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Os primeiros 1000 dias na vida da criança

A nutrição adequada pode afetar de forma significativa a qualidade de vida que o pequeno terá no futuro

00:00 · 07.10.2017

Já imaginou que as primeiras decisões dos pais têm a possibilidade de influenciar a saúde, as atividades físicas e as habilidades de aprendizado dos filhos para sempre? Na gestação, quando a mãe escolhe uma dieta saudável, já está fazendo uma programação genética para a saúde da criança na vida adulta.

Intervalo de 'ouro'

Os primeiros 1000 dias de vida é considerado um 'intervalo de ouro', que pode mudar radicalmente o destino da criança, não apenas em termos biológicos, mas também no âmbito intelectual e social. O período estende-se do primeiro dia de gestação, desde a concepção, até os dois anos.

Segundo Álvaro Madeiro Leite, coordenador técnico científico do Instituto da Primeira Infância (Iprede), os cuidados nessa fase são essenciais, pois além das intervenções nutricionais, como aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses, é fundamental que a criança tenha um ambiente propício e acolhedor para desenvolver laços fortes com os pais, base para um desenvolvimento pleno.

O desenvolvimento social e emocional nos primeiros dois anos de vida, dentro dos 1000 dias, ocorre por meio do relacionamento das crianças com os cuidadores e quando elas aprendem a confiar naqueles que estão ao seu redor para satisfazer suas necessidades.

"Essas aquisições, complementa Álvaro Madeiro, ajudam a construir o desenvolvimento social e emocional na idade pré-escolar, que expande-se para incluir a competência social, a gestão do comportamento, a percepção social e capacidades de autocontrole".

Colher ou xícara

O aleitamento materno deve ser exclusivo até os seis meses de vida e continuar até os dois anos de idade, ao completar os 1000 dias. Após os 6 meses, outros alimentos devem ser introduzidos na dieta - ou alimentação complementar - e deve continuar até os 24 meses de idade, acompanhada da amamentação que não deve ser reduzida mesmo com o novo cardápio.

Quantidade e qualidade do alimento, a higienização e a dieta durante e após os períodos de doença constituem a complementaridade ideal nos primeiros dias de vida. "Os alimentos devem ser oferecidos com uma colher ou xícara, ao invés de mamadeira. Devem estar limpos e seguros e estarem disponíveis para que a criança aprenda a comer itens sólidos", descreve o coordenador científico do Iprede.

Suplementação

São intervenções nutricionais para os 1000 dias: suplementação (durante a gravidez) de ferro e ácido fólico; aleitamento materno; dieta complementar; suplementação de vitamina A para crianças; uso de zinco (episódios diarreicos), água, saneamento e de práticas de higiene para as famílias.

"Estudos sugerem que gestantes que usam suplementos de ferro e ácido fólico possuem menores chances de óbito. E de aumentar a capacidade intelectual dos filhos".

Fase de estímulos

Sobre o desenvolvimento cognitivo e afetivo nessa fase, Álvaro Madeiro explica que crianças que têm acesso a uma alimentação adequada às vezes não conseguem comer e crescer adequadamente por falta de estímulos.

Essa questão possui um papel vital no processo de formação do cérebro. Atrasos no desenvolvimento antes dos seis anos são difíceis de compensar. Pesquisas mostram que as sinapses se desenvolvem rapidamente nos primeiros anos e formam uma base das funções cognitivas e emocionais para o resto da vida.