Operação em Pindoretama

Quadrilha da GDE presa planejava roubar bancos

Com a facção criminosa, foram apreendidos cerca de R$ 200 mil em espécie e grande quantidade de ilícitos

Com o grupo detido, a Polícia apreendeu cerca de R$ 200 mil em espécie, relógios, cordões, armas de fogo, munições e droga ( Foto: JL Rosa )
01:00 · 12.01.2018 por Emanoela Campelo de Melo/Messias Borges - Repórteres
O comandante do BPChoque, tenente-coronel Henrique Bezerra, e os delegados da DRF Ricardo Romagnoli e Osmar Berto apresentaram detalhes da operação ( Foto: JL Rosa )

Os doze integrantes da facção criminosa Guardiões do Estado (GDE), presos em uma operação conjunta do Ministério Público do Ceará (MPCE), do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), da Polícia Militar e da Polícia Civil, no Município de Pindoretama, na última quarta-feira (10), planejavam ataques a instituições financeiras no Ceará, segundo os investigadores. Com a quadrilha, foram apreendidos cerca de R$ 200 mil em espécie e grande quantidade de ilícitos.

De acordo com o titular da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), delegado Ricardo Romagnoli, os integrantes da facção atuavam em diversas áreas do crime, como homicídios e tráfico de drogas. O principal objetivo do bando, com as ações criminosas, era arrecadar uma grande quantidade de dinheiro em espécie, para comprar artefatos explosivos e, assim, poder explodir bancos e multiplicar o lucro.

A quadrilha foi desarticulada a partir de um mandado de busca e apreensão coletivo, requerido pela Promotoria de Justiça de Pindoretama e expedido pelo juiz da Comarca do Município, Fernando Antônio Medina Lucena. O alvo da operação foi o Conjunto Habitacional Regina Albino, conhecido como 'Vila'.

O Comando Tático Rural (Cotar) e o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), da Polícia Militar, participaram do cumprimento de mandados. Doze homens foram presos em flagrante. Outros dois suspeitos, um adolescente e uma mulher, foram levados pela Polícia Militar até a Delegacia Municipal de Santa Quitéria, da Polícia Civil, para prestar depoimentos, mas acabaram sendo liberados em seguida.

Os presos foram identificados pela Polícia Civil como: Francisco da Silva Matias, Francisco José Costa Araújo, Herbet Macêdo Ferreira, Erik Nascimento Silva, Evaldo Carneiro de Oliveira, Francisco das Chagas Bezerra Celestino, Manoel Pedro dos Santos Silva, Izaías William Bezerra, Edilson Rocha de Sousa Neto, Nauricélio Fernandes da Silva, Francisco José Medeiro Lima Filho e Francisco Jarbas Teixeira de Oliveira.

Com o grupo, a Polícia apreendeu seis armas de fogo, sendo duas espingardas calibre 12, duas pistolas calibre 380, uma pistola 9 mm e outra pistola Ponto 40. Também foram apreendidas 90 munições para pistola calibre 380, 28 munições para revólver calibre 38, 15 munições para espingarda calibre 12, 14 munições para pistola calibre 9mm, 1,5 kg de maconha e 204 gramas de crack.

Os presos foram autuados pelos crimes de formação de organização criminosa, tráfico de drogas, associação para o tráfico, porte e posse irregular de arma de fogo de uso restrito.

Investigação

Segundo o delegado adjunto da DRF, Osmar Berto, o preso Manoel Pedro dos Santos, conhecido como 'Smith', é apontado como o líder da quadrilha desarticulada. As investigações preliminares mostram que ele coordenava o grupo a mando de um outro integrante da GDE, que já se encontra preso no Ceará e não teve sua identificação revelada.

Já Francisco da Silva Matias, o 'Dentinho', é considerado pela Polícia como o principal matador da quadrilha. Segundo o MPCE, 'Dentinho' era foragido da Cadeia Pública de Cascavel, onde teria executado pelo menos três pessoas.

O delegado Osmar Berto enfatizou que a quadrilha continuará a ser investigada e, nos próximos dias, mais suspeitos devem ser presos. "Essa operação em conjunto da Polícias Civil e Militar visou desarticular a quadrilha em Pindoretama. O resultado foi fantástico. A investigação agora é para apontar a origem desses R$ 200 mil, como esse dinheiro chegou à mão dessas pessoas", apontou Berto.

O comandante do Batalhão de Policiamento de Choque (BPChoque), tenente-coronel Henrique Bezerra, ressaltou que a apreensão dos entorpecentes aponta que o bando desarticulado, além de planejar ataques a bancos e já ter cometido homicídios, também tinha forte atuação no tráfico de drogas no Município de Pindoretama.

Facção criminosa

Desde o início de 2017, a facção Guardiões do Estado vem ganhando espaço no Ceará, com atuação na Capital, Região Metropolitana de Fortaleza e Interior. A GDE foi criada no bairro Conjunto Palmeiras, em Fortaleza, a partir da organização de integrantes de uma torcida de futebol organizada. O grupo ganhou força ao arregimentar principalmente adolescentes e adultos novos para o 'mundo do crime', em diversos pontos do território cearense.