em fortaleza

Secretário diz que acirramento entre as facções tem sido seu maior desafio

01:00 · 07.10.2017
André Costa
André Costa disse que é necessária a criação de uma política nacional de Segurança Pública, para o enfrentamento eficiente das facções ( Foto: Helene Santos )

Pelo menos 47% das pessoas que foram mortas em Fortaleza, de janeiro a julho de 2017, tinham envolvimento com grupos criminosos, conforme a Secretaria de Segurança e Defesa Social (SSPDS). O titular da Pasta, André Costa, disse em entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste que o acirramento entre as facções tem sido seu maior desafio.

Costa ressalta que o cenário atual nunca havia sido enfrentado no Ceará e em grande parte do Brasil. "O maior de todos os desafios que estamos enfrentando é o acirramento dessas facções. Eles estão cada vez mais ousados e violentos. A consequência disso é a disputa das áreas no Estado, que tem impactado muito no número de homicídios. Esse é um cenário nunca enfrentado e estamos buscando várias medidas e investimentos novos. Conseguir retomar a redução de homicídios, que teve esse recrudescimento, é nosso desafio maior. Melhorar esse índice é o que mais me preocupa", afirmou.

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Desde o fim de 2016, um movimento que começou nos presídios de Manaus, no Estado do Amazonas, e resultou na morte de vários detentos, teve irradiação nacional. A briga entre as facções, que começou no Norte, acabou se estendendo para os presídios de vários estados e ganhou até mesmo as ruas.

"Aqui no Ceará, em Fortaleza principalmente, as facções estão em áreas mais carentes de políticas públicas. Muitas vezes, só o quem chega nessas áreas é a Polícia. Essas facções vieram crescendo nos últimos anos e esse ano é um novo cenário. Algo que o Ceará, o Nordeste e boa parte do País não tinha visto. Só quem tinha enfrentado um cenário parecido com esse era o Rio de Janeiro e São Paulo", afirmou.

Ao reconhecer que o avanço das facções mudou a forma como os crimes aconteciam no Ceará, André Costa pontua que também é preciso apostar em novos métodos de combate. "O cenário é diferente e demanda novas políticas, novas estratégias, novas decisões, novas ações. Se a gente fizer o que fazia antes, não vai resolver. Precisamos que esse enfrentamento seja capitaneado pelo Governo Federal, visto que o problema com essas facções não é só do Ceará, mas de quase todo o País", afirmou.

Política nacional

O secretário reforçou que é necessária a criação de uma Política Nacional de Segurança Pública. "O Ceará sozinho não resolve esse problema. É necessário uma pactuação dos estados com a União à frente, para que possamos atingir essas facções em todo o território nacional".

A respeito da interiorização das organizações criminosas no Ceará, André Costa diz que conhece a demanda e que as novas turmas que foram aprovadas em concurso e, devem ingressar na PM, poderão ajudar a enfrentar o problema. "Agora em outubro já teremos a primeira turma apta e pronta para trabalhar nas ruas", declarou.