no nordeste

Fortaleza é a 6ª Capital com maior taxa de endividamento

Cerca de 480 mil famílias ou 63% delas tinham algum tipo de dívida no ano passado, afirma estudo

Na Capital, a média mensal de dívida por família ficou em torno de R$ 1.247, bem abaixo da média nacional, que foi de R$ 1.777. Consumidores tiveram de reduzir o consumo e a tomada de crédito
01:00 · 30.09.2017

Fortaleza foi a sexta capital da região Nordeste com a maior taxa de endividamento em 2016. O ano passado terminou com 481.373 ou 63% das famílias com algum tipo de dívida, conforme a sétima edição da Radiografia do Endividamento das Famílias Brasileiras, realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP).

O estudo avalia os principais aspectos, dimensões e efeitos sobre as famílias da política de crédito no Brasil entre 2014 e 2016, período particularmente turbulento tanto no campo político quanto no econômico do País.

A análise foi feita com base em informações do Banco Central (BC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e também da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Nordeste

Na região Nordeste, a capital com a maior proporção foi Natal (RN), encerrando o ano de 2016 com 75% das famílias endividadas, bem acima da média nacional, que foi de 57%.

Na segunda e terceira posições, aparecem São Luís (MA), com 72%; e Recife (PE), com 68%. João Pessoa (64%), Aracaju (64%), Fortaleza (63%) e Maceió (60%) vêm em seguida.

Somente Teresina (53%) e Salvador (51%) ficaram abaixo da média nacional, sendo que o município baiano apresentou a quarta menor taxa de endividamento do País.

Todas as capitais

Considerando as 27 capitais, o nível de comprometimento da renda com o pagamento de dívidas foi de 30% em dezembro de 2016, patamar considerado adequado pela Federação de São Paulo para não sinalizar risco de elevação da inadimplência.

Entre as capitais nordestinas, apenas Teresina (37%) e Natal (37%) ficaram acima da média do País e ocuparam a terceira e a quarta colocações no ranking nacional de maiores taxas, respectivamente. Já as cidades de Aracaju (18%) e João Pessoa se destacaram com as duas menores taxas em âmbito nacional. As demais capitais nordestinas ficaram próximas da média: Maceió (29%), Salvador (29%), São Luís (29%), Fortaleza (29%) e Recife (27%).

Ainda em dezembro de 2016, quatro capitais do Nordeste figuraram entre as cinco menores médias mensais de dívida por família: João Pessoa (R$ 813), Aracaju (R$ 988), Maceió (R$ 1.024) e São Luís (R$ 1.045).

Em Fortaleza (R$ 1.247), Salvador (R$ 1.332), Recife (R$ 1.450) e Teresina (R$ 1.640), os valores ficaram abaixo da média nacional, de R$ 1.777, em dezembro de 2016. Somente Natal ficou acima desse patamar, com R$ 1.816.

Contas em atraso

Quanto ao percentual de famílias com contas em atraso, Aracaju (29%), Recife (28%), São Luís (27%), Natal(27%), Maceió (27%) e Fortaleza (27%) ficaram acima da média nacional (23%). Apenas Salvador (20%), Teresina (17%) e João Pessoa (7%) ficaram abaixo da média das capitais, com destaque para a cidade paraibana, que apresentou a menor taxa de inadimplência do Brasil.

Fatores

De acordo com a assessoria econômica da Fecomércio-SP, a conjunção de crise econômica e aumento das incertezas, além da maior seletividade do sistema financeiro e das altas taxas de juros, levaram as famílias a reduzir fortemente a tomada de crédito, comprometendo o seu consumo de bens duráveis, principalmente, e gerando uma das maiores recessões de vendas na história do comércio varejista.

A assessoria da Federação observa ainda que nesses dois últimos anos, enquanto as operações de crédito no Brasil encolheram 12,2% em termos reais, as taxas médias de juros anuais cresceram 23,1 pontos.

Ajustes

Diante de uma crise econômica sem precedentes, de 2014 a 2016, o brasileiro demonstrou ser capaz de fazer os ajustes necessários em seu orçamento familiar com o objetivo de reduzir o grau de endividamento.

Nesse período de renda mais enxuta e altas taxas de juros, as famílias priorizaram o consumo de bens essenciais e evitaram comprometer sua renda futura com a aquisição de bens duráveis, segundo a pesquisa.

De dezembro de 2014 a igual mês de 2016, mesmo com o número de famílias crescendo 1,6% no Brasil, o total mensal de rendimentos dessas famílias, que no fim de 2014 era de R$ 256,9 bilhões, foi reduzido para R$ 256,8 bilhões em dezembro de 2016, uma diferença de R$ 135 milhões (ou queda de 0,1%). Como reflexo dessa relativa estagnação ao lado do aumento do número de famílias, a renda média mensal familiar passou de R$ 4.256,63 em 2014 para R$ 4.187,78 em dezembro passado, representando uma queda em termos reais de 1,6%.

De forma ainda mais intensa, no conjunto das capitais brasileiras - foco do estudo -, enquanto o crescimento do número de famílias foi de 1,6%, houve uma redução de 1,1% no total dos rendimentos das famílias, levando a uma queda real de 2,7% do rendimento médio.