Seguro veicular para além das quatro rodas

O perfil do motociclista mudou e ele também procura a proteção. Confira o que interfere no preço do seguro

Não é de hoje o alto volume de motocicletas. E o crescimento dos números em produção e emplacamentos no primeiro semestre deste ano reforça a força do segmento nas ruas. Contextualizando,494.684 unidades foram produzidas em 2018, um avanço de 16,7% comparado ao mesmo período do ano passado. Os dados são da Abraciclo (Associação Brasileira de Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares).

Em emplacamentos, com base no Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam), foram 456.729 no acumulado do ano, alta de 6,9% sobre o ano passado (427.198). Diante desse saldo positivo, a entidade revisou a projeção em relação ao volume de produção esperado para este ano, passando de 935 mil para 980 mil unidades, significando um crescimento de 11% em 2018. Pela previsão inicial a produção cresceria 5,9%.

E observando essa grande representatividade, algumas seguradoras começam a oferecer cobertura ao cliente das duas rodas. Na verdade, de acordo com Carlos Valle, diretor da Federação Nacional dos Corretores de Seguros (Fenacor), tanto as empresas tiveram sua atenção capturada pelo crescente dos números de emplacamentos e habilitados, como o perfil dos motociclistas está mudando.

"Não é mais aquele que usa a moto só para fazer entregas. Ele usa para ir ao trabalho, não encontra mais espaço no trânsito para usar um automóvel", explica. Como vêm do carro, muitos já tinham a cultura de contratar o seguro e passam a adotar para proteção da moto também. "O perfil do novo motociclista está mais atento a esse quesito. Até a divulgação de índices de acidentes alertam para que cuidem do seu patrimônio", completa. Conforme reforça Vicente Lapenta, superintendente do Produto Auto da Porto Seguro, a quantidade na procura pelo seguro acompanha o crescimento dos emplacamentos e da produção de motos. Então, é alto.

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A motocicleta mais barata tem o custo proporcionalmente agravado porque é a que mais se rouba, colide e tem risco de se expor ao sinistro. As mais caras geralmente as pessoas rodam muito pouco, só no fim de semana. Foto: Kiko Silva

Perfil

Assim como no carro, há variáveis que interferem na simulação do orçamento. Tipo de moto, gênero e idade do motorista, local onde mora, disponibilidade de estacionamento particular no trabalho, por exemplo. No quesito idade, fazendo uma simulação de um modelo CG 125 Fan 2016 com um homem de 60 anos, o preço é de R$ 553,62. Já se ele tivesse 30 anos, o preço subiria para R$ 1.079. Se a diferença fosse de sexo, nesse mesmo parâmetro, a mulher na casa dos 30 anos seria R$ 960.

Quanto ao tipo de moto, de acordo com Carlos, as populares são mais visadas para roubo e seu usuário costuma transitar mais do que aqueles motociclistas que usam motos importadas ou com configuração mais incomum.

Ainda que tenha alto custo de reparo, as estatísticas mostram, segundo ele, que quem costuma pilotar as importadas costuma se acidentar menos também, por isso, o preço não se eleva tanto.

"Proporcionalmente, as populares têm um valor mais alto de seguro. São motos de R$ 10 mil, em média, que o seguro pode custar até R$ 2 mil. Porém, nessa semana calculamos aqui para uma motocicleta de 1300 cilindradas, no valor de R$ 55 mil, e o seguro foi R$ 2800", exemplifica Carlos.

Além disso, o alto índice de acidentes envolvendo motociclistas depõe contra o perfil da categoria, elevando o valor do seguro. Mesmo sendo mulher de 30 anos com motocicleta importada com estacionamento particular em casa e no trabalho, sem mesmo alguma multa de trânsito. A linha de raciocínio segue a cobrança do seguro obrigatório DPVAT.

Para um carro, o valor é de R$ 45,72. Para moto, a cobrança é um pouco mais do quatro vezes esse preço: é R$ 185,50 para motonetas, motocicletas e similares. No caso do seguro, segundo Carlos, proporcionalmente, geralmente custa o dobro do valor comparando com um carro, considerando o mesmo perfil e categoria de veículos, por exemplo. Mas, ainda assim, Vicente reforça a importância da contratação. "Apesar de representar apenas 27% da frota nacional, em 2017 o índice de roubo e furto de motos aumentou 19% em relação ao ano anterior, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública. Assim, a necessidade de assegurar as motos está presente cada vez mais no dia a dia dos brasileiros", pontua.

E quem trabalha com a moto, de acordo com Carlos, tem a obrigação de contratar com todas as coberturas que existem. "Ele não pode ficar sem a motocicleta caso haja um acidente, então precisa da cobertura de colisão, roubo e terceiros. Os que andam apenas no fim de semana, o de terceiros é imprescindível porque você não imagina o que pode danificar dos outros. Por isso, acho o de terceiros é quase que obrigatório para todos", destaca e orienta Carlos.