecer a sua mecânica, sugere Cirino.

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