Crise política

Conselho Federal de Economia defende convocação de eleições diretas

Entidade quer substituição dos presidentes da República, da Câmara e do Senado

21:53 · 19.05.2017 / atualizado às 11:48 · 22.05.2017
Diante da atual crise política instaurada no País, especialmente após a divulgação da delação dos empresários Joesley e Wesley Batista em que o presidente Michel Temer é um dos principais alvos, O Conselho Federal de Economia (Cofecon) emitiu nota defendendo a convocação de eleições diretas
 
A entidade aponta que o País não possui estabilidade suficiente para retomar as rédeas da economia e que apenas a substituição do Poder Executivo traria a paz que o mercado exige. 
 
Além de Michel Temer, o Cofecon sugere a substituição dos presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE). 
 
Confira a nota
 
O Conselho Federal de Economia (Cofecon) vem a público manifestar-se sobre o agravamento da crise política e suas consequências para o ambiente econômico e social do país, que colocam na ordem do dia nova deterioração das expectativas, aumento da incerteza e movimentos especulativos, com o consequente cancelamento e adiamento de decisões de investimentos e ampliação do desemprego.
 
O Cofecon tem se posicionado de forma crítica em relação à agenda de reformas propostas pelo Governo, em particular quanto às reformas propostas, em face sobretudo da necessidade de legitimidade e de ampla discussão com a sociedade. Pretender reafirmar a centralidade desta agenda, no atual cenário, por si só contribui para a polarização política, dificultando soluções pactuadas para a crise.
 
Neste contexto torna-se imprescindível a apuração célere das graves denúncias envolvendo a Presidência e os demais poderes da República, com a estrita observância das normas legais e constitucionais vigentes.
 
Em havendo vacância do cargo de Presidente da República e, em respeito ao Estado Democrático de Direito, o Cofecon defende que, mediante a aprovação de uma Proposta de Emenda Constitucional, sejam convocadas eleições gerais diretas antecipadas para a Presidência da República, a Câmara dos Deputados e 2/3 do Senado Federal, com mandatos que excepcionalmente finalizem em 2022.
 
Faz-se também necessária, em meio a um amplo debate nacional, a convocação simultânea de uma Assembleia Constituinte eleita exclusivamente para a realização de uma reforma política, com prazo determinado para o encerramento dos trabalhos.
Somente com a mais ampla discussão na sociedade sobre os melhores caminhos para a economia brasileira poderão ser construídas alternativas legítimas, viáveis e duradouras para a refundação do sistema político-partidário brasileiro, e uma política econômica voltada para a estabilização e retomada do crescimento econômico sob a perspectiva de desenvolvimento social.