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Bicicleta é chave do aprendizado da motocicleta

Cair não é o único medo de quem faz a avaliação prática para categoria A. Veja dicas de instrutores para não errar na prova

Deslize Curvas feitas muito rápidas podem gerar quedas e são uma das principais dificuldades dos candidatos, assim como a prancha (fotos abaixo). Fazem parte também do percurso o slalow com no mínimo quatro cones. Derrubar um deles é considerado erro para reprovação. Atenção também no uso de sapato fechado e no uso da viseira ( Fotos: Camila Marcelo )
00:00 · 19.02.2018 por Camila Marcelo - Repórter
 

O equilíbrio é a base para o aprendizado de moto. Diante disso, não subestime uma infância repleta de muitas voltas de bicicleta. Não é impossível habilitar-se na categoria A sem antes ter andado muito na magrela, no entanto seguir o ritual de pedalar para depois acelerar na motocicleta facilita o processo. Quem afirma isso são os próprios instrutores dos Centros de Formação de Condutores (CFCs).

“Quando têm uma noção de bicicleta, eles já fazem o percurso que o Detran exige com seis a oito aulas. O resto a gente ensina só a passar as marchas para o aluno ficar adaptado para pilotar no trânsito do dia a dia”, diz Wilame Batista, instrutor há 25 anos da categoria A e B.

“É preciso também ter coordenação motora, principalmente na saída. Aperta embreagem, coloca em primeira marcha para baixo e vai soltando a embreagem devagarinho. Acelera pouco, dá um empurrãozinho com o pé e a moto sai, depois é só se equilibrar”, completa o também instrutor Francisco de Assis.

Entre os principais medos do principiante está na possibilidade de cair e machucar-se. O receio aparece principalmente na curva. “Se acelerar muito pode perder o equilíbrio”, alerta Wilame. Outro temor está na “prancha”: é uma elevação com oito metros de comprimento, 30cm de largura e 3cm de altura com entrada chanfrada. “Na primeira prova fiquei nervoso. Minha dificuldade foi na prancha, porque tenho medo de derrapar e levar uma queda. Com os treinos que estou fazendo, me sinto mais confiante para refazer o teste”, pontua o universitário de 22 anos, Joaquim de Castro.

E ainda em sua terceira aula está Felipe da Costa. Ele acreditava que seria mais difícil, porém aos poucos vai completando com menos erros a rota exigida no exame do Departamento Estadual de Trânsito (Detran). “O meu maior problema era nas curvas, no manuseio da embreagem, que preciso ainda melhorar, e eu também estancava muito no começo”, acrescenta.

Atualmente, antes do exame, o candidato passa por um curso de 16 seções diurnas e mais quatro noturnas, contabilizando assim 20 horas/aula, todas em circuito fechado. 

Em um futuro ainda não definido isso vai mudar. O Departamento Nacional de Trânsito publicou em julho do ano passado uma minuta, ou seja, um esboço ainda não definido, que provavelmente substituirá a Resolução 168 de 14 de dezembro de 2004, que estabelece as normas e procedimentos à formação de condutores de veículos automotores e elétricos, para realização dos exames e cursos de formação, especializados e de reciclagem, além da expedição de documentos de habilitação.

Modificações

Quando ocorrer, as alterações irão atingir os cursos e exames de todas as categorias. Na parte teórica, por exemplo, haverá curso específico a cada um de 26 horas/aulas, além de 34 de módulo básico. Em caso de adição, nada de pular essa etapa, como fazemos agora, e logo cumprir a prática. Será preciso fazer a parte teórica da categoria a ser incluída, todas as 26 horas/aula.

Na parte prática, a “B” aumentará para 30 horas/aula, sendo 25 de atividades na rua e as mesmas 5 de simulador. Ainda será possível substituir opcionalmente, como agora, três aulas noturnas externas para realizar virtualmente. 

Já na “A”, o processo será dividido em várias etapas. Primeiro o curso tradicionalmente conhecido em área fechada de 15 horas/aula, seguido de prova. Após aprovação, serão mais 10 horas/aula circulando na rua, acompanhado pelo instrutor em outro veículo, estabelecendo diálogo por um comunicador. Ao término, outra prova será feita para avaliar o desempenho em via pública.

Durante a avaliação, os pontos irão variar de dois a cinco, não podendo o candidato atingir igual ou superior a cinco. Se reprovado, será preciso fazer no mínimo mais cinco aulas e aguardar quinze dias da divulgação do resultado. 

Exame

Enquanto a mudança não chega, a prova é feita em pista com largura de 2 metros com obstáculos. Duas rotatórias circulares para manobra em formato de “8”, slalow com no mínimo quatro cones alinhados e distância entre eles de 3,5 metros e duas curvas sequenciais de 90º em “L” estão no percurso.

A avaliação é rápida e, para conseguir a CNH, o candidato não pode cometer falta eliminatória ou somar pontos negativos que ultrapassem três pontos. Para erros leves, como regular os retrovisores durante o percurso e colocar o motor em funcionamento, quando já engrenado, são atribuídos só um ponto negativo.

Já engrenar ou utilizar marcha inadequada durante o percurso e não recolher pedal de partida ou o suporte do veículo antes de iniciar o exame são exemplos de faltas médias, de dois pontos.

E é grave, gerando três pontos, deixar de pôr um pé no chão e outro no freio ao parar, fazer incorretamente a sinalização ou deixar de fazê-la, invadir qualquer faixa, realizar o percurso com o farol apagado e cometer qualquer outra infração de trânsito dessa mesma natureza.

Quanto à lista de erros eliminatórios para nem cogitar em fazer está abalroar um ou mais cones de balizamento, descumprir o caminho preestabelecido, avançar sobre o meio fio ou parada obrigatória, cair do veículo, colocar o(s) pé(s) no chão com o veículo em movimento e provocar acidente durante o exame.

Atenção

Dos mais frequentes, esquecer de fazer a sinalização adequada está no topo. Cuidado também com a viseira. É eliminatório começar a prova sem estar com o capacete ajustado e sem viseira ou óculos de proteção. E lembre-se de fazer com sapato fechado para prova.

E para quem tem experiência anterior com a moto, cuidado para não carregar os vícios na aprendizagem. “Muitos deles só param pondo os dois pés no chão e andam com a mão apoiada na embreagem. Querem fazer também o percurso correndo e lá vai dar direção perigosa”, avisa Wilame.

 

Confira as faltas eliminatórias da prova prática da categoria A:

1) Iniciar a prova sem estar com o capacete devidamente ajustado à cabeça ou sem viseira ou óculos de proteção
2) Descumprir o percurso preestabelecido
3) Abalroar um ou mais cones de balizamento
4) Cair do veículo, durante a prova
5) Não manter equilíbrio na prancha, saindo lateralmente da mesma
6) Avançar sobre o meio fio ou parada obrigatória
7) Colocar o(s) pé(s) no chão, com o veículo em movimento
8) Provocar acidente durante a realização do exame
9) Cometer qualquer outra infração de trânsito de natureza gravíssima

Fonte: Resolução Contran 168/04

Fique por dentro

Confira possíveis mudanças no curso no CFC

O Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) publicou uma nova redação, ainda não definida, para substituir no futuro a Resolução 168/04, a qual trata do processo de formação de condutores. As alterações começam na carga horária da parte teórica. Em vez de 45 horas/aula, será 34 para um curso básico e 26 para um específico.

Na parte prática, os exercícios da categoria A e ACC serão feitos em via pública, além do circuito fechado como é atualmente. Se for aprovada a minuta, o candidato deve fazer curso de 15 horas/aula em ambiente fechado, realizar prova referente a esse exercício e, se aprovado, cumprir 10 horas/aula na rua, com seu instrutor em outro veículo, mantendo contato por meio de intercomunicador, sendo obrigatório fazer uma dessas aulas à noite. Ao todo, ficaria 25 horas/aula, cinco a mais que hoje em dia. No caso de reprovação, será preciso esperar quinze dias e ainda fazer, no mínimo, cinco horas/aulas de prática de direção antes de nova avaliação.

Com relação a adição de categoria, quem for colocar a "A", terá que fazer as duas etapas do curso prático, além das 26 horas/aula do teórico específico. Antes, era só prático.

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