Pesquisa é segredo para não cair na compra do "gato por lebre"

Pensando em adquirir um veículo usado? O Auto foi buscar algumas orientações para antes de fechar o negócio

A aquisição de um seminovo deve ser igual, na verdade, até mais criteriosa que a de um veículo novo. O começo é parecido: devendo envolver pesquisa sobre qual modelo se encaixa com a necessidade do motorista e sua família. Características como tipo de motor e câmbio, volume do bagageiro e mais itens de série, do quesito segurança a tecnologia, pelo menor preço são consideradas para escolher o modelo.

E quando o pacote de equipamentos é grande com um preço médio que caiba no bolso, ainda assim, pesquise um pouco mais e inclua as páginas de reclamação, para descobrir quais os problemas mais recorrentes com cada marca, além dos recalls abertos e os valores de seguro e revisão do automóvel. Não compre às cegas. "Às vezes a pessoa escolhe porque coube no orçamento, mas esquece que o seguro é caro, não vê o IPVA, o consumo, a manutenção e uma série de detalhes", ressalta Everton Fernandes, presidente do Sindicato dos Revendedores de Veículos Automotores do Ceará.

Com o veículo ou pelo menos o segmento definido, o próximo passo é ver a média de preço de mercado em sites locais e revendas. "A tabela Fipe serve de referência, no entanto não reflete o valor real de mercado local, porque tem modelos com boa aceitação lá no Sul e aqui não tem", ressalta. Além disso, interferem no preço ainda a cor e os acessórios incorporados. A sugestão é duvidar dos extremos, nem tão caro ou barato, pode ter algo de anormal.

E cuidado para bruscamente não mudar o tipo do carro já decidido só porque se deparou com uma oportunidade diante dos olhos. Escolheu, por exemplo, um hatch e encontrou um sedan por uma pechincha. Ou gostaria de um automático, porém viu um manual com mais itens de série embarcados. Segundo a experiência do Everton, quando o cliente foge do plano original, normalmente tende a se arrepender.

A desistência pode vir tanto no aspecto financeiro, tendo o custo posterior, de serviços em oficina, superando as expectativas, como pela forma de condução não ter sido o esperado. A fim de evitar o segundo ponto, o test-drive é ferramenta fundamental para não se lamentar. E não basta já ter feito em um veículo zero, deve ser exatamente naquele a ser levado, para saber se o banco, câmbio, volante estão "encaixados" à sua condução.

Cuidados

Com o modelo definido, a indicação é procurar uma revendedora de credibilidade para fechar negócio. "A gente sempre recomenda comprar de empresas porque você sempre tem a quem reclamar, seja garantia, problema de multa. Hoje, devido às garantias que são obrigadas a dar, elas têm um critério na análise do veículo. Elas não compram os que têm avarias graves, de perda total. Já é um filtro", explica Everton.

Além disso, alerta sobre riscos de falcatruas. "Tem quem diz que está passando as férias em Fortaleza e não quer mais voltar de carro, porém quando você vai averiguar é um golpe, às vezes é de locadora que a pessoa está revendendo. A gente recomenda muito cuidado", destaca. Por isso, nesse caso, o test-drive é ainda mais essencial, para tentar reconhecer se o carro tem algum ruído estranho ou dificuldade para ligar o motor. E seja de pessoa física ou comprando em empresas, a checagem dos dados é indispensável. Na página do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) é possível, com a placa e o Renavam, ver se o carro tem alguma dívida de multa, débito em IPVA ou no licenciamento ou até se possui alguma pendência de recall ou de queixa de roubo.

Para pesquisar, basta entrar no site e clicar na opção "consulta de veículos", localizada na coluna de serviços à direita do computador. Irá abrir uma nova aba, em seguida é só selecionar a opção "consulta completa" para ter acesso a todos esses dados.

Inspeção

Com a documentação em dia, a parte final da compra é analisar a conservação do veículo. "Se você não conhece nada de automóvel, que venha acompanhado de alguém que conheça ou que peça permissão para ir até uma oficina ou pessoa de confiança para fazer análise do carro", indica Everton.

A olho nu, confira o nível de desgaste dos pneus, para checar se a sua substituição será imediata ou não. Um conjunto de pneus é caro e pode funcionar como meio de barganhar o preço final. A mesma ideia vale se for preciso trocar em tempo curto as pastilhas de freio, velas, bateria e demais componentes do veículo. Levar para uma inspeção na oficina e tendo um orçamento da manutenção em mãos facilita para reduzir o preço ou, então, desistir da compra se o custo de reparo for muito alto.

"Acontece muito isso, de ter desconto em função que quem está comprando tem que fazer alguma manutenção. É o que a gente chama às vezes de carro de repasse. O vendedor repassa sem ganhar nada, por ter o que fazer, a preço de custo. As lojas fazem muito", acrescenta Everton Fernandes.

Outro aspecto fundamental a ser observado é a pintura. Os riscos e amassados podem indicar uma possível batida. E checar os vidros das janelas, para conferir se os seus códigos são todos iguais (mesmo sem conhecer o que os pontos ou letras significam), também é válido, porque a diferença pode sinalizar um possível acidente também. E se aconteceu sinistro, é importante averiguar a gravidade, se houve danos estruturais que afetaram a segurança do veículo. Se a resposta for sim, se tiver sido grave, é melhor fugir da compra. "A funilaria eu acho mais importante que a mecânica, a qual é cara, mas você resolve. É só colocar uma peça nova e fica perfeito. O carro batido nunca vai deixar de ter esse histórico de acidente", completa.

Então, a palavra-chave é paciência para todo esse processo. Esse é o segredo. Da pesquisa a análise antes da compra.

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