ACIMA DA MÉDIA NACIONAL

Vendas do varejo no CE avançam 5% em janeiro

Setores ligados à atividade empresarial e aqueles com incentivos do governo foram os que mais cresceram

O segmento de equipamentos, materiais para escritório e informática registrou o maior crescimento em vendas no Estado no início deste ano
01:00 · 14.03.2018 / atualizado às 09:51

O ano de 2018 começou de forma generosa para o comércio varejista do Ceará. A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que o volume de vendas do setor cresceu 5,1% em janeiro em relação a igual mês do ano passado. Para Freitas Cordeiro, presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará (FCDL-CE), o dado confirma o que já vinha sendo anunciado.

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A alta de 5,1% pertence ao chamado varejo ampliado, que inclui os segmentos de veículos e material de construção. A área que puxou o crescimento, no entanto, foi o de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, que registrou variação positiva de 20,2%. Freitas revela que esse é um resultado importante por ser um indicador de melhora no cenário econômico geral do Ceará.

"Ele é muito importante porque sinaliza um aumento da atividade empresarial. Esses materiais são usados em expediente, o que aponta para um maior aquecimento. Talvez o resultado disso ainda não tenha refletido na ponta da cadeia, mas significa que as empresas estão se preparando", explica Cordeiro.

O segundo melhor resultado de janeiro veio de veículos, motocicletas, partes e peças, com alta de 18,9% nas vendas. Freitas ressalta que esse é um dos setores em que o governo está concentrando incentivos. "O segmento de veículos é priorizado por gerar reflexos em vários outros setores também", pontua.

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Ele destaca que o de material de construção também tem sido alvo das medidas governamentais por meio de incentivos, no entanto, os dados continuam negativos. O segmento caiu 7,5% em janeiro ante igual mês de 2017. "Antes da crise estourar, o mercado imobiliário do Estado estava muito valorizado, com até mesmo especulação bastante alta. Criou-se uma expectativa que não foi atingida com a ascensão da crise e aí o baque foi maior, por isso a dificuldade de recuperação", esclarece, acrescentando que os empresários continuam apostando em uma melhora próxima.

Reajustes da gasolina

A nova política de reajuste do preço dos combustíveis, implantada pela Petrobras em junho do ano passado, tem trazido consequências negativas para o comércio de combustíveis e lubrificante, que apresentaram redução no volume de vendas de 21,8% no primeiro mês deste ano. Freitas Cordeiro ressalta que a instabilidade gerada por esse novo modelo de revisão de preços atrapalha os resultado. "Essa redução já era esperada por conta justamente desses reajustes diários. Mexe com a venda de combustível propriamente dita, com o valor de fretes e o transporte brasileiro é majoritariamente rodoviário", destaca ele.

Entre as melhoras e as dificuldades persistentes na economia cearense, o varejo acumula crescimento de 2,4% no volume de vendas nos últimos 12 meses, de acordo com o levantamento.

Brasil

O volume de vendas do comércio varejista brasileiro cresceu 0,9% de dezembro de 2017 para janeiro deste ano. A alta veio depois de uma queda de 0,5% de novembro para dezembro. Também foram registradas altas na média móvel trimestral (0,3%), na comparação com janeiro de 2017 (3,2%) e no acumulado de 12 meses (2,5%).

De dezembro para janeiro, de acordo com os dados do IBGE, cinco dos oito segmentos do varejo tiveram crescimento, com destaque para outros artigos de uso pessoal e doméstico (6,8%) e equipamento e material para escritório, informática e comunicação (3,7%). Outros segmentos com alta foram supermercados, alimentos, bebidas e fumo (2,3%), tecidos, vestuário e calçados (0,9%) e livros, jornais, revistas e papelaria (0,3%).