ENTREVISTA

Miss Brasil: Amizade

Em tempos bicudos, de briga de ego, amizade e coletividade são valores essenciais na sociabilidade humana. Mas essas qualidades poderiam se encaixar ao Mundo Miss?

00:00 · 06.09.2017 por Ideídes Guedes - Repórter
As misses Juliana Muller e Alexia Duarte estreitaram os laços de amizade durante o concurso de beleza

Nele que a competição requer uma rotina de muitos compromissos para as candidatas como: participações em eventos, encontro com autoridades e visitas a instituições? Passando tanto tempo juntas, elas deixariam o clima de disputa de lado e aproveitariam o momento para fazer novas amizades? Sim. Isso aconteceu na edição do Miss Brasil Be Emotion 2017.

Foi o caso da Miss Ceará, Alexia Duarte (21) e da Miss Rio Grande do Sul (25), Juliana Mueller, que perceberam interesses em comum durante o confinamento da competição, em Ilha Bela, litoral de São Paulo, em agosto deste ano. Na disputa pela coroa, a cearense ficou no top 10, enquanto a gaúcha foi vice-campeã. O título ficou com Monalysa Alcântara (18), Miss Piauí, que se tornou a terceira negra a conquistar o feito.

Como começou a relação de amizade de vocês duas? Antes do confinamento, já havia um convívio nas redes sociais? E como foi o encontro de vocês?

A: Antes de começar o confinamento, nós já nos seguíamos no Instagram. Adorava as fotos da Ju e sempre que via curtia. Trocamos directs, e desde esse primeiro contato, ela já me disse que adorava o Ceará e que viria para Fortaleza e Jeri logo após o concurso. Adorei. A amizade começou desde esse contato prévio e só aumentou.

J: Uma seguia a outra, trocamos algumas mensagens antes, mas nada demais. Quando cheguei lá, a energia dela contagiou.

O que motivou para que vocês se aproximassem?

A: Nós duas, desde o primeiro dia, percebemos que éramos muito parecidas e já "fugimos" juntas para tirar foto uma da outra (risos). Fora que temos muito em comum. Sentia que a Ju também queria aproveitar cada segundo no confinamento. Independente de ganhar ou não, a gente estava ali feliz, sem pressão, sendo exatamente quem somos.

J: Acredito que somos parecidas, como a Alexia falou. Estávamos vivendo o máximo do momento, eu amei o jeito espontâneo dela logo que a vi pessoalmente.

O Mundo Miss é visto, pelo senso-comum, como um lugar bastante competitivo, de briga de ego. Vocês concordam com isso? Há uma dificuldade para se fazer amizade nesse meio?

A: É comum ouvir falar sobre isso, mas graças a Deus eu vivenciei o contrário. No concurso, eu senti que todas as meninas se ajudavam bastante, todas passaram por dificuldades e desafios para estar ali. Estavam dando o seu melhor. Então, eu senti muita facilidade em fazer amizade. Muitas coisas em comum. Aprendi muito e adquiri experiências incríveis.

J: Eu não senti isso do Miss brasil deste ano. Todos comentam sobre essa rivalidade. Foi muito divertido e já tenho uma lista de lugares pra ir e reencontrar as meninas.

Vocês roubaram a cena no período de confinamento com vários vídeos juntas em momentos de descontração. Falem um pouco dessa sintonia.

A: A gente se deu muito bem. Nós estávamos em um concurso, mas ao mesmo tempo, aproveitamos de verdade cada momento. Estávamos felizes e a gente tem esse jeito mesmo. Somos brincalhonas, divertidas, somos "de bem com a vida", e no Miss Brasil não seria diferente. Então, deu super certo (com entonação). E esse contato com o público, por meio das fotos e vídeos é muito legal. A gente queria passar pra todo mundo a experiência de estar vivendo esse grande sonho. E as pessoas pediam mais vídeos, mais fotos. Adoraram a gente juntas (risos).

J: Somos parecidas. A Alexia é extremamente comunicativa e consegue cativar todos ao redor.

Quem é Juliana para Alexia? Quem é Alexia para Juliana?

A: A Ju é uma pessoa de coração bom. Aquele tipo de pessoa que a gente se sente bem em estar perto. Divertida, engraçada, tranquila e simples.

J: A Alexia consegue fazer com que todas pessoas se aproximem. Ela é extremamente comunicativa. Eu me espelho muito nela nesse aspecto, foi o meu presente do Miss Brasil.

Em uma sociedade onde as amizades são cada vez superficiais, o que fica de legado?

A: Fui ao concurso com a intenção de levar comigo experiências e amizades independente da conquista do título ou não. E isso foi a minha verdadeira coroa. Amizades que, sem dúvidas, vou levar pra vida.

J: Ficam os momentos especiais que compartilhamos, os sorrisos sinceros e as histórias pra contar.