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Chacina do Benfica

00:00 · 14.03.2018

Na madrugada de sexta para o sábado, 9 e 10 deste mês, a Torcida Uniformizada do Fortaleza (TUF) foi mais uma vítima da violência que atinge nossa cidade. No sábado pela manhã, a Secretaria de Segurança Pública declarou que teria sido por conta de conflitos entre torcidas organizadas e o Ministério Público, como resposta, pediu mais uma vez o fim das Organizadas. Em abril de 2013, o Ministério Público do Ceara (MPCE) protocolou o primeiro pedido de extinção das torcidas organizadas, através de uma peça jurídica baseada em recortes de jornais. Este é o fato que mais nos preocupa, pois, além da perda humana que a torcida teve, a perseguição jurídica se aprofunda. Assim como na década de 1990, quando a Justiça deu resposta pífia ao proibir os bailes funks, em Fortaleza, agora tornam com a mesma resposta equivocada que não resolverá a situação da violência que nos assola. Neste ano, a TUF iniciou dois projetos sociais, visando à assistência aos seus próprios componentes. O Grupo de Apoio André Pança (GAAP), cujo objetivo é apoiar dependentes químicos na batalha para largar a droga; e a Escolinha Permanente da Bateria da TUF que, através de aulas práticas e teóricas, ensina a arte de batucar, possibilitando que nossos assistidos vislumbrem um futuro melhor através da música. O MPCE, erroneamente, aponta a tragédia como briga de torcida, mais uma vez demonstrando pouco saber sobre o que acontece com seus investigados, acusando de ter praticado o crime, quem foi vitimado por este. Aqui na TUF, cada vida importa, cada componente é importante e lutaremos juntos pelas vidas dos nossos.

Raoni Oliveira Marques. Cientista Social