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América Latina de Kombi

Era para ser oito meses, mas a viagem foi muito além do planejado. Confira a história de Daniela e Rodrigo

Interrompida: A viagem acabou no Ceará, mas a Kombi retornará para casa ( Fotos: Arquivo Pessoal )
00:00 · 18.12.2017 por Camila Marcelo - Repórter
Curiosidades: Diferente de um trailer, a Kombi é uma estrutura única, então ou comiam ou dormiam, nada de fazer cada um algo diferente. Outra característica, é que não é 4x4, mas não fez feio no caminho, passando por lama, areia, buracos. Na transamazônica, contou com ajuda para sair do atoleiro. Foram 16 dias para passar por 700 km. Fora do Brasil, o casal passou por Peru, Colômbia, Chile, Argentina, Equador e Uruguai

A rotina em Florianópolis foi trocada pela vida em quatro rodas. A priori, o objetivo era contornar a américa do sul em oito meses a bordo de uma kombi, no entanto o roteiro às vezes era deixado de lado, segundo a viajante Daniela Pregardier, porque os destinos iam se revelando mais receptivos e bonitos. Assim, quando chegaram ao Ceará, completaram três anos de viagem.

Eles venderam tudo e programaram gastar cerca de mil dólares ao mês, mas viram que, na prática, podia ser menos. No entanto, ainda assim, improvisaram no percurso. "com dois meses percebemos que o nosso orçamento não ia dar, porque passávamos muito mais tempo nos lugares. A gente calculava quinze dias e virava um mês. Isso só foi se ampliando com o passar do tempo", relembra. "costumamos falar que ou a pessoa viaja com dinheiro ou tempo. Com o 'tempo', ela trabalha e vai produzindo durante a viagem, dando liberdade para poder ficar", destaca Daniela. E foi isso que fizeram: começaram a vender suas fotografias e incensos naturais, produzidos por eles, para pagar as despesas.

E ainda contaram com ajuda dos residentes, que geralmente cediam banheiro, wifi e amenidades outras, além de convidar muitas vezes para jantar ou almoçar. "a gente fala que não éramos visitas, sim, vizinhos. Estacionávamos a kombi e vivíamos com a galera", completa.

Aliás, não eram só nas paradas que haviam bons samaritanos no percurso. Como a kombi não era 4x4, deu trabalho durante a transamazônica, apesar que não fez feio em muitos terrenos off road.

"Para cruzarmos foram dezesseis dias para fazer 700 km. A gente encontrou muita dificuldade para chegar a Manaus, mas a gente sempre conta com a ajuda das pessoas", acrescenta o companheiro de viagem de Daniela, Eodrigo Matias.

Destinos

Fora do Brasil, foram para Argentina, Chile, Uruguai, Peru, Colômbia e Equador. Não entraram na Venezuela pelas crises políticas. No geral, o começo foi de Santa Catarina até o Ushuaia, o ponto mais austral do continente, depois apenas paravam no ponto mais ao norte na Colômbia. De lá, desceram e entraram no Brasil pelo Acre em direção ao Nordeste.

"A gente resolveu viver a vida mais intensamente e se dedicar ao que a gente ama, que é viajar. É uma vida diferente que vale a pena", afirma Daniela. De todos os destinos cruzados, Jericoacoara está no topo dos preferidos. "Foi um local muito marcante. A gente chegou para passar apenas quinze dias e ficamos quase dois meses. Então, Jeri proveu muitas alegrias, muitos amigos e momentos inesquecíveis. Reencontramos um amigo nosso do Equador também, então foi linda essa experiência", lembra Rodrigo. "Também tem um outro lugar que a gente gostou muito que é Colares, que é uma ilha no Pará, é uma vila pequena, famosa por alguns de seus casos extraterrestres que houveram por lá. É um lugar lindo", adiciona.

Despedida

A contagem dos dias acabou no Ceará devido a um acidente com um caminhão. A perda total do veículo antecipou a volta para casa. Mas, as boas histórias e fotografias ficam, como a certeza de continuar a jornada em breve. "A gente quer continuar viajando, isso não é questionável; também é fato que será como uma casa rodande", enfatiza Daniela.

O casal está de volta a Florianópolis, já a Kombi, depois de muitos dias tentando conquistar a "custódia" com a seguradora, retornará para finalizar, em breve, a viagem em casa em breve. Agora, o momento é organizar as memórias e, depois de tanto tempo, rever a família.

Quem deseja seguir os trilhos do casal, Daniela deixa a dica: "Se quer viajar, a primeira coisa que se tem que fazer é marcar uma data e avisar para todo mundo, porque a pessoa nunca vai estar 100% pronta e vai aprender o que precisar na estrada. É mais barato e mais fácil do que se pode imaginar. E tem todas as coisas boas que a gente viveu, que a gente jamais poderia planejar", destaca, já saudosa.

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