AUMENTO NO PERCENTUAL

Gasolina pode ter até 40% de etanol

01:00 · 13.03.2018
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A mudança deve acontecer de forma escalonada, passando primeiramente para 30% em 2022 antes de chegar a 40% em 2030 ( FOTO: KLÉBER A. GONÇALVES )

Presente na gasolina em uma porcentagem que varia entre 24% e 27% atualmente, o nível de etanol adicionado ao combustível pode subir a 40% até o ano de 2030, segundo decreto proposto pelo presidente Michel Temer. A mudança pode vir com a regulamentação do programa de biocombustíveis (RenovaBio), sancionada no fim do ano passado, que prevê a redução de poluentes em derivados do petróleo como a gasolina e o aumento da participação de combustíveis menos nocivos.

O aumento da porcentagem de etanol na gasolina deve acontecer de forma escalonada, passando primeiramente para 30% em 2022 antes de chegar aos 40% em 2030. Na avaliação do consultor da área de petróleo e gás, Bruno Iughetti, o governo pode estar acreditando em uma queda nos preços com a medida. "Essa mistura do etanol com a gasolina em porcentual maior serviria como anteparo para a redução no preço final", diz.

Entretanto, ele destaca que não há garantia de que isso vai acontecer. "Acontece que nem sempre isso é verdadeiro, porque o etanol é uma commoditie que tem muito a ver com a sua cotação no mercado internacional. Isso significa que qualquer alteração decorrente de variação cambial ou mesmo em expectativa de safra não satisfatória vai fazer com que ele tenha custo superior ao estimado. Assim, em proporção maior na gasolina, ele faria o preço do combustível aumentar ao invés de reduzir", destaca Iughetti.

O consultor da área de petróleo e gás analisa ainda que a mistura de 40% à gasolina "parece desproporcional, sem garantia técnica" e com um valor de mercado que pode se tornar volátil, elevando o preço da gasolina.

"A Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), juntamente com as empresas automobilísticas, fizeram muitos testes de bancada com a mistura de etanol para ver a compatibilidade da mistura com os motores produzidos. Eu não sei se esse porcentual de 40% é cabível, vai depender muito dos testes de bancada. Eu, particularmente, não acredito que isso vá ocorrer. O que se sabe é que, no passado, já foram feitos testes com 30% e não houve problema", ressalta Iughetti.

Política de preços

O consultor da área de petróleo e gás explica ainda que, quanto à política de preços da Petrobras na venda de gasolina e etanol nas refinarias, o critério de fixação de preços não deve mudar.

"A Petrobras não mistura o etanol com a gasolina. Isso acontece nas distribuidoras. A Petrobras vende a gasolina pura, tipo A, e as distribuidoras misturam com o etanol na proporção que é estabelecida pelo governo", diz, acrescentando que a estatal se preocupa com os aspectos da gasolina no mercado internacional e se encarrega de aplicar as variações cambiais.