brincando

Aprender a conviver, a 'ser' e a ter autonomia

A ludicidade facilita o relacionamento interpessoal, assim como a criatividade e aprendizagem dinâmica

00:00 · 07.10.2017

Uma criança pequena pega uma pedrinha. Ora a pedrinha é um boi, ora é um carro, em outra é um trem ou alguém. A historinha dos múltiplos papéis assumidos por uma simples pedra - ou qualquer outro objeto - mostra o quanto o brincar é algo fantástico para os pequenos.

"Está intimamente associado à capacidade imagética que ela tem do mundo. A imaginação é uma coisa que a criança constrói. Talvez seja a primeira forma de pensar o mundo", diz o professor Márcio Bento, do Grupo de Ciências da Escola Waldorf do Brasil.

Aprender com os desafios

Desenvolver a autonomia, a criatividade, fazer com que a criança tome para si a responsabilidade de suas ações. Aprender a lidar com os desafios e estimular a capacidade de resiliência. Sim, todos esses benefícios são atribuídos ao brincar que se manifesta por meio de jogos, no manuseio de brinquedos ou simplesmente correr, conversar com um amigo imaginário e muitas outras formas.

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Segundo a terapeuta ocupacional Ana Karla Brasil Santiago, a brincadeira é cada vez mais entendida como atividade que promove o desenvolvimento global, incentiva a interação entre os pares, a resolução construtiva de conflitos e a formação senso crítico e reflexivo.

Isso vale também para as atividades físicas realizadas pelos pequenos de forma prazerosa. "Desenvolve capacidades como atenção, concentração, memória, imitação, imaginação, curiosidade, organizar-se o espaço, o desenvolvimento da linguagem e do pensamento. E mais, a criança aprende a conviver e, principalmente, aprende a ser", comenta a terapeuta ocupacional.

Brincar sem estresse

É fato que estimular o desenvolvimento infantil com jogos, brincadeiras e atividade física deve fazer parte do cotidiano infantil. No entanto, o ideal mesmo é perceber que as crianças estão à vontade durante essas atividades, que devem ser realizadas não somente para preencher a semana toda com qualquer tarefa, para que não ocorra estresse.

A criança necessita de ter tempo e espaço para brincar livremente, faz se necessário proporcionar um ambiente rico para a brincadeira e estimular o lúdico no ambiente familiar e escolar. "Vale ressaltar que os brinquedos necessariamente não precisam ser os mais caros e sim os pais compreenderem que o importante é fazer com que as crianças explorem as diferentes linguagens (musical, corporal, gestual e escrita) que a brincadeira/brinquedo possibilita, de forma a desenvolver sua criatividade e imaginação", pontua Ana Karla Brasil.

Em família é melhor

Os pais costumam apresentar as brincadeiras para as crianças reforçando o vínculo afetivo entre eles. Tudo começa quando o pai, mãe e cuidador mudam a voz para falar com o bebê, ou fazem caretas (que eles adoram), cantam e conversam com o pequeno.

É quando há uma disponibilidade dos pais para dentro do seu cotidiano cuidar, estimular, apresentar o mundo para essas crianças. "A participação dos pais junto aos filhos no ato de brincar reforça a união e a conexão de todos. Estimula a ludicidade, imaginação, criatividade, além de fornecer novas descobertas e aprendizagem saudáveis. Brincando em família incentiva e fortalece o vínculo familiar", pontua.

Apelos bem-vindos

Os pais devem se mostrar sensíveis para os desafios constantes dos seus filhos e demonstrarem estar disponíveis para responder aos apelos de "vamos brincar".

Claro que não é missão fácil após um dia de trabalho cheio de preocupações. Uma forma de os pais tornarem esses momentos mais leves é recorrer às brincadeiras de infância (e deixar aflorar a 'criança interior'), assim como inventar novas para encantar as crianças. O objetivo é um clima de entendimento e cumplicidade.

Importante: os pais devem permitir que os pequenos 'controlem' a brincadeira. Expliquem para eles o que devem fazer, sempre respeitando os limites de segurança. Assim, comenta Ana Karla, a criança pode liberar sua criatividade, vivenciar seus limites e desenvolver autonomia.

A atenção durante a brincadeira é essencial para desenvolver o amor próprio, uma vez que as crianças recebem dos pais a informação que eles têm interesse pelo seu mundo de fantasia.