De Frontier, descobrindo o País

Com a ajuda da picape da Nissan, o Caderno Auto foi com exclusividade para o Ceará explorar a Chapada Diamantina em busca de pinturas rupestres. Ao todo, foram cinco sítios arqueológicos visitados em quatro dias da expedição "à procura do início do Brasil"

A Nissan resolveu pôr a picape Frontier à prova. E mais do que permitir utilizar o modelo em terrenos com pedras, buracos, areia, lama e asfalto para cada um dos 15 jornalistas convidados observarem em longa duração a nova geração do veículo, o test-drive conduziu-nos a lugares não tão explorados turisticamente.

E na Bahia, após a expedição ter cruzado Minas Gerais, Piauí e Mato Grosso, o seu "start" não poderia ter sido em melhor data: 22 de abril, Dia do Descobrimento do Brasil. Mais que apropriado diante do tema do projeto: à procura do início do País.

 

 

Primeiro dia

A Chapada Diamantina, precisamente Morro do Chapéu, foi a linha de partida. De lá, seguimos para a primeira parada da viagem, a Toca da Figura, onde tive o primeiro contato "ao vivo" com pinturas rupestres.

A maioria das imagens estava pouca nítida, resultado da exposição às intempéries naturais, mas foi possível ver a semelhança dos desenhos ao homem e aos animais. Até o relacionamento entre eles. O traço do que parece uma cerca, indica confinamento e que os grupos dessa época preferiam preservar e criar do que só abater. "São grades com animais dentro, normalmente uma fêmea com o filhote e as pessoas em torno dessa cerca. São fundamentalmente veados, mas também aparecem as emas. São os mais representados", pontua o arqueólogo e nosso guia particular na viagem, Carlos Alberto Etchevarne.

Outra particularidade é que a diferenciação de estilos gráficos apontam passagem de grupos sociais variados, até possivelmente em tempos distintos, segundo Etchevarne, também professor da Universidade Federal da Bahia.

Depois de uma parada para o almoço, seguimos ao complexo arqueológico Lagoa da Velha, no Abrigo do Sol. Os traços são bem parecidos, porém a pigmentação branca e as formas geométricas aparecem como itens de distinção comparado a Toca da Figura.

Ao longo do dia, foram 5km à pé com areia e pedras no trajeto. Para poupar horas de caminhadas extras, escolhemos a versão top da Frontier para fazer os 87km de percurso. De seus itens mais aproveitados estão principalmente o banco dianteiro zero gravidade e com cinco regulagens ao motorista. Combinação perfeita para não sentir nada dos buracos da pista e para adequar a posição de dirigir durante a condução. Entre os ajustes, o de lombar é excelente para preencher o espaço vazio quando a coluna "curva" de cansaço.

Segundo dia

O dia começou no Vila do Ventura, onde houve grande concentração de moradores na década de 60 do século 19 devido a exploração de diamantes. Residiram cerca de 5 mil pessoas na época, agora foi reduzido a uma família de dez integrantes. Curiosidades à parte, fomos para a Toca do Pepino, na qual conta com a particularidade de traços que se assemelham a instrumentos musicais.

No local, o traçado também da maioria é mais fino, exigindo mais técnica e instrumento apurado, como um pincel, que poderia ter sido feito de pena ou galho. Outro elemento específico encontrado no lugar é um desenho mais completo da forma humana, destacado na página ao lado. "Ele tem uma cabeça, com boca e olhos. São um dos poucos exemplos que nós temos com representação de uma cabeça com todos seus elementos. Eu o considero um desenho intrusivo, em uma parede que só tem figuras pequenas em movimento, o tratamento gráfico é diferente", ressalta o arqueólogo.

Em seguida, fomos para outra parte da Lagoa da Velha, a Pedra do Boiadeiro. Lá, foi possível ver, pela primeira vez entre os sítios visitados, a forma de vegetações. Vê-se também um trabalho em mudar a intensidade da cor do animal e do homem em um mesmo conjunto de pintura para mostrar diferença de suas essências. Outra curiosidade é o uso de múltiplas imagens, em fileiras, na intenção de mostrar não tanto cenas de ação, como é possível detectar nos outros abrigos e, sim, de coletividade.

Terceiro dia

Pegamos a estrada em direção à Lençóis para adentrar a Serra das Paridas, complexo que conta com área de 1500 hectares, dividida em 18 subgrupos de visitação. No local, as escavações feitas há em média quatro anos, com duração de dez dias, renderam ótimos resultados para uma possível datação das pinturas.

Por meio de duas fogueiras antigas encontradas, é provável que parte das figuras pintadas tenham sido feitas há mais de 8 mil anos. A mais antiga até então era 3 mil anos atrás, datada por meio de fogueira também, encontrada em escavações no complexo da Lagoa da Velha.

Entre os desenhos, dois elementos chamam a atenção: o que parece uma seta apontando para cima e a combinação de dois "V" lado ao lado. "Isso é um símbolo que aparece em todas as partes do mundo, pelo menos em muitas partes do mundo. Na Europa, por exemplo. E está identificado, a definição está datada nos anos 50 do século 20, que são símbolos do masculino e feminino", explica Carlos Etchevarne.

Além deles, outra representação é destaque no local, dando nome ao complexo. De forma nítida é possível ver o que seriam mulheres parindo. Elas estão de cócoras, como é possível ver na página ao lado. Outra origem para o nome "Serra das Paridas" é que as vacas do município vizinho fugiam e depois eram encontradas pelo dono na região com novos filhotes, ou seja, logo após o parto.

Para chegar ao local, foram 178km a bordo da versão intermediária SE, companheira ainda do segundo dia.

O motor biturbo diesel 2.3 litros de 190 cv combinado ao novo câmbio automático de 7 velocidades é o principal destaque. Dentre os equipamentos mais usados no teste estão controle de tração e estabilidade, assistente de partida em rampa, volante em couro multifuncional com regulagem de altura e as saídas de ar para os bancos traseiros foram essenciais toda vez que mudávamos de parada ou buscávamos refúgio para amenizar o calor externo.

Tem ainda a mais: partida por botão, abertura sem chave da porta, duas tomadas 12V no console central, controle de velocidade de cruzeiro, controle automático de descida e freios ABS com assistente e controle de frenagem.

Quarto dia

A despedida foi feita de forma turística, conhecendo o Morro do Pai Inácio e sua vista 360º. O local fica em torno de 30km de Lençóis e ameaçou ficar nebuloso e esconder a bela visão das paisagens naturais. Arriscamos mesmo assim os cerca de 300 metros de subida íngreme e não houve arrependimentos, com momentos generosos de um verde a perder de vista.

Este seria o perfeito "adeus" do projeto Expedição Nissan, mas parece que há mais uma carta na manga.

Ficha técnica

Motor: 2.3 biturbo diesel
Potência: 190 cv a 3.750 rpm
Torque: 45,9 kgfm a 1.500 a 2.500 rpm
Câmbio: automático de 7 marchas com modo manual sequencial
Aceleração: 12,5 segundos
Consumo: 8,9 km/l na cidade e 10,5 na estrada
Versões/Preços: SE AT 4X4 - R$ 150.990 / LE AT 4x4 - R$168.700
Fonte: Nissan do Brasil

*A repórter viajou a Chapada Diamantina (BA) a convite da Nissan