Ford Escort: 35 anos de Brasil

Ele marcou época e teve várias versões. Mas o Escort ficou famoso mesmo pelo esportivo XR3 e o conversível

Image-1-Artigo-2437849-1
O azulão acima foi a geração 1997, com motor Zetec de 95 cv e outro de 115 cv de potência, além do bom espaço interno, seu desempenho agradava Foto: arquivo

O Ford Escort, carro que foi objeto de desejo dos jovens nos anos 80, completou 35 anos de lançamento no Brasil. Além da carroceria inovadora de "dois volumes e meio", com frente em cunha, faróis retangulares, janelas amplas e traseira curta, ele se destacava pela agilidade e economia. E ficou famoso principalmente pela versão esportiva XR3, que oferecia a opção conversível.

Lançado no Brasil em 1983, o Escort foi o primeiro carro mundial da Ford e marcou o surgimento dessa tendência, que buscava o compartilhamento de projetos e componentes para reduzir custos. Durante os 20 anos em que foi produzido, ele trouxe seguidas inovações para o mercado.

Quando chegou ao Brasil, o carro já estava na terceira geração na Europa, onde fez sucesso. Equipado com motor transversal, tração dianteira e suspensão independente nas quatro rodas, calibrada para mercado brasileiro, tinha tamanho compacto (3,97 m) e o menor coeficiente aerodinâmico do país (0,385 Cx).

Numa época em que ainda não havia motores flex, o Escort oferecia versões a álcool ou a gasolina dos modelos 1.3 e 1.6. O desempenho econômico, a direção leve e agradável, a ampla visibilidade, o baixo nível de ruído e o acabamento interno eram outros pontos elogiados do carro. A embreagem com ajuste automático de folga e a garantia de três anos contra corrosão eram outras novidades.

O Escort foi o primeiro carro brasileiro a oferecer simultaneamente a opção de duas ou quatro portas e tinha três versões de acabamento: básica, L e GL. A versão Ghia, de luxo, chegou depois com vidros e travas elétricos, vidros com efeito dourado, limpador de párabrisa ajustável e indicadores de desgaste do freio, nível de combustível, óleo e líquido de arrefecimento.

Os bancos de veludo e o relógio azul no teto eram itens adicionais de requinte. A versão esportiva XR3 (de Experimental Research 3) surgiu no mesmo ano e se tornou o ícone da linha, com quatro faróis auxiliares, aerofólio traseiro, teto solar, rodas de 14 polegadas no estilo "trevo de quatro folhas" e pneus de perfil baixo - outra novidade em carros nacionais. O motor 1.6 com calibração especial oferecia 10 cv a mais de potência. A versão Escort XR3 Conversível chegou em 1985 e tornou-se o sonho de consumo da época.

Em 1986 o Escort foi reestilizado, com mudanças no capô, grade, faróis, piscas e para-choques envolventes e passou a ser equipado somente com motor 1.6 e duas portas. Com a formação da Autolatina, em 1989 as versões XR3 e Ghia receberam o motor AP 1.8 e a família foi ampliada com um sedã de duas portas, o Verona.

Em 1991 a linha ganhou um sedã de quatro portas, chamado Guarujá, produzido na Argentina, e a série especial Fórmula, com amortecedor eletrônico e bancos Recaro.

Em 1993, o Escort chegou à segunda geração, com uma carroceria maior totalmente nova e interior modernizado. O XR3 recebeu motor 2.0 com injeção eletrônica e a carroceria antiga continuou a ser produzida na versão Hobby para o segmento de carros populares, com motor 1.6, depois trocado pelo 1.0. O Escort XR3 também foi o pioneiro na reintrodução (em 1985) de um automóvel conversível "de fábrica", coisa que o Brasil não tinha desde o fim da produção do Volkswagen Karmann Ghia conversível em 1970. Mas o preço do XR3 era proibitivo devido ao processo quase artesanal de fabricação, constituído por várias idas e vindas entre as fábricas da Ford, em São Bernardo do Campo, e da Karmann-Ghia no mesmo município. A produção também era baixa. O encerramento desta versão deu-se em 1995 com alguns carros movidos a álcool.

Em 1996, com a criação do Mercosul, o Escort passou a ser produzido na Argentina com nova frente, motor 1.8 Zetec e o fim das versões XR3, Ghia e Hobby. No chamado modelo 1996 e meio, o hatch voltou a ter quatro portas e o nome Verona foi trocado por Escort Sedan. Foram introduzidos também a perua Escort Station Wagon e o esportivo hatch RS, com duas portas. Em 2000 o Escort ganhou a opção do motor Zetec Rocam 1.6 nacional, até o encerramento da produção em 2003.

Hoje, a Ford usa o nome Escort em um sedan médio produzido na China, que não guarda nenhum parentesco com o antigo modelo mas também faz muito sucesso. Renascido como carro-conceito em 2013 e como modelo de produção em 2014, chegou à linha 2018 na China com importantes novidades de estilo e mecânica. O modelo incorporou elementos inspirados em lançamentos recentes, como o próprio Focus IV, e equipamentos extras de conforto e tecnologia. Sob o capô, o motor 1.5 Ti-VCT a gasolina recebeu melhorias e tornou-se mais econômico e eficiente.

Fãs pelo mundo

O carro tem colecionadores e admiradores em vários países e no Brasil não é diferente. Em Fortaleza, um dos fãs é o empresário Duda Brígido, que teve alguns exemplares do carro e que nos concedeu esse depoimento.

"Desde garoto que admirava o design e a personalidade esportiva do Escort XR3. Pra completar, o garoto propaganda escolhido pela Ford no início de sua produção no Brasil foi o admirado piloto Ayrton Senna - que usava no Brasil um XR3 prateado no seu dia-a-dia", lembra ele. E continua: "Quando passei no vestibular para o curso de Administração de Empresas, com 17 anos, ganhei do meu pai o direito de escolher o carro que desejasse, e não deu outra: um Escort XR3! Depois disso tive mais dois, inclusive um conversível, nos anos 90. Foi por essas e outras que não deixei passar a oportunidade quando, recentemente, surgiu à venda um Ford Escort XR3 2.0i 1993 vermelho e em estado de 0Km, e trouxe-o para a minha garagem", conclui.

Em vários eventos promovidos na capital cearense, como o Flashbackers e o Classic Cars Fortaleza, é comum donos desse carro deixarem os veículos em exposição.

Mais informações:

Confira mais novidades, notícias, imagens e vídeos sobre carros antigos e eventos no Blog do Automóvel, acesse!

Linha do tempo

1968 - Nasce o Escort na Europa

1969 - Versão RS 1600, que produzia 120 cv

1973 - Versão RS 2000 com 100 cv

1983 - Lançamento no Brasil. Com as versões L, GL, Ghia (2 e 4 portas) e o esportivo XR3

1985 - Escort XR3 conversível

1986 - Escort reestilizado

1989 - Versão L série especial

1993 - Foi produzida uma série especial do XR3 Cabriolet, chamado "75 Special Edition

1996 - Fabricação do Escort Zetec (o mesmo nome do motor que o equipava), como modelo 1997. Os modelos tinham os modernos motores Zetec 1.8 16v de 115 cv e o Zetec Rocam 1.6 8v de 95 cv

2003 - produção encerrada do Escort no Brasil, após o lançamento do novo Focus em 2000