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Duas décadas de Invasão Cearense

É antiga a participação ativa dos cearenses em provas 4x4, mas há 10 anos a presença ganha um nome

00:00 · 27.08.2018 por Camila Marcelo - Repórter
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O Mitsubishi Motorsport é onde a presença da Invasão é maior. No geral, conseguem levar de 15 a 30 veículos frequentemente às competições de fora do Estado. O objetivo é também divulgar o Cearense de Rally
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Cláudio Ferreira (à direita) é de Minas Gerais e há quase um ano mora em Fortaleza e faz questão de representar o Estado nas competições

Quando uma dupla cearense resolve competir em outra estado, independente de pertencer ou não a um grupo de offroad, os dois tornam-se parte da Invasão Cearense. Todos viram um só, uma única massa, apenas um nome, para mostrar a força do Ceará.

A ideia partiu do Fábio Machado, ou Fabão. Presente há 15 anos no mundo 4x4, começou a perceber nas competições que havia intensa presença de cearenses, mas nenhuma integração entre eles. Foi então que decidiu há dez anos criar a Invasão. "Foi uma forma que a gente conseguiu organizar um grande grupo que já existia fazendo provas fora de Fortaleza, com a intenção de formalizar isso e até mesmo para as equipes de outras localidades perceberem que aqui existe um grupo forte, de amigos", explica.

Mais do que mostrar a representatividade do Estado, a intenção é divulgar o Cearense de Rally. "É o único campeonato estadual que acontece de forma ininterrupta, com mais de vinte anos", enfatiza Sávio Azevedo.

E a organização tem ainda outro plus: facilita a participação de mais equipes, possibilitando negociação nos custos com a cegonha e o hotel, por exemplo. Além, claro, de ser um prazer ainda maior planejar a viagem em grupo. Motiva até mais participantes. Quem não cogitava participar do evento, quando vê a mobilização no grupo de Whatsapp, começa a fazer as malas também. "A competição só começa mesmo quando bate a porta do carro, bota o motor para funcionar. Antes e depois é só alegria, é uma grande festa", destaca Márcio Botelho. Inclusive, fora a farra e conversa, o encontro permite muitas trocas de dicas de manutenção e orientação de pilotagem e navegação.

"Os cearenses se unem em prol de um objetivo único: colocar um dos nossos no pódio fora do Estado", ressalta Sávio Azevedo. E pode ter somente uma dupla, que a comemoração parece ser de todos. A alegria do troféu em mãos é compartilhada entre os presentes. "Queremos estar junto, fazer a festa. Quando tem um cearense isso para nós é um fechamento de toda uma ideia, de um pensamento que se teve dias antes", enfatiza Fabão.

E tem até quem não é cearense fazendo parte da Invasão. É o caso do Cláudio Ferreira. Mineiro, morou por muitos anos em Salvador, porém faz questão de representar o Ceará nas competições atualmente, sempre ao lado da esposa que é do Rio Grande do Norte. "A gente veio para Fortaleza tem 1 ano e meio e com um pouco mais de seis meses já fomos adotados pela Invasão Cearense. É muito contagioso participar com essa equipe. É uma outra família", destaca. Por enquanto a sua esposa vai apenas como zequinha, mas já está atrás de uma pilota para também participar da competição, de forma mais ativa, inclusive já tem experiência como navegadora, tendo o troféu de segunda posição do Rally do Batom.

Participam ativamente, dependendo da prova, pela Invasão de 15 a 30 carros. Entre os participantes, a idade é variável e o tempo de experiência também. Uma dupla curiosa é o casal Ronaldo e Denise Nogueira, que começaram mais velhos a experimentar o mundo fora de estrada e inspiram os mais novos a, além de competir, também deixar um tempo extra para aproveitar o cenário de cada competição.

Quem quiser fazer parte da festa, não é preciso convite ou indicação de quem já integra. "Não precisa se filiar a grupo, a nada. Se você quer participar, basta nos buscar na rede social", sugere Fabão. "Há vaga para todo mundo. A festa é boa e grande. E a resenha começa logo no aeroporto", completa Márcio.

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