FCA em Betim: tecnologia de ponta

Mesmo quarentona, a Fiat não para no tempo na planta de Betim. Veja os investimentos feitos na ideia de indústria 4.0

O nascimento do Polo Automotivo da Jeep brasileiro, desde o desenvolvimento a sua inauguração, abriu, ou melhor, escancarou os olhos do grupo FCA para investir na fábrica de Betim, em Minas Gerais. Tanto que agora, com 42 anos, não deixa a desejar em tecnologia para a planta de Goiana, em Pernambuco.

Dentre as novidades recentes está o exoesqueleto em três formatos: membros inferiores, ombros e coluna lombar. O primeiro foi testado e aprovado. Após ganhar confiança, o movimento de andar e sentar para ficar em posição mais adequada para trabalhar no carro torna-se natural e dinâmico. O impacto positivo do seu uso, conforme o operador de produção Rodiney Alves, é sentido em pouco tempo. 

“Há seis meses faço uso contínuo desse exoesqueleto (de coluna) e no primeiro dia eu senti a diferença. Ele dá um conforto maior na atividade onde antes, sem uso dele, tinha um desconforto na lombar. Eu faço a regulagem do freio de mão, precisando ficar curvado dentro do veículo. Sem o equipamento havia necessidade de revezamento de hora em hora, para aliviar a operação. Hoje, fico a jornada inteira sem nenhum incômodo. Ele me corrige a postura, garantindo um posicionamento, uma ergonomia bem mais eficaz”, pontua o colaborador.

Lado a lado

Para eliminar movimento repetitivo, chamado também de atividade que não agrega valor, o robô colaborativo é incorporado a diferentes áreas da fábrica. Atualmente há dois instalados na operação de montagem do kit de corrente do FireFly.

Outros três estão em processo de compra, sendo dois para funilaria e mais um na montagem final. Entre as novas atividades incorporadas está a aplicação de cola no para-brisa.

Outra máquina já encomendada e ainda testada pelo Auto é o sistema à prova de erro. A estrutura é formada por um projetor, uma câmera infravermelho e um sensor. Por intermédio de luzes e alarmes, indica o movimento e a sequência correta para apertar um parafuso e montar completamente um motor. Em caso de substituições repentinas na linha de produção ou distração do operador, isso evita erros no processo. Até mesmo uma pessoa sem treinamento prévio, como eu, consegue manter o padrão de qualidade estabelecido pela Fiat, inclusive com o torque correto, ao utilizar uma apertadeira de parafusos. 

Realidade virtual 

Para criar e testar processos, o cenário virtual entra em cena, sendo possível validar equipamentos e mapear postura, movimento e campo visual para a execução de atividades do operador. O investimento foi cerca de R$ 1 milhão e o curioso é a integração de diversas áreas no simulador para indicar melhoria no processo produtivo e também no produto. Inclusive, os 150 postos de trabalho da fábrica foram avaliados para ver a condição ideal de trabalho, se haveria ou não a necessidade, por exemplo, da utilização do exoesqueleto. 

A sala fica dentro do Manufacturing 2020, que é um laboratório para promover treinamentos e principalmente reconhecer tendências para o futuro. No momento, há 82 ideias em andamento. 

Também no quesito virtual, tem o Centro de Simulação de Dinâmica Veicular, localizado dentro da PUC Minas. O modelo alinha imagem projetada na tela curva de 230º com o movimento do volante, permitindo uma imersão completa, inclusive com tremor ao passar pela zebra da pista. O equipamento é usado para testar suspensão e direção e a previsão é todos os futuros veículos da Fiat passar por ele, evitando os protótipos iniciais desnecessários. 

*A repórter viajou a Betim (MG) a convite da Fiat