editorial

Motor das exportações

00:00 · 14.03.2018

O Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp) se transformou na grande força motriz do setor de comércio exterior cearense. Os números consolidados de 2017 confirmam a exponencial evolução das exportações e também o expressivo crescimento da participação do Município de São Gonçalo do Amarante, onde parte do Complexo está instalada, no mercado do Ceará.

Nem é preciso fazer comparações de longo período para perceber o tamanho da expansão. As mudanças se deram em lapso de tempo impressionantemente curto. Em 2016, São Gonçalo do Amarante vendeu ao exterior o equivalente a US$ 238 milhões. Já no ano passado, o valor exportado atingiu US$ 1,1 bilhão, 362% a mais. O salto fez o Município disparar na liderança do ranking estadual, acumulando 52% de tudo que foi comercializado para outros países. Muito abaixo, aparecem Sobral (8,4% de participação), Fortaleza (7,5%), Maracanaú (5,1%) e Cascavel (4,1%).

As informações constam em estudo elaborado pelo Centro Internacional de Negócios (CIN), vinculado à Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).

A profunda mudança na composição das exportações se deu após a operação comercial da Siderúrgica do Pecém que, em 2017, completou o primeiro ano inteiro de produção de placas de aço. Tal insumo se transformou, rapidamente, no principal artigo mercantil do Estado, superando itens tradicionais como couros e calçados. Colaborou deveras para o inédito patamar conquistado no ano passado, quando o Ceará exportou US$ 2,1 bilhões. O empreendimento robustece não só o comércio exterior, mas todo o PIB do Estado. Calcula-se que a usina deverá impulsionar a produção de riquezas do Ceará em 12%.

Para São Gonçalo do Amarante, os benefícios deste e de outros empreendimentos ali cravados são visíveis. Municiada pelo Cipp, a economia da cidade foi impulsionada sob diversos ângulos. Surgiram oportunidades de emprego e capacitação profissional para os residentes, impelindo a renda das famílias; o mercado imobiliário local também acelerou, com a natural demanda criada por trabalhadores de várias partes do Estado, do País e até estrangeiros que se mudaram para a região. Por consequência, os setores de comércio e serviços passaram a se desenvolver, no intuito de ofertar produtos e atividades para o público crescente.

Se esses efeitos já podem ser considerados tremendos em pouco tempo, o impacto nas décadas vindouras é imensurável. A expectativa é que, com a constante atração de negócios do Complexo Industrial e Portuário do Pecém, a parceria com o Porto de Roterdã, a concessão do Aeroporto Pinto Martins e outros investimentos importantes, a economia do Ceará escale degraus nunca antes alcançados na sua história.

Sobre as exportações de aço, as recentes medidas protecionistas adotadas pelo governo norte-americano devem influenciar esse resultado espetacular. O setor metalmecânico estadual exportou, no ano passado, US$ 155 milhões para o país governado por Donald Trump, aumento de 727% sobre 2016. Foi o terceiro principal destino do aço produzido no Estado, abaixo de México e Turquia.

Enquanto isso, o governo brasileiro estuda medidas para se livrar da sobretaxa pela intermediação das empresas que recebem o insumo. Se não vingar esse esforço, deve apelar para a Organização Mundial de Comércio contra essa sobretaxa, a qual foi criada mais como instrumento de pressão política e comercial.