Chacina da Granja Lisboa teria sido motivada pelo tráfico
Durante o confronto ocorrido no 'Carandiru', integrantes das duas gangues foram feridos ou executados

As investigações da Polícia Civil acerca da chacina ocorrida na noite da última segunda-feira (20), na Granja Portugal, sugerem que o motivo do confronto que resultou na morte de cinco pessoas e deixou outras três feridas teria sido uma briga entre gangues que disputavam o território para prática de tráfico de drogas. A chacina ocorreu em um apartamento do Conjunto Habitacional Leonel Brizola, localizado na Rua José Martins e conhecido como 'Carandiru'.
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Quatro pessoas foram mortas no local e outras quatro ficaram feridas e foram encaminhadas à unidades de saúde. Uma delas não resistiu aos ferimentos e morreu logo após dar entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Bom Jardim; as outras três permanecem internadas, uma em estado grave.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), duas vítimas não residiam no 'Carandiru' e faziam parte do grupo de suspeitos que foi até o local para executar as pessoas que ali estavam. No entanto, houve um revide que desencadeou o confronto com mortos de ambos os lados.
As vítimas dos tiros fatais são Valdirene Nascimento Ribeiro, 21; Jeferson Nazário Gomes Oliveira, 23; Leonardo de Sousa Lopes dos Santos, 17; Alan Lima dos Santos, 20; e Francisco Max da Silva Ângelo, 19. De acordo com informações dadas pela PM à TV Diário, no local do crime, o chefe de uma das organizações criminosas que se confrontaram teria se deslocado até o apartamento para realizar a chacina e vingar o homicídio de um comparsa morto no bairro Bonsucesso, no último sábado (18).
Ao ser acionada para o local onde ocorreu o tiroteio, a Polícia constatou as mortes e apreendeu um veículo Ford Ecosport, de cor preta, placas HXH-8566, roubado no último domingo (19) e que pode ter sido utilizado pelo grupo criminoso, segundo a SSPDS. Após a ação, os suspeitos teriam fugido a pé e abandonado o carro em frente ao Conjunto Habitacional.
Conforme a nota emitida pela assessoria de comunicação da SSPDS, equipes da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) estiveram no local realizando os primeiros levantamentos.
Apuração
No local foram apreendidas cápsulas de pistola calibre 380 e Ponto 40 e a Polícia percebeu que das oito vítimas, três mortos no local eram de uma mesma facção e o outro da quadrilha rival. Com isso, fica mais evidente a existência de um revide durante a "prestação de contas".
Em meio às diligências, a Polícia recebeu denúncias anônimas sobre a possível localização dos autores das mortes, que estariam escondidos em casas situadas na Rua Edson Martins, próximo ao local do crime, e apreendeu uma pistola calibre 380, sem munições, no telhado de um dos imóveis da rua. A arma passará por perícia para ser descoberto se foi utilizada na chacina da Granja Lisboa.
Quatro homens que estavam no imóvel foram conduzidos até o 12º DP (Conjunto Ceará) e, em seguida, levados para fazer exames residuográficos, no intuito de verificar se fizeram disparos de arma de fogo. Entretanto, segundo o delegado da DHPP que preside a investigação do caso, Fábio Torres, "não existiam fortes indícios da participação dos quatro homens no crime que permitisse a prisão em flagrante. Após fazerem o exame, não foram encontrados resíduos de pólvora nas mãos dos suspeitos e eles foram liberados".
Torres lembra que segundo depoimentos, "os envolvidos no crime já possuíam rixas anteriores". "Agora, a equipe de investigação está em busca de dois novos suspeitos que tiveram suas identidades apontadas por testemunhas, após reconhecimento por meio de fotografias", disse o delegado da DHPP. Até o fechamento desta edição, nenhum deles havia sido localizado.
Inquérito
O delegado geral da Polícia Civil, Everardo Lima, disse que acredita na elucidação da autoria. "Daqui a alguns dias teremos uma resposta sobre a autoria desse fato, até porque como envolveu várias vítimas, há um pouco mais de facilidade de chegar na autoria. Fica o indicativo que foi ação de grupo e a Polícia dará uma resposta à sociedade".
De acordo com informações obtidas pela reportagem, algumas das vítimas já tinham complicações com a Justiça. Jeferson Nazário Gomes Oliveira respondia a dez processos, sendo sete deles por roubo de veículo e de carga e os outros dois por receptação e adulteração de veículo automotor. Já Alan Lima dos Santos, 20, estava com um mandado de prisão em aberto por tráfico de drogas. Valdirene Nascimento Ribeiro, 21, não tinha antecedentes criminais.
O diretor da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegado Leonardo Barreto, ressalta que há indicativo de que as vítimas fossem envolvidas de alguma forma com a negociação de entorpecentes. "As informações que temos são preliminares e estão sendo checadas para haver um apontamento final", concluiu o delegado.
Diligências
"A equipe de investigação está em busca de dois novos suspeitos que tiveram suas identidades apontadas"
Fábio Torres
Delegado da DHPP